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quarta-feira, 7 de março de 2012

Os 50 anos do Apolinho

Detentor de uma das maiores audiências em programas de rádio no Rio, Washington Rodrigues, o Apolinho festejou na quinta-feira 1° deste mês, 50 anos de carreira. O dia foi pequeno para as homenagens que recebeu. De amigos e colegas, de ouvintes e admiradores e, naturalmente, dos familiares. Bem-sucedido em todas as rádios que trabalhou, está na Tupi desde janeiro de 1999, em sua segunda passagem pelo prefixo. Ele começou na antiga Guanabara, participando do programa “Beque parado”, como auxiliar do apresentador Dolar Tanus.
A denominação Apolinho, ganhou na década de 60 quando era repórter esportivo da Globo. Foi batizado pelo chefe, Waldir Amaral, de quem viria a ser uma espécie de seguidor no que tange a facilidade para criar frases de efeito, os bordões -- fora alguns personagens. Passou a comentar futebol na virada dos anos 80, na Rádio Nacional, sendo chamado de “o comentarista da palavra mágica”. Era peça fundamental na equipe do José Carlos Araújo, o Garotinho, que a partir de 1977 revolucionou, com seu estilo, as transmissões esportivas.
Na volta à Globo em dezembro de 1984 (com o Garotinho no lugar do Waldir), tornou-se “o comentarista mais ouvido do Brasil”. A parceria de muito sucesso na tradicional estação e na rádio dos Marinho, terminava seguramente 18 anos depois, com sua transferência para a Tupi, onde veio a formar dupla com o Luiz Penido. Coincidência ou não, após a mudança reverteram-se os índices do Ibope nas duas emissoras. Com seu carisma, bom humor e conhecimento, o Apolinho faz algum tempo, a diferença entre os seus colegas de profissão.
(Na emissora em que iniciou carreira, também deram os primeiros passos Alfredo Raimundo, diretor da Tupi, o Chico Anysio, a Fernanda Montenegro, Sílvio Santos, e o inesquecível João Saldanha, entre outros.)

/o/ Marcus Aurélio homenageou domingo último, no “Quintal da Globo”, a memória do Haroldo de Andrade, morto em 1° de março de 2009.

/o/ “Palco MPB”, do Fernando Mansur (MPB FM), passa a ser gravado no Tereza Raquel, reaberto. Apresentações às terças, 9h da noite.

/o/ A equipe de esporte da Globo tem novo componente – Bruno Cantarelli. Entrou na vaga do Rafael Araújo, que voltou para a Brasil AM.

/o/ Revelação na Manchete no ano passado (grupo dos “apaixonados por futebol”), Thiago Veras é o mais recente contratado da Tupi.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma resistência vencida

Mistura de personagens das escolas de samba e suas músicas com sucessos do carnaval de antigamente, o “Comando geral”, programação da Globo, já superou a idade da mulher balzaquiana*. Em sua recente edição, teve entre outros méritos, vencer a resistência de um de seus contratados. Nada mais nada menos que o comunicador Roberto Canázio, que participara desse tipo de festejos pela última vez em 2000, ainda na Manchete, onde permaneceu por duas décadas. Canázio passou pela Roquete e Tupi, ingressando na Globo em dezembro de 2006.
Criado por Mário Luiz, um dos grandes nomes em toda a história do rádio, o “Comando geral” sofreu em sua existência diversas modificações. No início, cada apresentador cumpria jornada de seis horas em estúdio, com a abertura dos trabalhos no entardecer das sextas-feiras. Numa de suas passagens pela emissora, Francisco Carioca se tornaria recordista em permanência no ar durante um desses especiais, ficando “preso”12 horas consecutivas. O bordão “Aqui, Francisco Carioca; aí, você que é mais importante”, ecoou também nas ondas de outros prefixos.
Na passarela da avenida Presidente Vargas, que antecedera à da Marquês de Sapucaí, a cobertura dos desfiles era longa e cansativa, com as 14 escolas se apresentando numa só etapa, estendendo-se de domingo ao amanhecer de segunda-feira. Os especiais da Globo e de outras emissoras, realizavam-se de forma ininterrupta, pois, a Federação do Rio não promovia partidas de futebol no período de Momo. Cancelada nas últimas décadas, a medida diminuiria o espaço reservado para o carnaval, em atendimento ao dos jogos do campeonato carioca.
* (Cantada no carnaval de 1950, a marchinha foi um “estouro” na carreira de Jorge Goulart, presença constante nos programas de auditório da Nacional. Os autores Antônio Nássara e Wilson Batista proclamavam a mulher preferida pelo escritor Honoré de Balzac, assim: “Não quero broto/Não, não quero não/Não sou garoto/Pra viver de ilusão/Sete dias na semana/Eu preciso ver/Minha balzaquiana”(Bis).“O francês sabe escolher/Por isso ele não quer/Qualquer mulher/Papai Balzac já dizia/Paris inteiro repetia/Balzac atirou na pinta/Mulher só depois dos trinta”.)
A cobertura da Globo no novo Sambódromo foi comandada por Alexandre Ferreira e Robson Aldir; a da Tupi, por Luiz Ribeiro e Eugênio Leal; da Manchete, David Rangel e Jorge Bacarin. Destacaram-se nas rádios respectivas, os comentaristas Jorge Luiz, Fábio Tabak e Sérgio Professor, os repórteres Leonardo Monteiro, Valéria Chagas e Elisângela Salarolli; Marcos Frederico, Fred Soares e Camila Esteves; e Juninho Ti-ti-ti. Na rede Nacional-MEC (comando Marcos Gomes e Xico Teixeira), a categoria de um Adelzon Alves, Rubem Confette, Dalila Vilanova e Dáurea Gramático.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O comando nos carnavais

No ar nesses dias de carnaval pelas ondas da Rádio Globo, o “Comando geral” foi uma idéia do Mário Luiz (1925/2009), que muito contribuiu com o crescimento e modernização da emissora. Na era dos chamados disc-jockeys, Mário Luiz apresentava, entre outras atrações, a “Pré-parada musical”. Chefiou o departamento de locutores, foi diretor de programação e, diretor-geral. Ele criou o “Comando” nos anos 60, para enfrentar a Continental, que predominava no período movimentando sua portentosa equipe de repórteres, onde brilhavam um Affonso Soares, Ary Vizeu, Hélio Lopes, Dalvan Lima, Perez Júnior, Paulo Carinje etc.
A Nacional também investia nas coberturas de carnaval. Pela qualidade dos profissionais reunidos, denominaram-na “a verdadeira escola do samba” que, superada uma fase de turbulência, conseguiria sobreviver. Ao longo dos anos, destacaram-se um Juvenal Portela, Hiram Araújo, Tárcio Santos e José Carlos Cataldi, além do Mário Silva e Rubem Confette, até hoje em atividades. A Tupi, que na última década se rivaliza com a Globo em tudo, passou a dar mais espaço aos festejos de Momo em 1997. Naquele ano, pôs em prática uma programação similar à de sua concorrente – o “Carnaval total” -- então coordenada pelo Antônio Lemos.
Hoje, no lugar daquele originário da Globo (formava um trio respeitával com Áureo Ameno e João Vita), a liderança está a cargo do Eugênio Leal, compositor de sambas-enredos e componente da equipe de esportes da emissora. Somando-se aos comunicadores e repórteres, a Tupi mantém um quadro cativo de colaboradores para essas ocasiões. Quando reapareceu no dial em 2007, depois de um processo pré-falimentar, a Manchete adotou o lema de “carnaval o ano inteiro”. Sua principal referência é o programa diário “Vai dar samba” do Miro Ribeiro, um estudioso. O trêfego Juninho Ti-ti-ti é a figura de proa na equipe.

/o/ E, o Jota Santiago, hein? Ganhou seguidores na "outra". Primeiro o Edson Mauro, depois o Fernando Bonan. Os dois adotaram o bordão popularizado por ele: “...aumente o volume do seu rádio!”
/o/ Francisco Ayello, que foi repórter e âncora da equipe esportiva da Globo, está de volta à empresa. É o novo comentarista da CBN, função que vinha exercendo na Rádio Brasil AM há cerca seis anos.
/o/ O gênero debate esportivo tem mais um concorrente no rádio. Trata-se de “Pop bola”, na MPB FM com Fábio Azevedo (ex-Tupi, ex-Globo). A apresentação é de segunda a sexta, às 8 horas da noite.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Do baú à modernidade

Hilton Abi-Rihan, dos melhores comunicadores do rádio contemporâneo formou-se na escola da antiga (e extinta) Continental, onde integrou os “Comandos” do Carlos Pallut. Teve passagem pela saudosa TV Tupi e, atualmente trabalha na Rádio Nacional. De uma outra geração, componente do primeiro time na atividade, Mário Esteves tornou-se conhecido através da 98 FM, indo posteriormente para a principal AM da empresa. Hoje, é um dos destaques da Manchete.
Eles têm coisas em comum no veículo. Atuam pela segunda vez nas respectivas emissoras, e apresentam atrações idênticas em seus programas. No “Alô Rio” do Abi, a partir de 8h da manhã de segunda a sexta há, entre outros, “A melhor de três”. No “Show do Mário...” que começa a uma tarde em igual período da semana, também o mesmo quadro. A fonte a que eles recorreram é um baú mais do que remexido, encravado no túnel do tempo, ano de 1900 e antigamente.
Esse “a melhor de três” foi uma novidade lançada por José Messias, ainda rapazola, quando estava na Rádio Guanabara. Ex-trapezista, ele iniciara carreira na Mayrink Veiga, apadrinhado por Herivelto Martins, cantor e compositor, líder do “Trio de Ouro”, com quem trabalhara no circo. Apesar do “dinossauro”, os programas são de boa feitura, com o Abi reproduzindo algumas coisas da fase áurea da rádio e, o Mário repassando em “Dois tempos”, sucessos pouco distantes.
(Ainda a respeito de Herivelto. Pouquíssimo comemorado dia 30 de janeiro o centenário de nascimento dele, autor de numerosas páginas do cancioneiro nacional, entre as quais, “Ave-Maria no morro”, “Praça onze”, “Laurindo”, “A Lapa”, “Cabelos brancos”, “Segredo” e “Caminhemos”. As homenagens restringiram-se aos filhos Peri Ribeiro e Yaçanã Martins (cantor e atriz) e ao Instituto Cultural Cravo Albin, segundo o publicado pelo jornalista João Máximo numa excelente matéria.)

/o/ Programas de debates – dedicado ao esporte, inclusive -- fazem parte da grade das emissoras populares. O primeiro do gênero abrangendo o futebol surgia no final dos anos 50. Denominava-se “A turma do bate-papo” e foi criado por Orlando Batista na modesta Rádio Mauá, onde permaneceria durante 30 anos. Orlando foi, também, um dos pioneiros do marketing esportivo.
Em 56 anos de carreira, atuaria em outros prefixos – Bandeirantes o último deles. Atuou na televisão e participou de 14 Copas do Mundo, nove no rádio. No “Grande Jornal” da Mauá, foi companheiro de Haroldo de Andrade, que comandava o “Musifone”, e de Osvaldo Sargentelli , do “Viva meu samba”. Morreu de infarto no Rio aos 83 anos, quinta-feira 26 do mês passado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A estratégia dos nomes

Batizar um programa utilizando o nome da rádio em que ele é veiculado faz parte da comunicação dos tempos atuais. Os modernistas defensores da ideia, naturalmente justificam tal norma amparados no que se classifica como estratégia de marketing, meio de facilitar a recepção do público-alvo. Para os cabeças pensantes, porém, esse procedimento desqualifica o processo de criação, uma vez que, em nada contribui com a sua melhoria.
Exemplifiquemos dois casos. A Globo, de enorme audiência, e a Nacional, muito longe disso -- com sintonia mais trôpega que cavalo pangaré nas corridas do Jockey. A grade da emissora dos Marinho reúne “Bom dia Globo”, “Manhã da...”, “Boa tarde...”, “Vale tudo na...”, “Quintal da...” e, desde o início do ano “Botequim da Globo”, que era “Papo de botequim”. Como só mudou o nome, troca de “seis por meia dúzia”, em linguagem popular.
“Bate-bola Nacional...”, “Funk...”, “Painel...”, “Garimpo...”, “Talento...” e “Alvorada...” formam a programação da histórica emissora da Praça Mauá. Sem ter o nome da rádio, figura como o mais estranho batismo, “O negócio é o seguinte”, aos sábados à tarde. Trata-se de um programa de samba, apresentado por Osvaldo Sargentelli Filho. Ele não se esforça nem um pouco para ser diferente do falecido pai. Perfeita incorporação do “velho”.
/o/ A propósito. Haroldo de Andrade, que excluiu o Júnior a partir da morte do pai, completou em agosto passado três anos na Tupi no comando de um programa que leva o seu nome, aos domingos de manhã. Aprendeu a fazer rádio com o renomado (e saudoso) profissional, de quem foi assistente. Manteve o “Debates populares”, quadro que ele criou, deixando seguidores. Não o imita. Tem estilo próprio, boa cultura, categoria.
/o/ O “Manhã da Globo” foi transmitido direto de Friburgo na quinta-feira 12, visando cobrar do poder público providências para os problemas das enchentes na Região Serrana e, promessas não cumpridas. Em abril passado, Roberto Canázio entrevistou o prefeito da cidade, logo afastado por malversação de verbas. Um dos moradores disse ao comunicador dessa vez, que corrupto deveria ser condenado “a seis meses (sic) de cadeira elétrica.”
/o/ Radialista que não dispõem de agência de publicidade vive se queixando dos baixos salários. Não é o caso do Marcos Marcondes, comentarista da Manchete. Os medalhões estão voltando depois do recesso no futebol e, o Marcondes também. No dia 10 deste mês ele revelou ao David Rangel que, nas férias, passou o Natal e o Ano Novo com a família na Disneylândia. (Com certeza, não foi a “rádio de verdade” que lhe proporcionou esse luxo...)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Na virada do calendário

É fato recorrente em toda mudança de calendário, retrospectivas e especiais preenchendo a programação das emissoras de rádios e Tvs. Dentre os especiais que acompanhamos nas rádios populares, destacamos três, pela qualidade de seu conteúdo. À noite, no dia 31, Cláudio Ferreira entrevistava na Manchete os integrantes do Razão Brasileira, grupo de pagode, um grande sucesso nos anos 90. Naquela ocasião, proliferavam conjuntos do gênero. A Tropical FM se especializara no tema, para atender à demanda.

No domingo de manhã na Tupi, Jimmy Raw conversava com o Luiz Penido. O locutor -- 40 anos de carreira -- fez um oportuno balanço do futebol no Brasil e exterior, baseado em suas observações no tão apreciado esporte. Jimmy, que revelou ser um leigo no assunto, desenvolveu a entrevista de tal forma, que até os ouvintes pouco afeitos à modalidade, certamente se mantiveram atentos. Penido, um dos mais bem articulados profissionais do ramo, deu uma verdadeira aula, para os que entendem ou não da matéria.

O terceiro destaque da lista, um outro especial na pretensamente batizada “rádio de verdade”. Um comunicador ainda em formação, Rafael de França acumula funções na emissora. Já fizemos nesse espaço algumas criticas a seu trabalho. Pois, o jovem e versátil radialista quebrou, no domingo à tarde, o gelo de nossa descrença. Rendeu bons momentos o seu diálogo com o músico e compositor Danilo Caymmi, membro de uma respeitável dinastia da canção nacional. Foi, sem qualquer exagero, um programa irrepreensível.

/o/ Cinco anos depois de ocupar a freqüência que pertencera à Cidade, revolucionária dos anos 70 no segmento, a Oi FM deixa de funcionar no dial. (A mudança ocorrera no dia 4 de março de 2006.) A rádio da operadora investe em nova mídia, transferindo-se para a web. No lugar fica a provisória Verão, a partir do primeiro dia do Ano Novo.

/o/ Componente do primeiro time do esporte da Globo, o trepidante Gilson Ricardo voltou, depois de dois anos, a comandar um programa de variedades. Assumiu, nas férias do Tino Júnior, a apresentação do “Vale tudo”. (E, o bravo Robson Aldir, em quem a emissora apostava suas fichas como uma nova opção de coringa -- o que foi feito dele?)

/o/ Incrível, fantástico!... Numa votação entre ouvintes do Clóvis Monteiro, na Tupi nesta terça-feira 3, o “Ai, se eu te pego”, de Sharon Acioly, com o Michel Teló, ganhou do “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Falando sério, alguém na equipe do programa afirmou que, o sucesso do cantor sertanejo “tem uma letra inteligente...”

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Trivial com guarnições (4)

O “Manhã da Globo” com o Roberto Canázio já fez o público esquecer do titular anterior, ultrapassada a marca de nove meses. Embora a temperatura em algumas ocasiões se eleve, dando à conversa um tom discursivo, o quadro de debates atende plenamente aos objetivos da emissora.
No contexto geral, o programa ficou mais solto, redondo, um encaixe perfeito de todas as peças. Sob a condução do Canázio e textos da produtora Heloisa Paladino, são destaques a Ana Paula Portuguesa e o Ney Freitas, assistente de produção, personificando o caricato “Senhor Sílvio”.
E, o ‘boa gente’ Loureiro Neto conseguiu sobrevivência de oito anos no horário, sem ter o jogo de cintura de um Francisco Barbosa ou Mário Esteves. No período, próximo do aniversário da casa, esses entraram e saíram duas vezes. Num daqueles fins de ano, também o João Ferreira “dançaria”.

/o/ Apresentador do “Show da manhã” na Tupi, Clóvis Monteiro é o mais novo “Cidadão Honorário do Rio”. O título lhe foi concedido pela Câmara dos Vereadores, na terça-feira 20, por serviços prestados à comunidade carioca. Enaltecido duplamente nesse dia, pois a Assembleia Legislativa também lhe prestou homenagens, por seus 25 anos de rádio, recentemente completados.

/o/ Na mesma data, Maurício Valadares, da Oi FM comemorava trezentas audições do “Ronca, ronca”, aproximando-se de seis anos no prefixo. O especial ‘ao vivo’, teve três horas de duração. Nos dias normais, às terças, vai ao ar entre 10h e meia-noite. Valadares, mais de 20 anos de carreira, brilhou na lendária Fluminense FM (“A maldita”) e, em outras do segmento.

/o/ A partir das 5h da tarde, às sextas-feiras, a Nacional relembra os bons tempos dos programas de auditório. São estrelas do horário os integrantes do grupo musical “Época de Ouro”, denominação dada às audições, reprisadas nas segundas, à noite. O show, muito bem conduzido por Cristiano Menezes, se constitui numa das melhores coisas do rádio contemporâneo.

/o/ Seria o Rafael de França um prodígio? Um dia, talvez, ele vai se libertar da influência do avô. Por enquanto, nenhuma tendência. O culto ao ídolo paterno, é forte. Até as vinhetas de seu programa na Manchete, em sequência ao do veterano radialista, são iguais. Além de comunicador, ele é sonoplasta e diretor de programação da rádio. (Não confundir as palavras ‘genes’ e ‘gênio’).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Derrapagens, e saudades

Maurício Menezes, hoje na Tupi, trabalhou na Globo pouco mais de 20 anos. Produziu diversos programas, entre os quais, o de Waldir Vieira, falecido tragicamente em novembro de 1985. Maurição – assim chamado nos bastidores, para diferenciá-lo do seu homônimo, o “Danadinho” do esporte --, ganharia programa próprio em 2000, aos sábados de manhã, quando a Globo resolveu dar folga ao Haroldo de Andrade e ampliar em uma hora o “Show do Antônio Carlos”.
O matinal não emplacou, mas ele foi compensado com outro, o “Agito geral” em 2001, feito em parceria com o Hélio Júnior, edições nas noites de sábados e domingos. Era um programa altamente criativo, onde os dois esbanjavam inteligência e humor e, difícil para o ouvinte, indicar qual dos quadros o melhor. Num deles, Mauríção reproduzia histórias pitorescas, “causos” que reunira ao longo de sua vida de jornalista relatando, inclusive, curiosidades publicadas na imprensa.
Em outro, colocava no ar suas próprias “gaffes” (dele e do Helinho) e a dos colegas. “Rádio-cassetadas, o nome da atração, era aceita apenas pelos detentores de espírito democrático. Os convencidos de que, “errare humanum est, conforme os mestres do latin ensinavam na escola de antigamente, a língua dos padres nas missas. Todo esse palavreado aí (no jornalismo de tempos longínquos cognominado “nariz de cera”), para chegarmos à Globo dos dias atuais, ano da graça de 2011.
Dia 7 deste mês, próximo do horário em que o saudoso Waldir Vieira ocupava a gloriosa estação do Russel. No ar... “Boa tarde Globo”, ainda com vinheta do “Tarde legal”. Determinada música descia em BG, Alexandre Ferreira concita seus ouvintes a participarem da seção “Desafio”. Diz ele: “Atenção – de quem é essa voz? É uma dupla...” (Que é isso, professor? O que não pensaram seus alunos da faculdade, sintonizados na rádio? Tanta rodagem, e derrapando na concordância!)
Pouco depois, no “...Girando com a notícia” de 2h e meia, Gustavo Henrique, o mais novo integrante do esporte manda ver: “O goleiro Jefferson, escolhido o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, deixou claro que não quer deixar o Botafogo”. (Oh, Gustavinho, sabemos do seu talento, pois acompanhamos sua carreira desde os tempos da “outra”. Nem os estagiários nos corredores da Nacional, mais verdes que folhas de palmeiras, produzem texto tão primário, tão bisonho.)
Que saudades do “Agito geral” com o Maurício Menezes e Hélio Júnior. A Globo tirou-o da grade em outubro de 2001, voltara a editá-lo em 2005 com David Rangel, que em 2009 sairia. O desligamento deste favoreceu o produtor Daniel Pennafirme, que não esquentou a cadeira, cedendo lugar ao Luiz Torquato em 2010. Com o atual titular, que não compromete, o “Agito” é bem inferior ao da ‘fase David’ e, mais ainda, ao que o Mauríção e Helinho apresentavam.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

De "Musishow" e outras

Quatro meses foram suficientes para os executivos da Nacional voltarem atrás em relação ao “Musishow” do Cirilo Reis, semanal durante a maior parte do seu tempo. O cartaz tinha ficado fora do ar enquanto o processo de revitalização se concretizava, tornando-se diário em 2004. Tirar da grade um programa com 30 anos de existência, não é normal em rádio nenhuma.
Com a adoção da medida em julho, a finalidade era abrir espaço para um grupo de funk, que nada tem a ver com as tradições da velha estação. Os executivos surpreendiam os sintonizadores cativos da emissora, de perfil plenamente conservador. De volta agora em novembro, o programa passou a ser apresentado no horário e dia da fase inicial – aos sábados, à noite.

/o/ A velocidade do rádio com o seu imediatismo pressupõe que, as notícias são levadas ao público pouco depois que elas acontecem – ou na hora, em casos específicos. O tema faz parte das reuniões de pauta nas redações desse mundo globalizado, das conversas entre profissionais e interessados no assunto. E, não é de hoje que se debate regras básicas sobre jornalismo e comunicação.
Em algumas emissoras, no entanto, ignora-se tais preceitos, numa época de informática, tecnologia avançada, recursos da internet, redes sociais e aplicativos. Um exemplo disso tem ocorrido em “No mundo da bola”, esportivo da Nacional divulgando com atraso de 24 horas resultado de jogos transmitidos pela própria emissora. (Sem adição de fatos novos, “seu” Waldir Luiz, é dose elefantina...)

/o/ Quando se ouve um locutor dizer “rádio de verdade”, fica-se literalmente com a pulga atrás da orelha. Então, nos vem à ideia uma batida expressão: a pergunta que não quer calar. E, as outras, são de mentira? Numa emissora que assim se autodenomina, não tem como justificar a inconstância verificada na composição de sua equipe de “apaixonados por futebol”.
Mês passado, a Manchete contratou o Batista Júnior, que há pouco estava na Tamoio. Narrador apenas regular, chegou para cobrir o desligamento do João Guilherme, um dos fundadores do grupo em 2006, diminuído em seu número de remanescentes. Isso, sem contar as mudanças em outros setores, um interminável “entra-e-sai” no período de cinco anos.

/o/ Gustavo Henrique é o mais novo componente da equipe esportiva da Globo. Estreou no começo deste mês na partida do Botafogo e Figueirense, participando mais cedo de “A liga dos trepidantes”. Também compositor, trabalhava na Tupi até o final de 2010, deixando a emissora ao vencer um concurso de sambas-enredo em São Paulo. No pré-carnavalesco do ano, integrou na Manchete, série especial comandada pelo David Rangel.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Trivial com guarnições (3)

Todo país republicano tem um ministro de defesa. No Brasil – corrupção desenfreada à parte -- não poderia ser diferente. Agora, temos também um ministro de defesa no futebol. A curiosa invenção é do Edson Mauro, da Globo, que promoveu o zagueiro Dedé ao cargo -- ministro de defesa do...Vasco.
Conceituado profissional do entretenimento nesse mercado da mídia eletrônica, o Edson, naturalmente, inspirou-se no bordão que apregoa sempre nas competições: “A defesa bloqueooou! A defesa bloqueooou!”
Um jeito de ampliá-lo, por que não? Homem criativo (seu repertório é variado), não precisava, porém, invadir a seara alheia. “O bom de bola” anda, ultimamente, concitando a audiência a “aumentar o volume”.
Ora, caro alagoano. Há muito tempo o Jota Santiago, concorrente nas mesmas partidas, proclama lá na outra: “Torcedor, aumente o volume do seu rádio!” Segundo na hierarquia da Tupi, ao Jota sobra “o que resta dessa festa”, pois, a estrela é o chefe. Seu colega de posição semelhante, dispõe de mais oportunidades.

/o/ “Esporte é vida. Não violência” – dispara o Marcelo Figueiredo na Brasil, acrescentando que a cobertura da emissora é “a jornada esportiva mais elevada do rádio”. (Em matéria de som, por exemplo, não há a menor dúvida. Os 940 Khz da extinta JB ainda mantém boa qualidade).
Âncora da casa, Marcelo é páreo duro ao antigo locutor Ernane Pires Ferreira, que transmitia corridas do Hipódromo da Gávea. Espantosa a velocidade dele. Na quarta-feira 16, terminado o primeiro tempo de Fluminense e Grêmio, Marcelo falava de ‘um intervalo dinâmico’, sob o seu comando.
E, nós aqui, do outro lado, certos de que o tal intervalo era o da Manchete. Pelo menos, tem sido assim que o Sérgio “My brother” Guimarães o anuncia, a cada vez que o narrador escalado lhe passa o bastão, ou melhor, microfone.

/o/ Já se foram bem mais de vinte anos da morte do Velho Guerreiro Chacrinha. Vivíssima, porém, nos dias presentes a máxima que ele sacramentou: “nada se cria; tudo se copia”. No rádio, principalmente.

/o/ Durante pouco tempo Hugo Lago atuou como plantonista da Tupi. Em 2008, mudou-se para a Brasil, onde foi lançado na função de narrador. Figura na lista dos influenciados pelo Luiz Penido, seu ex-chefe. Apostamos mais nele, do que no Fernando Bonan, cópia do Garotinho em carbono desgastado.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De mudanças e...futebol

O comentarista esportivo e comunicador da Tupi, Washington Rodrigues costuma dizer: “A vida muda de minuto a minuto.” Essa frase do Apolinho nos veio à mente, depois de resgatarmos anotações sobre as equipes das emissoras que cobriram, dia 19 de janeiro de 2008, a 1ª rodada do Campeonato Carioca. Em três anos, quantas mudanças, tratando-se de figuras que lidam com o futebol?
No Maracanã, às 4 da tarde, o Fluminense vencera o Cardoso Moreira de 2 a 0. Faziam parte dos escalados na ocasião: Tupi – André Ribeiro (1), Manchete -- Daniel Pereira (2), Ronaldo Castro (3) e Rogério Ribeiro (4). Entre os componentes da Brasil, o Antônio Jorge (5), integrando o time da Bandeirantes, Jorge Ramos (6), Marcos Almeida (7), Bruno Giácomo (8) e Sérgio Guimarães (9).
(1) Hoje na (instável) Tamoio, André passou pela Manchete, onde esteve por pouco tempo, transferindo-se para a Bandeirantes;
(2) Daniel fundou com o João Guilherme a equipe da Manchete. Desligou-se do grupo em 2009, optando pela televisão;
(3) Depois de seis anos na Globo, Ronaldo foi outro recrutado pela Manchete, ali ficando apenas seis meses. A Bandeirantes, seu endereço posterior, desmontava a equipe no meio do campeonato, em setembro;
(4) Rogério tinha rodado por outras emissoras, antes de ingressar na Mundial – “a rádio que você vê”. Em seguida, teve uma passagem pela Carioca, já denominada Sucesso;
(5) Jorjão seguiu igual destino do Ronaldo e, posteriormente foi para a Tamoio. Está na equipe “dos apaixonados por futebol” -- até quando, não se sabe;
(6) Originário do grupo do Luiz Carlos Silva na Roquette (onde o futebol acabou), Ramos é, nos dias atuais, terceiro comentarista da Nacional, mas conservou o emprego de locutor na emissora do Estado;
(7) Marcos optou pelo sobrenome Martins em sua transferência para a Tupi. Passou pela Brasil e, ainda, pela natimorta Rádio Haroldo de Andrade;
(8) Também novato na Tupi, Bruno mudou a identidade, assinando Vieira. Esteve na Livre/ 1440, das mais inexpressivas emissoras do Rio;
(9) O ‘My Brother’ atuou em vários prefixos, inclusive de outras cidades. Está na Manchete há menos de um ano.
N. do R. Eugênio Leal estreava como comentarista da Tupi, em jogo narrado por Jota Santiago. Ex-Globo e ex-Bandeirantes, Ruy Fernando começava ancorar na Manchete, “A bola não para”, um intervalo diferente, segundo ele, hoje narrador da Nacional.

domingo, 30 de outubro de 2011

Últimas do Luiz Mendes

O Fluminense vencera o Atlético Goianiense por 3 a 2, depois de estar perdendo de 2 a 0, no Estádio da Cidadania em Volta Redonda, dia 3 de setembro. Esse jogo, narrado pelo Fernando Bonan, foi a última participação de Luiz Mendes nas jornadas esportivas da Globo. O repórter Rafael Marques, ancorando o intervalo, ao se referir a determinados lances, provocava o “da palavra fácil”, que declarava estar certo da presença do Sobrenatural de Almeida, personagem do cronista Nelson Rodrigues, histórico torcedor do time das Laranjeiras.
Poucos dias antes de ser internado no Hospital São Lucas, ele concedera uma entrevista ao Hilton Abi-Rihan, do programa “Alô Rio”, na Rádio Nacional. Era a propósito dos 75 anos de fundação da emissora. Mendes, que durante um bom par de tempo trabalhara no prefixo, destacou a importância da velha estação, classificando-a “como a universidade da radiofonia no país”. E, nesse período, esteve presente no Salão Nobre do Botafogo, para autografar o “Minha gente”, livro de Ana Luiza Pires, que traça um panorama de sua carreira.
Um dos fundadores da Rádio Globo, Luiz Mendes morreu na manhã desta quinta-feira 27, após complicações decorrentes de leucemia. Nos 71 anos de atuação no rádio, participou dos principais eventos esportivos e 16 copas do mundo, 13 delas nos locais. Foi narrador da Globo no Mundial de 50 no Maracanã, quando o Brasil perdeu de 2 a 1 para a seleção do Uruguai. Incrédulo no que via, descrevera o gol de Gighia com nove entonações diferentes. A Globo homenageou-o durante todo o dia, e a Nacional numa parte da programação.
Luiz Mendes começou oficialmente na Farroupilha, de Porto Alegre. Ali ficou o pouco mais de três anos. Além da Globo e Nacional, trabalhou na Continental e Tupi. Durante um tempo que estivera afastado do rádio, atuou na TV Rio, comandando aos domingos, a “Grande resenha Facit”, tendo como companheiros, entre outros, Armando Nogueira, José Maria Scassa, Nelson Rodrigues e João Saldanha. No mesmo canal, foi apresentador de um programa de boxe, o “TV Rio Ring”, integrando posteriormente, uma mesa de debates da TV Educativa. Deixou viúva a atriz e radialista Daysi Lúcidi, com quem era casado há 63 anos.

De tudo que se ouviu nas rádios sobre a morte de Luiz Mendes (uma unanimidade em todas as classes), bastante inspirada a crônica de Luizinho Campos, no encerramento do “Programa Francisco Barbosa”, poucas horas depois de o corpo baixar sepultura no São João Batista. Sensibilizou quem sintonizava. Hoje diretor de programação da Tupi, um dos craques na comunicação do rádio moderno, Luizinho – que assinava Luiz Campos Lima – produziu muita coisa boa na Globo, onde trabalhou nas décadas de 80/90.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Prestadores de serviços

Um dos fortes do rádio moderno tem sido a prestação de serviços, e a de repórter aéreo, uma delas. Genilson Araújo, 51 anos de idade, já exerce tal função há 23 anos, 17 dos quais no Sistema Globo de Rádio. Pelas manhãs e à tarde, na hora do rush, ele “voa” pela cidade transmitindo boletins para a Globo, CBN e Beat 98. A experiência conquistada por todo esse tempo e um cuidadoso estudo das regiões por que trafega diariamente, proporcionou-lhe condições de conhecer do alto, em qualquer bairro, as ruas e avenidas do Rio.
A origem do que se convencionou chamar prestação de serviços, vem das extintas Continental e Jornal do Brasil AM – a primeira fechada no segundo semestre de 1970, a outra, em abril de 1993, poucos meses depois que o Sistema Globo encerrava as atividades da Mundial. A Continental, do slogan “a que está em todas” valorizava sua equipe de repórteres, movimentando-a nos trabalhos de rua através dos “Comandos”, dirigidos por Carlos Pallut.
Os profissionais da JB, além de revelarem os lugares em que se encontravam, tinham como preceito, anunciarem a hora no momento em que passavam a informação. Foi nessa emissora da Condessa Pereira Carneiro, dona também do jornal do mesmo nome, que surgiu o serviço de utilidade pública, uma ideia do radialista e poeta Reinaldo Jardim, que morreu este ano. No começo, era “achados e perdidos”, seção homônima do jornal.
A JB foi pioneira na utilização de helicóptero, para orientar motoristas no trânsito urbano, naquele tempo longe dos engarrafamentos atuais. Genilson é originário dela, onde se revezava com o Nicolau Marahini. Além do SGR, só a JB e Paradiso FMs fazem esse tipo de cobertura, com os repórteres Eduardo Cardoso e Andrea Paiva. Hoje, Globo e Tupi dimensionam a prestação de serviços nos bairros, atuando com suas unidades móveis.

/o/ Na segunda-feira, 7 de outubro de 2002, surgia o “Quintal da Globo”, com o Marcus Aurélio, então âncora da CBN. “O Quintal...” comemorou nove anos. Aos domingos, depois da jornada esportiva, é um dos melhores programas da atualidade .

/o/ Batista Júnior, que se desligou recentemente da Tamoio, é o novo locutor esportivo da Manchete. Chega no momento em que “os apaixonados por futebol” completam cinco anos. Do grupo formado em 2006, são poucos os remanescentes.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Trivial com garnições (2)

Dia 25 último a Tupi festejava 76 anos de fundação. Por ela passaram inúmeros profissionais que contribuíram com a sua história. Exemplos de Ary Barroso, com o sempre lembrado “Calouros em desfile”; Almirante, do “Incrível, fantástico, extraordinário”; Carlos Frias, com o “Caleidoscópio”; Paulo Gracindo, e o “Rádio-sequência G-3”; Olavo de Barros, com o “Falando de cadeira” -- entre tantos outros. Em audições especiais citados os nomes do Affonso Soares, criador de “Patrulha da cidade”, (ainda em cartaz), do locutor esportivo Doalcei Camargo, falecido em agosto de 2009, e uma dezena deles, em fases distintas da emissora.

/o/ Primeira rádio do Rio a ter programação inteiramente jornalística, a CBN completava 20 anos dia 1º deste mês. A festa ocorria na segunda-feira 3, com um talk show no Teatro Oi Casa Grande, pilotado pelos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão, que nela atuam desde o seu surgimento.

/o/ Depois de passagens pelas FMs 98 e O Dia e Rádio Haroldo de Andrade AM, Zeca Marques ingressava na equipe de esportes da Globo. Ao fim de dois anos, silenciava os que não acreditaram que se daria bem na mudança. Zeca provou sua versatilidade, correspondendo à expectativa dos que nele apostaram. Âncora dos intervalos, é titular de “Globo na rede” e “A liga dos trepidantes”, atuando ainda como repórter. Ele trocou o bordão “joga o sapato” pelo “cruza que tô na área”.

/o/ Chefe de reportagem, Ana Rodrigues responde pelos boletins de notícias da cidade nas manhãs da Tupi. Aos sábados, em sua tarefa, alguns momentos de amenidades. Apresenta no programa do Clóvis Monteiro, um quadro em que recomenda o melhor dos cinemas do Rio. Ana é estudiosa do assunto.

/o/ Ele era “o repórter que fareja a notícia”, entre outras atividades na Mundial, de saudosa memória. Hoje, comanda o “Arte revista” na MEC AM, nos finais de tarde. Jota Carlos é seu nome, e o programa um dos melhores do rádio na atualidade. Figura na lista dos que fogem da mesmice, comum em algumas emissoras.

/o/ Nas madrugadas de sábados para domingos, são de muita qualidade as audições do “Baú da Tupi”. A apresentação é do Jimmy Raw, bem amparado por textos primorosos e uma seleção musical de apurado bom gosto.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

“Quintal” além dos limites

Em crônica anterior falamos dos 75 anos da Rádio Nacional. Um dos grandes nomes de sua gloriosa história foi Paulo Tapajós (cantor, compositor, produtor, apresentador e, inclusive, diretor-artístico durante longo período). Nos seus últimos anos de vida, Tapajós se queixava da mesmice reinante no rádio de então. Esse quadro, porém, perdura até os dias presentes. A respeito, já escrevemos que o “Quintal da Globo”, com o Marcus Aurélio nos tempos atuais, é uma das honrosas exceções. O programa deixou de ser diário em maio do ano passado.
No domingo 18 deste mês, o radialista superou os seus próprios limites na condução do programa. Radicado há três anos em São Paulo, ele comandou o “Quintal...” dos estúdios do Rio (Rua do Russel, Glória). Ágil, dinâmico (e, como diriam os críticos de antigamente), irrepreensível, escorreito. A interatividade, seu forte, uma engrenagem para as intervenções dos que não se escravizam à televisão. Via internet ou telefone, eles esquentam o debate, numa troca de ideias. No plantão, a repórter Viviane da Costa (ex-Tupi), contratada recente.
As notícias do futebol (“Panorama esportivo do Quintal...”, conforme ressalta o Marcus), um show completo para nenhum torcedor botar defeito, particularmente os do Flamengo, há nove jogos sem vencer. E, repercutiram de forma bastante negativa, as declarações do Vanderlei Luxemburgo em seu desabafo por mais um fracasso. Depois de reclamar que os juízes têm prejudicado o time, disse que um diretor deveria se pronunciar e, não ele. O técnico – observava o radialista – estava repetindo as mesmas desculpas, quando estivera à frente do Atlético mineiro.
Entre os diversos temas abordados, Marcus discorreu sobre as pessoas que, em termos de futebol se prendem ao bairrismo, classificando essa posição como fascista, ultrapassada. Argumentava não ser de hoje, que muitos moradores de uma cidade torcem por clubes de outra. E, no fechamento, apresentou o quadro “Viva o rádio”, em que reproduziu trechos de programas antigos da aniversariante Nacional (“Piadas do Manduca”, abertura do “Cesar de Alencar”, etc.). Baseava-se nos CDs do livro “Histórias que o rádio não contou”, de Reinaldo Tavares.

/o/ Robson Aldir comunicador, foi promoção aceita com restrições pelos ouvintes da Globo. Ele é, sem dúvida, um dos melhores repórteres do rádio. Para ser bom na nova função, vai precisar de muita quilometragem.

/o/ Qual a próxima estação do Mário Belizário? Na Manchete há alguns anos, formava com Roberto Canázio e Alexandre Ferreira um trio respeitável. Desligou-se este mês da Sucesso (ex-Carioca), onde estava desde 2009.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os 75 anos da Nacional

A Nacional do Rio fez 75 anos dia 12 deste mês. Como nunca antes, houve um show de variedades ao vivo na Praça da República, juntando-se a MEC AM, com o mesmo tempo de existência. Três dias depois o aniversário da tradicional rádio, referência dos anos dourados, foi tema de “Caminhos da reportagem”, na TV Brasil, uma das integrantes da EBC-Empresa Brasil de Comunicação, que congrega as hoje classificadas de emissoras públicas.
Quem aniversariava era a Nacional do Rio, mas a metade do bolo ficou para a Nacional da Amazônia, criada em anos posteriores, já na época da extinta Radiobras. O programa apresentado por Neise Marçal* e dividido em seis blocos, concentrou-se no “Viva Maria”, de Mara Régia, 30 anos no ar, que trata, segundo ela, da “geografia feminina”. O “Viva Maria”, um defensor dos diretos da mulher e dos preceitos da educação doméstica, é um fenômeno de audiência na região, mais especialmente nas cidades periféricas do Estado do Pará.
Da aniversariante propriamente, “Caminhos da reportagem” pincelou um mosaico sobre as novelas, programas de auditório, os 27 anos do “Repórter Esso” e a cobertura da Copa do Mundo de 50, no Maracanã, em narração do Antônio Cordeiro. Sobre as atrações dos dias atuais, mostrou os bastidores de “Dorina ponto samba” (Dorina e Rubem Confete), “Rádio maluca”, infantil (Zé Zuca) e “Época de ouro” (o conjunto e Cristiano Menezes, apresentador.)
O programa mostrou, ainda, os remanescentes dos áureos tempos, Gerdal dos Santos (46 anos em atividades) e Daysi Lúcidi (“Alô Daysi”, 40 anos em cartaz, pioneiro em prestação de serviços). Foram também focalizados, em depoimentos, o principal narrador de esportes da emissora, Carlos Borges, o diretor superintendente da EBC, Orlando Guilhon, além dos jornalistas e pesquisadores Sônia Virgínia Moreira e Ruy Godinho, entre outros estudiosos do assunto.


/o/ Locutora, produtora e atriz, Aldenora Santos, a “Pudica”, completou na quarta-feira 14 deste mês, 60 anos de rádio. A Globo, através do “Show do Antônio Carlos”, do qual ela é componente, prestou-lhe homenagem pela data. Aldenora recebeu do diretor executivo Giovanni Faria uma placa comemorativa, sendo cumprimentada por colegas e funcionários da empresa.
O comunicador Antônio Carlos, seu companheiro desde os tempos em que atuaram na Tupi (eles trocaram de prefixo em janeiro de 1987) enalteceu as qualidades da pessoa e profissional, afirmando que “ela é um exemplo para todos, em quem os jovens devem se espelhar”. As participações de Carlos Bianchini e Cidinha Campos emocionaram a veterana radialista.
* Neise Marçal foi repórter da Rádio Tupi na década de 80 e, apresentadora da Nacional em curto período, após a revitalização em 2004.

domingo, 4 de setembro de 2011

"Alguma coisa está fora..."

Na Manchete, de 3h às 5h, de segunda a sexta, está em cartaz desde maio de 2007, o “Show do Luiz de França”. Integra na grade da emissora direto de Barbacena,Minas Gerais, a “Tarde total”, intermediando os programas do Mário Esteves e Rafael de França. “Ele acabou de chegar/Luiz de França está no ar...” --, a vinheta de abertura anuncia. A ela, são sobrepostas as assinaturas: “o alto astral do rádio”, “a tarde mais alegre do Rio”, “o verdadeiro programa da família brasileira” e, complementando: “É França, é França, é França... primeiro lugar no coração do povão”.
Embora conserve alguns quadros do tempo na Globo (e rápida passagem pela Tupi), o programa em nada se parece com o anterior. Descaracterizou-se, apesar de manter as mesmas musiquinhas nas ilustrações. França mudou a conduta, primando pela improvisação. Com isso, transformou as três horas que lhe cabem num longo e arrastado discurso. Querendo se mostrar engraçado, em certos momentos ele se iguala ao Sílvio Santos (só lhe faltando o auditório) e, em outros, assemelha-se ao Roberval Taylor, caricato personagem do Chico Anysio.
Imaginemos estes cenários: A – Boa estrada, pista livre. Motorista em marcha acelerada rumo ao destino cogitado. B – Atalho, estradinha de chão batido, cheia de buracos. Motorista com todo cuidado, para não danificar o carro. O programa que o Luiz de França fazia na Globo, representa o primeiro caso. Obviamente que, o da atualidade, é o outro. França ainda figura entre os melhores profissionais na era moderna do rádio – a dos comunicadores. Porém, “alguma coisa está fora de ordem”, mal comparando o que diz Caetano Veloso numa de suas músicas.

/O/ O músico e compositor João Roberto Kelly foi entrevistado no “Boa tarde Globo”, do Alexandre Ferreira, sábado 3. Criado numa família de pianistas, revelou ter aprendido tocar o instrumento “de ouvido”. Na conversa com o radialista, lembrou do seu primeiro sucesso – “Boato”, gravado por Elza Soares e numerosos artistas, entre os quais Elizeth Cardoso e Miltinho. Kelly falou das marchinhas de carnaval com a Emilinha Borba e Jorge Goulart, da parceria com o Chacrinha e, especialmente de sua passagem pela televisão, onde trabalhou com Maurício Sherman e Chico Anysio. Ele foi diretor musical do “Times square”, na Excélsior, e “Rio boa Praça”, na TV Rio.

/O/ Washington Rodrigues, o Apolinho comemorou dia 1º mais um aniversário, com abraços e presentes dos amigos. Na véspera, o Flamengo lhe “deu” um presente de grego ao perder a invencibilidade de 16 jogos na casa do adversário, sendo fragorosamente derrotado pelo Avaí.

/O/ Um variado programa no dia 12 a partir de 1h da tarde na Praça da República, vai festejar os 75 anos da Nacional e MEC AM. São, segundo as chamadas, “as mais queridas do Brasil”. (Propaganda enganosa). Na semana antecedente, apresentação de especiais pelo evento.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cirilo à frente do "Edifício..."

Depois de perder o “Musishow”, que a Nacional tirou da grade no mês passado, Cirilo Reis ganhou o “Edifício A Noite”, assumindo o seu comando na segunda-feira 15. Ele substituiu Jair Lemos. O programa passou a ter um dia a mais, pois era de terça a sexta, entre 9h e 11h e meia, na semana sem futebol no Rio. A fórmula do musical foi um pouco alterada, privilegiando-se o noticiário, com a reprodução do material divulgado durante o dia.
O “Musishow”, que Cirilo fazia há 30 anos era no início, uma atração noturna aos sábados e, a partir do segundo semestre de 2004, um diário apresentado nos fins de tarde. A Nacional tirou-o de cartaz para acomodar um programa de funk, com o MC Leonardo. A novidade (rejeitada por tradicionais ouvintes da rádio), provocou a mudança de horário do “Painel...”, com a Gláucia Araújo -- o funk vai ao ar às 3h, direto do auditório, “ao vivo”.
Além do “Edifício...”, cabe ao Cirilo a apresentação do “Talento Nacional”, nas noites de sábados. Responsável pela leitura do “Jornal do Rio”, ao anoitecer dos dias comuns, Jair comanda o “Alvorada...” nas manhãs de sábados e o “...Samba show” nas noites de domingos. Os dois dividem as gravações das chamadas e vinhetas da rádio. Veteranos na tradicional emissora, só perdem em tempo de casa para o Gerdal dos Santos e a Daysi Lúcidi.

/O/ A concorrência entre as emissoras populares é o principal motivo da existência de programas (e quadros) semelhantes. Daí a mesmice presente. Parecem muito, mas são da melhor qualidade, “Lição de vida” na Tupi, com Clóvis Monteiro, e “Moral da história” na Globo, com o Roberto Canázio.

/O/ O “Papo de botequim” na Globo, com o Loureiro Neto, não é um bom programa. Está na linha do “arroz-com-feijão”. Mais rotineiro, impossível. O comunicador, pelo tempo de estrada, é bastante limitado. Alguns convidados “seguram” a audiência, caso dos Golden Boys, na segunda-feira 22.

/O/ A exemplo das cariocas Tupi, Globo e CBN, a Bandeirantes de São Paulo unificou sua programação em AM e FM. Em determinados horários, utiliza a Band-Rio como repetidora. Essa, que sobrevive de espaços alugados, registra um dos piores índices de audiência dentre as emissoras nas duas cidades.

A escolha é sua
-/- “ Bom dia Globo”, com Jorge Luiz. Globo AM/FM *
-/- Silvio Samper show”. Tupi AM/FM *
-/- “No tabuleiro do Brasil”, com Geraldo do Norte. Nacional *
* De segunda a sábado, às 3h.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Onde o futebol não emplacou

Dois anos depois de se tornar nova alternativa em futebol no Rio, a equipe da Tamoio começava a se desmantelar. O núcleo fora criado em maio de 2009, dele fazendo parte os bem rodados Antônio Jorge, André Ribeiro e Wellington Campos, os novatos Fábio Moraes e Cláudio Afonso, entre outros. Na ocasião, a Globo e a CBN unificavam suas transmissões esportivas, sistema abandonado tão logo terminara a Copa do Mundo de 2010.
A rádio, pertencente à cadeia Verdes Mares de Fortaleza, no Ceará, também investira numa programação diversificada, tendo contratado para tocar o projeto, profissionais em disponibilidade, exemplos do Ruy Santos e Mário Lúcio. Adotara a fórmula, ao se livrar de um longo período de arredamento a uma congregação religiosa. Voltava, porém, à situação semelhante no mês passado, dispensando a maioria dos requisitados.
O locutor Edilson Silva e o comentarista Ronaldo Castro foram convocados na tentativa de melhorias nos índices de audiência. Desligaram-se ao fim de um mês. A dupla e alguns que migraram para a Tamoio estavam na Bandeirantes, que acabara com futebol em abril de 2008. Antes da carruagem virar abóbora, a rádio abriu espaço para o Garcia Júnior. O folclórico narrador estreava no sábado, 30 de julho, com o jogo Botafogo 1 x 0 Cruzeiro, em Sete Lagoas.
Não é fácil a vida de profissionais de rádio nas chamadas emissoras alternativas. Verbas magras de patrocínios, salários baixos – um lugar-comum. Os atuantes de uma Tropical, RDC e outras, que o digam. Uma rara (e honrosa exceção) tem sido a Rádio Brasil AM, bem-sucedida no segmento, uma referência para a classe. A emissora ocupante dos 940 Khz da extinta Rádio Jornal do Brasil, mantém equipe esportiva há mais de dez anos.

/O/ Maurício Menezes, doublé de jornalista e humorista, completava na dia 5 deste mês, cinco anos no “Show da manhã”, da Tupi. Ganhava comemoração do Clóvis Monteiro, uma semana de interatividade com o público.

/O/ O repórter Tiago Matias, que estava há quase dez anos na Tupi, é o mais novo componente do jornalismo da Globo. Fizeram a mesma troca recentemente, as repórteres Juliana Duarte, Vanessa Mazari e Viviane da Costa.

/O/ Esquecido pela mídia, o cantor e compositor Sílvio César, aniversariou nesta sexta-feira. Autor, entre outras, de “Velho moço” que Roberto Carlos gravou, foi lembrado por Luiz Vieira no “Gente que brilha”, na Sucesso.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O funk e algumas questões

De bumbum de neném e, de cabeça de juiz, só se pode esperar surpresas – diz um ditado popular. De cabeça de diretores de rádio, também, caso da Nacional do Rio. Eles decidiram em consenso, enfrentar o desafio ao abrir espaço para o funk na grade da emissora, revelava o coordenador de programação, Marcos Gomes. “Sabemos que vamos levar muita pancada. Mas, estamos preparados” – admitia ao recepcionar MC Leonardo no auditório dia 25 deste mês, na estreia da novidade.
Enquanto apreciadores do movimento se rejubilam, antigos ouvintes, veteranos profissionais e funcionários da casa protestam contra a inusitada iniciativa. Com a entrada do MC e equipe, de segunda a sexta às 3h da tarde, o “Painel...” da Gláucia Araújo avançou em uma hora, começando às 4h. O “Musishow” (comemorou 30 anos em outubro passado) fica temporariamente cancelado, cabendo ao Cirilo Reis a leitura de noticiários locais, gravações de chamadas e vinhetas.

/O/ A Nacional, que cobre futebol não transmitiu o jogo entre o Santos e Flamengo, uma atração em qualquer circunstância. Será que seus diretores são contra o “sistema tubão”? O Garotinho José Carlos Araújo foi à Vila famosa, pois o clássico assim o exigia. Pontos para ele. Nenhum exercício de imaginação para se saber como os outros fizeram a cobertura. Fla 5, Santos 4 foi uma partida pra ninguém botar defeito. E, mais um cochilo dos executivos da tradicional emissora.

/O/ Três meses depois de renovada a programação da Globo, ainda está em cartaz o “Giro de notícias”, no espaço destinado ao Alexandre Ferreira. Abrangendo o horário, tem o boletim “Girando com a notícia”, aos 30 minutos. Uma incoerência. Onde andam as cabeças pensantes da rádio que “é a marca de prestígio”?

/O/ A propósito da principal emissora do SGR. Que fim teria levado Andrea Maciel, a trepidante “Maria Chuteira”, que nos intervalos das transmissões esportivas “zoava” torcedores e jogadores de futebol? Adoeceu, pediu demissão, foi demitida, ou tomou Doril? Quem souber, nos avise... florylemond@bol.com.br

/O/ O repórter e comentarista Antônio Jorge, que recentemente deixou a Tamoio, é novo componente do esporte na Manchete. Até quando? De 2006 para cá, ocorreram muitas mudanças na equipe, sendo únicos remanescentes o narrador João Guilherme, os repórteres Cassiano Carvalho e Márcio Nogueira.

A escolha é sua
-/- “Programa Luiz Ribeiro”. Tupi AM/FM*
-/- “Papo de botequim”, com Loureiro Neto. Globo AM/FM*
* De segunda a sexta, às 20h, nas noites sem futebol