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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vivendo com a mesmice


Um ditado popular (era contemporânea) assegura: “a vida muda de minuto a minuto”. Até onde ele encerra alguma verdade, não sabemos. E, acreditamos que outras pessoas pensem do mesmo modo, principalmente as que não aceitam tudo à primeira vista, ou seja, à primeira audição. (Há controvérsias, quando se trata de seres inconformados, incrédulos. Esses, naturalmente, dependem de um acurado processo de análises, reflexões. Ponto por ponto, tintim por tintim...)
A vida muda de minuto a minuto em alguns setores” -- dirão outros. É um repeteco interminável, coincidências, semelhanças, retrato do cotidiano envolvendo conhecidos ou anônimos. No rádio, por exemplo, isso fica patenteado ao girarmos o dial pelas emissoras populares. Na Tupi, onde a programação está “bombando”, de acordo com os últimos boletins do Ibope, um dos sucessos é o “Show do Heleno Rottai” e, uma de suas atrações, o “Palavra amiga”.
Na Globo em igual período, é revelado que “A verdade será sempre a verdade”, com o Tino Júnior, no “Vale tudo”. Pelas manhãs o David Rangel, com o “David dá show”, descreve “Sua vida em Manchete”. (Luiz de França, há cinco anos na mesma emissora em que atua o David, parou com “Histórias da vida”, um quadro parecido). A fórmula é uma só. Apenas os da Tupi e Globo contam com a participação dos ouvintes, opinando sobre os temas em pauta.
O rádio se modificou a partir dos anos 70, privilegiando o jornalismo e a prestação de serviços, particularidades do AM. Evoluiu técnica e humanamente, reunindo profissionais melhor preparados, com empresas bem estruturadas dispondo de equipamentos de última geração. No campo das ideias, porém, ainda se observa algum atraso. O receio de perder a audiência de um público cativo, obriga-o a manter um “show de mesmice”, como os quadros referidos.

/o/ Pouco antes de trocar o dial por um canal da Sky (a freqüência passou para a CBN) a Globo FM modificara sua grade. Vinhetas novas foram produzidas e, a seleção musical buscava atingir outra camada de ouvintes. O slogan então utilizado dizia: “A diferença está na música”.
Se o responsável pela ideia não migrou para a Roquete FM (94,1), é uma baita coincidência, mesmo depois de alguns anos passados. Dando curso à filosofia implantada pelo Arthur da Távola, a estatal atravessa uma de suas melhores fases. Mas, desafina com essa “diferença”.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Esse nosso amor antigo


7)Enquanto algumas empresas de comunicação rejeitam profissionais idosos, a Manchete abriu as portas para o Luiz Vieira, de 84 anos. O poeta-cantador, radialista com um longo histórico estava perto de uma década na Carioca (710 AM), chamada Sucesso a partir de 2009. Paralelamente às atividades como cantor de rádio, LV foi apresentador de televisão no Rio, Belo Horizonte e Salvador. Nos anos 60 lançou pela Nacional o “Minha terra, nossa gente”, transferindo-o mais tarde para a Rio de Janeiro. Nele, tem valorizado artistas esquecidos pela mídia, além de cultuar os que deixaram esse plano, virando saudade. “Eu show Luiz Vieira” – assim rebatizado -- estreou na Manchete dia 4 deste mês. No ar, de segunda a sexta de 6h às 8h da manhã.

8)Vagner Menezes (apresentador) e Jorge Nunes (comentarista) do “Giro esportivo” na Tupi, saíram do roteiro na quinta-feira 31 de maio e, mostraram um lado que o ouvinte não conhecia – sua verve de cantores, bem afinados, por sinal. Foi a propósito de um show do Trio Esperança e os Golden Boys numa casa da Lapa, que eles anunciaram. A dupla “mandou ver”, com muita descontração, o “Festa do bolinha”, um inesquecível sucesso daquela família de artistas.

9)Num tempo que já vai longe, profissionais de futebol em fim de carreira passaram a trocar as quatro linhas pelos microfones de rádio, ou televisão. O técnico Duque Ferreira foi um dos pioneiros. Ele integrou a equipe do José Cunha na Tamoio, e ganhou o slogan de “o comentarista técnico”. Valdir Espinosa, também técnico, mas de outra época, incorporou-se à reformulada equipe da Globo. “Comentarista realmente técnico”, a sua denominação. (Mera coincidência).

10)Carlos Borges, da Nacional, já foi o “locutor de voz cristalina”, mudando anos depois, para “o de todos os esportes”. Bruno Voloch, (coordenador da Bradesco FM, em preparativos), está sendo chamado de... “comentarista de todos os esportes”, na Bandenews. Quando se é do ramo, pouco provável que não se ouça as concorrentes. Ainda mais quem trabalha na elaboração de um novo projeto.

11)Nos anos em que a Globo detinha a liderança absoluta de audiência, Haroldo de Andrade era o principal campeão. Seu marketing na emissora: “o número 1 do rádio brasileiro”. Na Tupi, atualmente com o melhor Ibope no Rio, Jota Santiago, há pouco tempo titular nos esportes foi apelidado de “o número 1”. Indiscutível o valor dele. Nada inspirada, porém, a definição do seu marqueteiro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A magia da carruagem

Na reestruturação da equipe de esportes da Globo, Eraldo Leite ganhou o cargo de comentarista. Pelo trabalho que desenvolve seguramente há vinte anos é, sem exagero, o mais importante repórter esportivo de rádio no Rio. O seu crescimento profissional ocorreu paralelamente ao ostracismo do Denis Menezes, por algum período, imbatível na atividade. (O declínio do Denis começou a se materializar depois de uma Copa do Mundo, quando a Globo o dispensara).
Eraldo, que participou dos principais torneios de futebol no país, ou fora dele poderia, se quisesse, investir na carreira de narrador. A vocação de repórter, falou mais alto. Soa estranho, porém, chamá-lo de “comentarista internacional”, em tão pouco tempo de sua ascensão. Fica bem semelhante ao caso da carruagem na frente dos bois, da época de nossos avós. Ou, como a história da Porcina, personagem de Regina Duarte em “Roque Santeiro” – viúva sem ter sido.

/o/ Não nos parece uma boa medida o ritmo imposto às transmissões esportivas da Tupi após a saída do Luiz Penido, até então seu principal locutor. Jota Santiago, novo titular, e Odilon Júnior, o imediato estão, com isso, descaracterizando seus estilos. Mal comparando, eles passaram a utilizar numa Honda Civic, velocidade compatível a de uma Ferrari. Se não mudarem o procedimento, acabam perdendo o controle, com o motor pifando. (Já se percebe o ronco no ar.)

/o/ E, o futebol na Tamoio, hein? Repetiu-se o que acontecera com a Bandeirantes em 2007. Inusitada coincidência. Desempregados, profissionais experientes que estiveram naquela, embarcaram no projeto do Grupo Verdes Mares para o núcleo-Rio. Ronaldo Castro, Antônio Jorge, Wellington Campos e André Ribeiro, entre eles. Tal qual um calhambeque de remendos camuflados, a Tamoio “afogou” de vez. O Gomes Faria fracassou. Os evangélicos venceram.

/o/ Faz tempo que, trânsito difícil nas grandes cidades era coisa das horas de pico, manhãs e tardes. Hoje, em qualquer horário, o transtorno dos engarrafamentos, noticia obrigatória nas rádios, prestação de serviços. Plantonistas da CET-Rio e PRF-Ponte não se cansam de dizer: “O trânsito está complicado na rua X; complicado no vão central”. A Juliana Gonçalves (Bandnews) e Anderson Ramos (vários prefixos), os recordistas no uso de tal palavrinha. Sinônimo, pra quê?

OUVIR FAZ BEM -- “A luz da psicologia”, com Luiz Ainbinder, às 9.45 na Tupi AM/FM. -- “Fim de expediente”, na CBN, às 18h, com o ator Dan Stulbach, entre outros. -- “Kinoscope”, MEC FM, às quintas-feiras, 22h, com Fabiano Casanova.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Esse nosso amor antigo

1) Os bons, ótimos ou excelentes profissionais do rádio são, no meio, chamados de “feras”. Na “selva” em que se transformou o veículo nos últimos anos, um deles é, sem dúvida, o Zair Cançado, venerando defensor das bandinhas de música, uma tradição nas cidades interioranas. Aos domingos, ali pelo meio-dia, Zair apresenta “Vamos ouvir a banda”, na insípida Bandeirantes (1340 AM). Um programa dedicado às pessoas da velha guarda, que as modernas também podem apreciar. Notadamente as que preservam os valores culturais de sua terra.

2) Rosana Jatobá, que fazia a previsão do tempo no “Jornal Nacional”, agora está no rádio. Estreou na Globo dia 14 deste mês. No “Tempo bom, mundo melhor”, a 1h da tarde de segunda a sexta, ela aborda dois temas inesgotáveis -- meio ambiente e comportamento. Primeiríssima qualidade, em pouco menos que cinco minutos.

3) De provocar risos do mais sisudo ouvinte, a postura do Carlos Bianchini, homônimo do locutor famoso, que transmite futebol pela Fluminense (540 AM), rádio de Niterói. No Vasco e Grêmio, domingo último, ele afirmava a plenos pulmões: “Fluminense!!! Líder de audiência em todo o pais!!!” (Fala sério – diria um saudoso humorista.)

4) No “Comando geral do carnaval” da Globo este ano, nas rodadas de debates, a participação do Paulo Nobre, veterano radialista. Espécie de móveis e utensílios da velha Metropolitana, Nobre foi por certo tempo figura onipresente. A todo momento que se ligava na emissora, lá estava ele. Hoje, Ênio Paz desempenha esse papel na Manchete. Antes, graças aos cartuchos, agora (provavelmente) aos MDs. “Peraí”. O Ênio é noticiarista. Seria um insone a serviço da informação?

5) E, falando da rádio “dos apaixonados por futebol”. Foi lá, em 2010, que o Valdir Espinosa fez sua experiência como comentarista. Ficou pouquíssimo tempo, requisitado coincidentemente no Brasileirão. Na Globo, onde acaba de ingressar, espera-se que tenha melhor sorte. Com os eflúvios espirituais do Luiz Mendes, cuja vaga preencheu.

6) Lendário personagem da Mangueira, o compositor Nelson Sargento participa, às quartas, 3h da tarde, do “Eles têm histórias pra contar”, na Roquette Pinto. Às sextas, é a vez do jornalista e biógrafo Sérgio Cabral. O primeiro se apoia no locutor Agenor de Oliveira, consciente de estar fora do seu ramo. Auto-declarado sem cacoete de radialista, o outro dá o recado a seu modo. As edições valem pelo conteúdo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

De Garotinho a Garotão

Depois de 42 anos de atuação na Rádio Globo, intercalada por uma passagem pela Nacional entre 1977/84, José Carlos Araújo, o Garotinho, despediu-se da emissora, onde era titular desde então. Transferiu o cargo ao Luiz Penido, também originário da empresa, durante o intervalo de Fluminense e Botafogo. A troca de comando ocorreu em clima de muita emoção e cordialidade. Juntar os principais locutores esportivos dos últimos anos numa decisão de campeonato, foi um fato inédito na história do rádio -- da Globo em particular.

/o/ Inaugurada no longínquo 1944, a rádio que abrigou nomes do nível de um Gagliano Neto, Luiz Mendes e Doalcei Camargo se transformaria em sinônimo de sucesso, principalmente a partir da chegada do Waldir Amaral, nos anos 60. Sua hegemonia, que teve a duração de quatro décadas, hoje é meramente uma sombra. A queda de audiência no Rio tem sido vertiginosa e, começou a se desenhar com a implantação do projeto “Globo Brasil”, cujo objetivo era conquistar novas praças do mercado publicitário, transmitindo programas em rede.

/o/ A Globo busca, com a transição, restaurar a liderança sustentada num passado recente, quando reunia em seus quadros valores que migraram para outros prefixos. Cria da casa, onde aportou em 1979, Penido foi um dos que se mudaram para a concorrente Tupi. De quarto na equipe (precedido por Maurício Menezes, Sérgio Moraes e Garotinho), pulou para titular na outra em outubro de 1988. Caíra nas graças do Péricles Leal, insatisfeito com o Ibope do Doalcei. Seguiram com ele, o Eraldo Leite, Felipe Cardoso e Danilo Bahia, entre outros.

/o/ Dois anos depois, com a volta do antigo locutor (ganhara uma ação contra a rádio), Penido e seu grupo -- Eraldo, Sérgio Guimarães, Paulo Júnior e o Iata Anderson -- foram trabalhar na Rádio Nacional. Contrato encerrado, rápida passagem pela Tropical FM do Armando Campos, e ei-lo novamente na Tupi. Era 1997, e Penido formaria dupla com o veterano Doalcei. Escolhido em votação dos ouvintes, daí o slogan de “o mais querido”, virava líder isolado em 1999. A parceria com Washington Rodrigues, no mesmo ano, um trunfo valioso.

/o/ Considerado o ícone da classe, José Carlos Araújo tem, com o que agora o substituiu, alguma coisa em comum. Ao deixar a Globo em 1977, trocando-a pela Nacional, ocupava a terceira posição na hierarquia, apenas um degrau acima daquela em que o Garotão se encontrava antes da mudança. Foi a partir de seu ingresso na velha emissora, que o Garotinho – denominação dada pelo Denis Menezes – tornou-se modelo para outros narradores, sendo Penido o mais próximo. O público que lhe é fiel, certamente o acompanhará na FM dedicada aos esportes.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trivial com guarnições (6)

Depois de um período submersa, a Nacional tenta, mesmo sem contratar valores de notória projeção, reeditar os seus gloriosos tempos no futebol, também destinando espaço a outras modalidades do esporte. Nesses primeiros meses do ano, foram lançadas uma atração diária ("Arquibancada") e outra semanal, (“Tarde esportiva”). Com as novidades, a Nacional passa a competir mais diretamente com as principais emissoras que cobrem o gênero no Rio. No segundo caso, antecedendo ás transmissões, a Tupi tem o “Show da galera”, Globo “ A liga dos trepidantes”, e Manchete “Debates esportivos”.

/o/ O ‘Samba amigo’, que a Globo apresentou durante os ensaios das escolas para os desfiles do último carnaval, foi efetivado na grade da emissora. A reestreia ocorreu no sábado 14 de abril, á noite, com o Robson Aldir, brilhante repórter, mas ainda rateando na função de comunicador. Aldir está prestigiado pela casa, cuja direção o escalou, ano passado, para um programa nas madrugadas dos domingos.

/o/ Remanescente da época de ouro do rádio, Max Nunes, 90 anos completados em 17 de abril, ainda se mantém na ativa. Ele produz há muito tempo o programa do Jõ Soares. Max criou memoráveis humorísticos na Tupi e Nacional, entre os quais, “Marmelândia, o país das maravilhas”, na primeira, e o “Balança mais não cai” na outra.

/o/ Gilson Ricardo, que Waldir Amaral descobriu narrando futebol de salão – o apelidado futsal – comemorou 35 anos de Rádio Globo na segunda–feira 16 de abril. Ele atuava na Difusora de Petrópolis, onde também apresentava o “ Peça direto”, num programa musical. Seu primeiro trabalho, foi a cobertura de um Botafogo e Bonsucesso, em Teixeira de Castro, transmitido por Cláudio Moisés.

/o/ Um bom valor da novíssima geração do esporte, Thiago Veras entrevistou o técnico do Botafogo após a partida com o Boavista. Pouco inspirado, abria a matéria roproduzida no “Rolando a bola”, na Tupi, assim: “Inicialmente Oswaldo de Oliveira começa...” Antes e depois da “sonora” chamou de Odilon Júnior o apresentador Eugênio Leal.

/o/ No mesmo domingo, Paulo Coruja informava no “Quintal da Globo” sobre a morte de um menor que trocara tiros com policiais em Niterói. “ A vítima foi socorrida no Hospital Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos”, concluía. (Incrível, profissional de jornalismo numa rádio importante fechar texto corriqueiro dessa forma).

/o/Na sexta-feira (20), Luiz Vieira despedia-se da Sucesso (ex-Carioca), onde faria 10 anos em outubro. Luiz Vieira está se mudando para a Manchete, segundo anunciou. Seu programa “Minha terra, minha gente”, que passou pela Nacional e Rio de Janeiro, será no mesmo horário do endereço anterior, de 6h ás 8h da manhã. Estrearia dia 7 de maio, o que não ocorreu.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Chico Anysio, o multimídia

Ao vencer um concurso na Rádio Guanabara e classificar-se em segundo lugar em outro, Chico Anysio se tornaria na sua trajetória, o que nos tempos modernos se chama de multimídia. Logo no começo, radioator, locutor, redator e comentarista esportivo. A exemplo de outras emissoras, a Rádio Globo prestou-lhe homenagem póstuma, num especial às 8h da noite de sexta-feira. Produzido por Marcelo Bruzzi, Valéria Chagas e Regiane Souza, apresentado pelos dois primeiros historiou, com depoimentos e pesquisa, as facetas do artista.
Algumas coisas, o especial não revelou por conveniência. Sabe-se que a “Escolinha do professor Raimundo” era um quadro no “Esse norte é de morte”, na Mayrink Veiga, narrado por nada menos que Cid Moreira --, colega do comediante na TV Rio – produção de Roberto Silveira. Antes de criar seus personagens, Chico Anysio atuou em diversos programas. Entre eles, o “Vai da valsa”, do Haroldo Barbosa; “Regra de três”, do Antônio Maria; e “Miss Campeonato”, do Sérgio Porto, estrelado pela vedete Rose Rondelli , sua segunda mulher.
Muitos anos depois das experiências na função de comentarista esportivo, que exercera inclusive na televisão, Chico Anysio voltaria ao rádio. Foi em 1990 na Tupi com o Luiz Penido, antes do seu envolvimento com a ministra Zélia Cardoso de Mello. Da equipe também participava o Fernando Calazans. Ao lado daquele narrador, atuaria como principal comentarista na Rádio Nacional, em 1993/94. Chico já tinha feito, em anos remotos, uma temporada na emissora. Participava da “Lira do Xopotó”, do produtor e animador Paulo Roberto.
Na Mayrink, anunciado então como Francisco Anysio – o Chico ele adotaria ao migrar para a televisão --, trabalhavam Nanci Vanderley (primeira mulher dele), Matinhos, Zé Trindade, Estelita Bell, Altivo Diniz, Ema e Válter D’Avila, e Macedo Neto (que foi casado com a cantora e compositora Dolores Duran, intérprete do “Fia de Chico Brito”, terceira música de Anysio por ela gravada). Também eram contratados da rádio, os locutores Luiz Jatobá e Carlos Henrique --“duvidamos que alguém venda mais barato” --, dos comerciais Sendas na TV.
A freqüência dos 1220, que pertencera à Mayrink, é ocupada há alguns anos pela Globo, ouvida anteriormente em 1180. Nela, durante certo período, funcionaria a Eldorado e, hoje a Mundial, de uma igreja evangélica homônima, que negociou a concessão. A Guanabara, onde Chico Anysio iniciou carreira, como o fizeram outros profissionais – Fernanda Montenegro, Sílvio Santos e Maurício Scherman -- incorporada no final dos anos 80 à Bandeirantes de São Paulo, virou Band-Rio. Decadente, sobrevive de horários alugados.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Trivial com guarnições (5)

A nova programação da Globo que remanejara o horário de comunicadores em março passado, completou um ano dia 14 último. Dos cinco alterados, dois se destacaram no período, obtendo os mais favoráveis resultados. Roberto Canázio dinamizou o “Manhã...”, onde o “Debates populares” continuou sendo o quadro principal. Ana Paula Portuguesa cresceu no programa, formando com o Ney Freitas, uma interessante parceria.
O “Boa tarde...”, no comando de Alexandre Ferreira (o título fora utilizado por Francisco Barbosa em sua segunda passagem pela emissora), melhorou depois dos ajustes, embora mantenha a vinheta do “Tarde legal”, extinto em 2009. A ele, foram acrescentadas coisas do agrado da audiência, juntando-se às outras que o comunicador transportara do “Alô, bom dia”, programa que apresentava até os primeiros meses de 2011.

/o/ Coringa na Manchete (ou seria curinga?), Rodrigo Machado, da nova geração de valores ganhou recentemente um programa próprio. Apenas uma hora, começando às 9h, de segunda a sexta. E, mesmo assim, num espaço tão exíguo, intitularam o horário de “Manhã total”... O programinha repete fórmulas pra lá de gastas, uma verdadeira “colcha de retalhos”. (Coincidência A. Também na Tamoio, tem um com o mesmo nome.)

/o/ “Arquibancada” é um novo programa idealizado por produtores da Rádio Nacional, e entregue à comunicadora Gláucia Araújo nos finais de tarde, a partir deste mês, logo depois do “Painel”, com ela há algum tempo. Trata-se de uma mistura de noticiário esportivo e números musicais. (Coincidência B. Um programa da Manchete – dos que se dizem “apaixonados por futebol” – apresentado aos domingos, na hora do almoço, tem igual denominação).


/o/ Especialista em escolas de samba, Dalila Villanova trocou a MEC pela Nacional. Seu programa, aos sábados, também mudou de nome. “Dalila na quadra”, de meio-dia às 2h , entrou no lugar de “O negócio é o seguinte”, do Osvaldo Sargentelli Filho, defenestrado no limiar do ano.

/o/ A Jovem Pan, que antecedera a Band News Fluminense (94,9) voltou a operar no Rio. Agora, na freqüência dos 102,9 que estava com a Oi. Enquanto a negociação não era fechada com o grupo paulista, o prefixo, da revolucionária Cidade dos anos 70, adotava o nome de Verão.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os 50 anos do Apolinho

Detentor de uma das maiores audiências em programas de rádio no Rio, Washington Rodrigues, o Apolinho festejou na quinta-feira 1° deste mês, 50 anos de carreira. O dia foi pequeno para as homenagens que recebeu. De amigos e colegas, de ouvintes e admiradores e, naturalmente, dos familiares. Bem-sucedido em todas as rádios que trabalhou, está na Tupi desde janeiro de 1999, em sua segunda passagem pelo prefixo. Ele começou na antiga Guanabara, participando do programa “Beque parado”, como auxiliar do apresentador Dolar Tanus.
A denominação Apolinho, ganhou na década de 60 quando era repórter esportivo da Globo. Foi batizado pelo chefe, Waldir Amaral, de quem viria a ser uma espécie de seguidor no que tange a facilidade para criar frases de efeito, os bordões -- fora alguns personagens. Passou a comentar futebol na virada dos anos 80, na Rádio Nacional, sendo chamado de “o comentarista da palavra mágica”. Era peça fundamental na equipe do José Carlos Araújo, o Garotinho, que a partir de 1977 revolucionou, com seu estilo, as transmissões esportivas.
Na volta à Globo em dezembro de 1984 (com o Garotinho no lugar do Waldir), tornou-se “o comentarista mais ouvido do Brasil”. A parceria de muito sucesso na tradicional estação e na rádio dos Marinho, terminava seguramente 18 anos depois, com sua transferência para a Tupi, onde veio a formar dupla com o Luiz Penido. Coincidência ou não, após a mudança reverteram-se os índices do Ibope nas duas emissoras. Com seu carisma, bom humor e conhecimento, o Apolinho faz algum tempo, a diferença entre os seus colegas de profissão.
(Na emissora em que iniciou carreira, também deram os primeiros passos Alfredo Raimundo, diretor da Tupi, o Chico Anysio, a Fernanda Montenegro, Sílvio Santos, e o inesquecível João Saldanha, entre outros.)

/o/ Marcus Aurélio homenageou domingo último, no “Quintal da Globo”, a memória do Haroldo de Andrade, morto em 1° de março de 2009.

/o/ “Palco MPB”, do Fernando Mansur (MPB FM), passa a ser gravado no Tereza Raquel, reaberto. Apresentações às terças, 9h da noite.

/o/ A equipe de esporte da Globo tem novo componente – Bruno Cantarelli. Entrou na vaga do Rafael Araújo, que voltou para a Brasil AM.

/o/ Revelação na Manchete no ano passado (grupo dos “apaixonados por futebol”), Thiago Veras é o mais recente contratado da Tupi.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma resistência vencida

Mistura de personagens das escolas de samba e suas músicas com sucessos do carnaval de antigamente, o “Comando geral”, programação da Globo, já superou a idade da mulher balzaquiana*. Em sua recente edição, teve entre outros méritos, vencer a resistência de um de seus contratados. Nada mais nada menos que o comunicador Roberto Canázio, que participara desse tipo de festejos pela última vez em 2000, ainda na Manchete, onde permaneceu por duas décadas. Canázio passou pela Roquete e Tupi, ingressando na Globo em dezembro de 2006.
Criado por Mário Luiz, um dos grandes nomes em toda a história do rádio, o “Comando geral” sofreu em sua existência diversas modificações. No início, cada apresentador cumpria jornada de seis horas em estúdio, com a abertura dos trabalhos no entardecer das sextas-feiras. Numa de suas passagens pela emissora, Francisco Carioca se tornaria recordista em permanência no ar durante um desses especiais, ficando “preso”12 horas consecutivas. O bordão “Aqui, Francisco Carioca; aí, você que é mais importante”, ecoou também nas ondas de outros prefixos.
Na passarela da avenida Presidente Vargas, que antecedera à da Marquês de Sapucaí, a cobertura dos desfiles era longa e cansativa, com as 14 escolas se apresentando numa só etapa, estendendo-se de domingo ao amanhecer de segunda-feira. Os especiais da Globo e de outras emissoras, realizavam-se de forma ininterrupta, pois, a Federação do Rio não promovia partidas de futebol no período de Momo. Cancelada nas últimas décadas, a medida diminuiria o espaço reservado para o carnaval, em atendimento ao dos jogos do campeonato carioca.
* (Cantada no carnaval de 1950, a marchinha foi um “estouro” na carreira de Jorge Goulart, presença constante nos programas de auditório da Nacional. Os autores Antônio Nássara e Wilson Batista proclamavam a mulher preferida pelo escritor Honoré de Balzac, assim: “Não quero broto/Não, não quero não/Não sou garoto/Pra viver de ilusão/Sete dias na semana/Eu preciso ver/Minha balzaquiana”(Bis).“O francês sabe escolher/Por isso ele não quer/Qualquer mulher/Papai Balzac já dizia/Paris inteiro repetia/Balzac atirou na pinta/Mulher só depois dos trinta”.)
A cobertura da Globo no novo Sambódromo foi comandada por Alexandre Ferreira e Robson Aldir; a da Tupi, por Luiz Ribeiro e Eugênio Leal; da Manchete, David Rangel e Jorge Bacarin. Destacaram-se nas rádios respectivas, os comentaristas Jorge Luiz, Fábio Tabak e Sérgio Professor, os repórteres Leonardo Monteiro, Valéria Chagas e Elisângela Salarolli; Marcos Frederico, Fred Soares e Camila Esteves; e Juninho Ti-ti-ti. Na rede Nacional-MEC (comando Marcos Gomes e Xico Teixeira), a categoria de um Adelzon Alves, Rubem Confette, Dalila Vilanova e Dáurea Gramático.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O comando nos carnavais

No ar nesses dias de carnaval pelas ondas da Rádio Globo, o “Comando geral” foi uma idéia do Mário Luiz (1925/2009), que muito contribuiu com o crescimento e modernização da emissora. Na era dos chamados disc-jockeys, Mário Luiz apresentava, entre outras atrações, a “Pré-parada musical”. Chefiou o departamento de locutores, foi diretor de programação e, diretor-geral. Ele criou o “Comando” nos anos 60, para enfrentar a Continental, que predominava no período movimentando sua portentosa equipe de repórteres, onde brilhavam um Affonso Soares, Ary Vizeu, Hélio Lopes, Dalvan Lima, Perez Júnior, Paulo Carinje etc.
A Nacional também investia nas coberturas de carnaval. Pela qualidade dos profissionais reunidos, denominaram-na “a verdadeira escola do samba” que, superada uma fase de turbulência, conseguiria sobreviver. Ao longo dos anos, destacaram-se um Juvenal Portela, Hiram Araújo, Tárcio Santos e José Carlos Cataldi, além do Mário Silva e Rubem Confette, até hoje em atividades. A Tupi, que na última década se rivaliza com a Globo em tudo, passou a dar mais espaço aos festejos de Momo em 1997. Naquele ano, pôs em prática uma programação similar à de sua concorrente – o “Carnaval total” -- então coordenada pelo Antônio Lemos.
Hoje, no lugar daquele originário da Globo (formava um trio respeitával com Áureo Ameno e João Vita), a liderança está a cargo do Eugênio Leal, compositor de sambas-enredos e componente da equipe de esportes da emissora. Somando-se aos comunicadores e repórteres, a Tupi mantém um quadro cativo de colaboradores para essas ocasiões. Quando reapareceu no dial em 2007, depois de um processo pré-falimentar, a Manchete adotou o lema de “carnaval o ano inteiro”. Sua principal referência é o programa diário “Vai dar samba” do Miro Ribeiro, um estudioso. O trêfego Juninho Ti-ti-ti é a figura de proa na equipe.

/o/ E, o Jota Santiago, hein? Ganhou seguidores na "outra". Primeiro o Edson Mauro, depois o Fernando Bonan. Os dois adotaram o bordão popularizado por ele: “...aumente o volume do seu rádio!”
/o/ Francisco Ayello, que foi repórter e âncora da equipe esportiva da Globo, está de volta à empresa. É o novo comentarista da CBN, função que vinha exercendo na Rádio Brasil AM há cerca seis anos.
/o/ O gênero debate esportivo tem mais um concorrente no rádio. Trata-se de “Pop bola”, na MPB FM com Fábio Azevedo (ex-Tupi, ex-Globo). A apresentação é de segunda a sexta, às 8 horas da noite.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Do baú à modernidade

Hilton Abi-Rihan, dos melhores comunicadores do rádio contemporâneo formou-se na escola da antiga (e extinta) Continental, onde integrou os “Comandos” do Carlos Pallut. Teve passagem pela saudosa TV Tupi e, atualmente trabalha na Rádio Nacional. De uma outra geração, componente do primeiro time na atividade, Mário Esteves tornou-se conhecido através da 98 FM, indo posteriormente para a principal AM da empresa. Hoje, é um dos destaques da Manchete.
Eles têm coisas em comum no veículo. Atuam pela segunda vez nas respectivas emissoras, e apresentam atrações idênticas em seus programas. No “Alô Rio” do Abi, a partir de 8h da manhã de segunda a sexta há, entre outros, “A melhor de três”. No “Show do Mário...” que começa a uma tarde em igual período da semana, também o mesmo quadro. A fonte a que eles recorreram é um baú mais do que remexido, encravado no túnel do tempo, ano de 1900 e antigamente.
Esse “a melhor de três” foi uma novidade lançada por José Messias, ainda rapazola, quando estava na Rádio Guanabara. Ex-trapezista, ele iniciara carreira na Mayrink Veiga, apadrinhado por Herivelto Martins, cantor e compositor, líder do “Trio de Ouro”, com quem trabalhara no circo. Apesar do “dinossauro”, os programas são de boa feitura, com o Abi reproduzindo algumas coisas da fase áurea da rádio e, o Mário repassando em “Dois tempos”, sucessos pouco distantes.
(Ainda a respeito de Herivelto. Pouquíssimo comemorado dia 30 de janeiro o centenário de nascimento dele, autor de numerosas páginas do cancioneiro nacional, entre as quais, “Ave-Maria no morro”, “Praça onze”, “Laurindo”, “A Lapa”, “Cabelos brancos”, “Segredo” e “Caminhemos”. As homenagens restringiram-se aos filhos Peri Ribeiro e Yaçanã Martins (cantor e atriz) e ao Instituto Cultural Cravo Albin, segundo o publicado pelo jornalista João Máximo numa excelente matéria.)

/o/ Programas de debates – dedicado ao esporte, inclusive -- fazem parte da grade das emissoras populares. O primeiro do gênero abrangendo o futebol surgia no final dos anos 50. Denominava-se “A turma do bate-papo” e foi criado por Orlando Batista na modesta Rádio Mauá, onde permaneceria durante 30 anos. Orlando foi, também, um dos pioneiros do marketing esportivo.
Em 56 anos de carreira, atuaria em outros prefixos – Bandeirantes o último deles. Atuou na televisão e participou de 14 Copas do Mundo, nove no rádio. No “Grande Jornal” da Mauá, foi companheiro de Haroldo de Andrade, que comandava o “Musifone”, e de Osvaldo Sargentelli , do “Viva meu samba”. Morreu de infarto no Rio aos 83 anos, quinta-feira 26 do mês passado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A estratégia dos nomes

Batizar um programa utilizando o nome da rádio em que ele é veiculado faz parte da comunicação dos tempos atuais. Os modernistas defensores da ideia, naturalmente justificam tal norma amparados no que se classifica como estratégia de marketing, meio de facilitar a recepção do público-alvo. Para os cabeças pensantes, porém, esse procedimento desqualifica o processo de criação, uma vez que, em nada contribui com a sua melhoria.
Exemplifiquemos dois casos. A Globo, de enorme audiência, e a Nacional, muito longe disso -- com sintonia mais trôpega que cavalo pangaré nas corridas do Jockey. A grade da emissora dos Marinho reúne “Bom dia Globo”, “Manhã da...”, “Boa tarde...”, “Vale tudo na...”, “Quintal da...” e, desde o início do ano “Botequim da Globo”, que era “Papo de botequim”. Como só mudou o nome, troca de “seis por meia dúzia”, em linguagem popular.
“Bate-bola Nacional...”, “Funk...”, “Painel...”, “Garimpo...”, “Talento...” e “Alvorada...” formam a programação da histórica emissora da Praça Mauá. Sem ter o nome da rádio, figura como o mais estranho batismo, “O negócio é o seguinte”, aos sábados à tarde. Trata-se de um programa de samba, apresentado por Osvaldo Sargentelli Filho. Ele não se esforça nem um pouco para ser diferente do falecido pai. Perfeita incorporação do “velho”.
/o/ A propósito. Haroldo de Andrade, que excluiu o Júnior a partir da morte do pai, completou em agosto passado três anos na Tupi no comando de um programa que leva o seu nome, aos domingos de manhã. Aprendeu a fazer rádio com o renomado (e saudoso) profissional, de quem foi assistente. Manteve o “Debates populares”, quadro que ele criou, deixando seguidores. Não o imita. Tem estilo próprio, boa cultura, categoria.
/o/ O “Manhã da Globo” foi transmitido direto de Friburgo na quinta-feira 12, visando cobrar do poder público providências para os problemas das enchentes na Região Serrana e, promessas não cumpridas. Em abril passado, Roberto Canázio entrevistou o prefeito da cidade, logo afastado por malversação de verbas. Um dos moradores disse ao comunicador dessa vez, que corrupto deveria ser condenado “a seis meses (sic) de cadeira elétrica.”
/o/ Radialista que não dispõem de agência de publicidade vive se queixando dos baixos salários. Não é o caso do Marcos Marcondes, comentarista da Manchete. Os medalhões estão voltando depois do recesso no futebol e, o Marcondes também. No dia 10 deste mês ele revelou ao David Rangel que, nas férias, passou o Natal e o Ano Novo com a família na Disneylândia. (Com certeza, não foi a “rádio de verdade” que lhe proporcionou esse luxo...)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Na virada do calendário

É fato recorrente em toda mudança de calendário, retrospectivas e especiais preenchendo a programação das emissoras de rádios e Tvs. Dentre os especiais que acompanhamos nas rádios populares, destacamos três, pela qualidade de seu conteúdo. À noite, no dia 31, Cláudio Ferreira entrevistava na Manchete os integrantes do Razão Brasileira, grupo de pagode, um grande sucesso nos anos 90. Naquela ocasião, proliferavam conjuntos do gênero. A Tropical FM se especializara no tema, para atender à demanda.

No domingo de manhã na Tupi, Jimmy Raw conversava com o Luiz Penido. O locutor -- 40 anos de carreira -- fez um oportuno balanço do futebol no Brasil e exterior, baseado em suas observações no tão apreciado esporte. Jimmy, que revelou ser um leigo no assunto, desenvolveu a entrevista de tal forma, que até os ouvintes pouco afeitos à modalidade, certamente se mantiveram atentos. Penido, um dos mais bem articulados profissionais do ramo, deu uma verdadeira aula, para os que entendem ou não da matéria.

O terceiro destaque da lista, um outro especial na pretensamente batizada “rádio de verdade”. Um comunicador ainda em formação, Rafael de França acumula funções na emissora. Já fizemos nesse espaço algumas criticas a seu trabalho. Pois, o jovem e versátil radialista quebrou, no domingo à tarde, o gelo de nossa descrença. Rendeu bons momentos o seu diálogo com o músico e compositor Danilo Caymmi, membro de uma respeitável dinastia da canção nacional. Foi, sem qualquer exagero, um programa irrepreensível.

/o/ Cinco anos depois de ocupar a freqüência que pertencera à Cidade, revolucionária dos anos 70 no segmento, a Oi FM deixa de funcionar no dial. (A mudança ocorrera no dia 4 de março de 2006.) A rádio da operadora investe em nova mídia, transferindo-se para a web. No lugar fica a provisória Verão, a partir do primeiro dia do Ano Novo.

/o/ Componente do primeiro time do esporte da Globo, o trepidante Gilson Ricardo voltou, depois de dois anos, a comandar um programa de variedades. Assumiu, nas férias do Tino Júnior, a apresentação do “Vale tudo”. (E, o bravo Robson Aldir, em quem a emissora apostava suas fichas como uma nova opção de coringa -- o que foi feito dele?)

/o/ Incrível, fantástico!... Numa votação entre ouvintes do Clóvis Monteiro, na Tupi nesta terça-feira 3, o “Ai, se eu te pego”, de Sharon Acioly, com o Michel Teló, ganhou do “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Falando sério, alguém na equipe do programa afirmou que, o sucesso do cantor sertanejo “tem uma letra inteligente...”

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Trivial com guarnições (4)

O “Manhã da Globo” com o Roberto Canázio já fez o público esquecer do titular anterior, ultrapassada a marca de nove meses. Embora a temperatura em algumas ocasiões se eleve, dando à conversa um tom discursivo, o quadro de debates atende plenamente aos objetivos da emissora.
No contexto geral, o programa ficou mais solto, redondo, um encaixe perfeito de todas as peças. Sob a condução do Canázio e textos da produtora Heloisa Paladino, são destaques a Ana Paula Portuguesa e o Ney Freitas, assistente de produção, personificando o caricato “Senhor Sílvio”.
E, o ‘boa gente’ Loureiro Neto conseguiu sobrevivência de oito anos no horário, sem ter o jogo de cintura de um Francisco Barbosa ou Mário Esteves. No período, próximo do aniversário da casa, esses entraram e saíram duas vezes. Num daqueles fins de ano, também o João Ferreira “dançaria”.

/o/ Apresentador do “Show da manhã” na Tupi, Clóvis Monteiro é o mais novo “Cidadão Honorário do Rio”. O título lhe foi concedido pela Câmara dos Vereadores, na terça-feira 20, por serviços prestados à comunidade carioca. Enaltecido duplamente nesse dia, pois a Assembleia Legislativa também lhe prestou homenagens, por seus 25 anos de rádio, recentemente completados.

/o/ Na mesma data, Maurício Valadares, da Oi FM comemorava trezentas audições do “Ronca, ronca”, aproximando-se de seis anos no prefixo. O especial ‘ao vivo’, teve três horas de duração. Nos dias normais, às terças, vai ao ar entre 10h e meia-noite. Valadares, mais de 20 anos de carreira, brilhou na lendária Fluminense FM (“A maldita”) e, em outras do segmento.

/o/ A partir das 5h da tarde, às sextas-feiras, a Nacional relembra os bons tempos dos programas de auditório. São estrelas do horário os integrantes do grupo musical “Época de Ouro”, denominação dada às audições, reprisadas nas segundas, à noite. O show, muito bem conduzido por Cristiano Menezes, se constitui numa das melhores coisas do rádio contemporâneo.

/o/ Seria o Rafael de França um prodígio? Um dia, talvez, ele vai se libertar da influência do avô. Por enquanto, nenhuma tendência. O culto ao ídolo paterno, é forte. Até as vinhetas de seu programa na Manchete, em sequência ao do veterano radialista, são iguais. Além de comunicador, ele é sonoplasta e diretor de programação da rádio. (Não confundir as palavras ‘genes’ e ‘gênio’).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Derrapagens, e saudades

Maurício Menezes, hoje na Tupi, trabalhou na Globo pouco mais de 20 anos. Produziu diversos programas, entre os quais, o de Waldir Vieira, falecido tragicamente em novembro de 1985. Maurição – assim chamado nos bastidores, para diferenciá-lo do seu homônimo, o “Danadinho” do esporte --, ganharia programa próprio em 2000, aos sábados de manhã, quando a Globo resolveu dar folga ao Haroldo de Andrade e ampliar em uma hora o “Show do Antônio Carlos”.
O matinal não emplacou, mas ele foi compensado com outro, o “Agito geral” em 2001, feito em parceria com o Hélio Júnior, edições nas noites de sábados e domingos. Era um programa altamente criativo, onde os dois esbanjavam inteligência e humor e, difícil para o ouvinte, indicar qual dos quadros o melhor. Num deles, Mauríção reproduzia histórias pitorescas, “causos” que reunira ao longo de sua vida de jornalista relatando, inclusive, curiosidades publicadas na imprensa.
Em outro, colocava no ar suas próprias “gaffes” (dele e do Helinho) e a dos colegas. “Rádio-cassetadas, o nome da atração, era aceita apenas pelos detentores de espírito democrático. Os convencidos de que, “errare humanum est, conforme os mestres do latin ensinavam na escola de antigamente, a língua dos padres nas missas. Todo esse palavreado aí (no jornalismo de tempos longínquos cognominado “nariz de cera”), para chegarmos à Globo dos dias atuais, ano da graça de 2011.
Dia 7 deste mês, próximo do horário em que o saudoso Waldir Vieira ocupava a gloriosa estação do Russel. No ar... “Boa tarde Globo”, ainda com vinheta do “Tarde legal”. Determinada música descia em BG, Alexandre Ferreira concita seus ouvintes a participarem da seção “Desafio”. Diz ele: “Atenção – de quem é essa voz? É uma dupla...” (Que é isso, professor? O que não pensaram seus alunos da faculdade, sintonizados na rádio? Tanta rodagem, e derrapando na concordância!)
Pouco depois, no “...Girando com a notícia” de 2h e meia, Gustavo Henrique, o mais novo integrante do esporte manda ver: “O goleiro Jefferson, escolhido o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, deixou claro que não quer deixar o Botafogo”. (Oh, Gustavinho, sabemos do seu talento, pois acompanhamos sua carreira desde os tempos da “outra”. Nem os estagiários nos corredores da Nacional, mais verdes que folhas de palmeiras, produzem texto tão primário, tão bisonho.)
Que saudades do “Agito geral” com o Maurício Menezes e Hélio Júnior. A Globo tirou-o da grade em outubro de 2001, voltara a editá-lo em 2005 com David Rangel, que em 2009 sairia. O desligamento deste favoreceu o produtor Daniel Pennafirme, que não esquentou a cadeira, cedendo lugar ao Luiz Torquato em 2010. Com o atual titular, que não compromete, o “Agito” é bem inferior ao da ‘fase David’ e, mais ainda, ao que o Mauríção e Helinho apresentavam.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

De "Musishow" e outras

Quatro meses foram suficientes para os executivos da Nacional voltarem atrás em relação ao “Musishow” do Cirilo Reis, semanal durante a maior parte do seu tempo. O cartaz tinha ficado fora do ar enquanto o processo de revitalização se concretizava, tornando-se diário em 2004. Tirar da grade um programa com 30 anos de existência, não é normal em rádio nenhuma.
Com a adoção da medida em julho, a finalidade era abrir espaço para um grupo de funk, que nada tem a ver com as tradições da velha estação. Os executivos surpreendiam os sintonizadores cativos da emissora, de perfil plenamente conservador. De volta agora em novembro, o programa passou a ser apresentado no horário e dia da fase inicial – aos sábados, à noite.

/o/ A velocidade do rádio com o seu imediatismo pressupõe que, as notícias são levadas ao público pouco depois que elas acontecem – ou na hora, em casos específicos. O tema faz parte das reuniões de pauta nas redações desse mundo globalizado, das conversas entre profissionais e interessados no assunto. E, não é de hoje que se debate regras básicas sobre jornalismo e comunicação.
Em algumas emissoras, no entanto, ignora-se tais preceitos, numa época de informática, tecnologia avançada, recursos da internet, redes sociais e aplicativos. Um exemplo disso tem ocorrido em “No mundo da bola”, esportivo da Nacional divulgando com atraso de 24 horas resultado de jogos transmitidos pela própria emissora. (Sem adição de fatos novos, “seu” Waldir Luiz, é dose elefantina...)

/o/ Quando se ouve um locutor dizer “rádio de verdade”, fica-se literalmente com a pulga atrás da orelha. Então, nos vem à ideia uma batida expressão: a pergunta que não quer calar. E, as outras, são de mentira? Numa emissora que assim se autodenomina, não tem como justificar a inconstância verificada na composição de sua equipe de “apaixonados por futebol”.
Mês passado, a Manchete contratou o Batista Júnior, que há pouco estava na Tamoio. Narrador apenas regular, chegou para cobrir o desligamento do João Guilherme, um dos fundadores do grupo em 2006, diminuído em seu número de remanescentes. Isso, sem contar as mudanças em outros setores, um interminável “entra-e-sai” no período de cinco anos.

/o/ Gustavo Henrique é o mais novo componente da equipe esportiva da Globo. Estreou no começo deste mês na partida do Botafogo e Figueirense, participando mais cedo de “A liga dos trepidantes”. Também compositor, trabalhava na Tupi até o final de 2010, deixando a emissora ao vencer um concurso de sambas-enredo em São Paulo. No pré-carnavalesco do ano, integrou na Manchete, série especial comandada pelo David Rangel.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Trivial com guarnições (3)

Todo país republicano tem um ministro de defesa. No Brasil – corrupção desenfreada à parte -- não poderia ser diferente. Agora, temos também um ministro de defesa no futebol. A curiosa invenção é do Edson Mauro, da Globo, que promoveu o zagueiro Dedé ao cargo -- ministro de defesa do...Vasco.
Conceituado profissional do entretenimento nesse mercado da mídia eletrônica, o Edson, naturalmente, inspirou-se no bordão que apregoa sempre nas competições: “A defesa bloqueooou! A defesa bloqueooou!”
Um jeito de ampliá-lo, por que não? Homem criativo (seu repertório é variado), não precisava, porém, invadir a seara alheia. “O bom de bola” anda, ultimamente, concitando a audiência a “aumentar o volume”.
Ora, caro alagoano. Há muito tempo o Jota Santiago, concorrente nas mesmas partidas, proclama lá na outra: “Torcedor, aumente o volume do seu rádio!” Segundo na hierarquia da Tupi, ao Jota sobra “o que resta dessa festa”, pois, a estrela é o chefe. Seu colega de posição semelhante, dispõe de mais oportunidades.

/o/ “Esporte é vida. Não violência” – dispara o Marcelo Figueiredo na Brasil, acrescentando que a cobertura da emissora é “a jornada esportiva mais elevada do rádio”. (Em matéria de som, por exemplo, não há a menor dúvida. Os 940 Khz da extinta JB ainda mantém boa qualidade).
Âncora da casa, Marcelo é páreo duro ao antigo locutor Ernane Pires Ferreira, que transmitia corridas do Hipódromo da Gávea. Espantosa a velocidade dele. Na quarta-feira 16, terminado o primeiro tempo de Fluminense e Grêmio, Marcelo falava de ‘um intervalo dinâmico’, sob o seu comando.
E, nós aqui, do outro lado, certos de que o tal intervalo era o da Manchete. Pelo menos, tem sido assim que o Sérgio “My brother” Guimarães o anuncia, a cada vez que o narrador escalado lhe passa o bastão, ou melhor, microfone.

/o/ Já se foram bem mais de vinte anos da morte do Velho Guerreiro Chacrinha. Vivíssima, porém, nos dias presentes a máxima que ele sacramentou: “nada se cria; tudo se copia”. No rádio, principalmente.

/o/ Durante pouco tempo Hugo Lago atuou como plantonista da Tupi. Em 2008, mudou-se para a Brasil, onde foi lançado na função de narrador. Figura na lista dos influenciados pelo Luiz Penido, seu ex-chefe. Apostamos mais nele, do que no Fernando Bonan, cópia do Garotinho em carbono desgastado.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De mudanças e...futebol

O comentarista esportivo e comunicador da Tupi, Washington Rodrigues costuma dizer: “A vida muda de minuto a minuto.” Essa frase do Apolinho nos veio à mente, depois de resgatarmos anotações sobre as equipes das emissoras que cobriram, dia 19 de janeiro de 2008, a 1ª rodada do Campeonato Carioca. Em três anos, quantas mudanças, tratando-se de figuras que lidam com o futebol?
No Maracanã, às 4 da tarde, o Fluminense vencera o Cardoso Moreira de 2 a 0. Faziam parte dos escalados na ocasião: Tupi – André Ribeiro (1), Manchete -- Daniel Pereira (2), Ronaldo Castro (3) e Rogério Ribeiro (4). Entre os componentes da Brasil, o Antônio Jorge (5), integrando o time da Bandeirantes, Jorge Ramos (6), Marcos Almeida (7), Bruno Giácomo (8) e Sérgio Guimarães (9).
(1) Hoje na (instável) Tamoio, André passou pela Manchete, onde esteve por pouco tempo, transferindo-se para a Bandeirantes;
(2) Daniel fundou com o João Guilherme a equipe da Manchete. Desligou-se do grupo em 2009, optando pela televisão;
(3) Depois de seis anos na Globo, Ronaldo foi outro recrutado pela Manchete, ali ficando apenas seis meses. A Bandeirantes, seu endereço posterior, desmontava a equipe no meio do campeonato, em setembro;
(4) Rogério tinha rodado por outras emissoras, antes de ingressar na Mundial – “a rádio que você vê”. Em seguida, teve uma passagem pela Carioca, já denominada Sucesso;
(5) Jorjão seguiu igual destino do Ronaldo e, posteriormente foi para a Tamoio. Está na equipe “dos apaixonados por futebol” -- até quando, não se sabe;
(6) Originário do grupo do Luiz Carlos Silva na Roquette (onde o futebol acabou), Ramos é, nos dias atuais, terceiro comentarista da Nacional, mas conservou o emprego de locutor na emissora do Estado;
(7) Marcos optou pelo sobrenome Martins em sua transferência para a Tupi. Passou pela Brasil e, ainda, pela natimorta Rádio Haroldo de Andrade;
(8) Também novato na Tupi, Bruno mudou a identidade, assinando Vieira. Esteve na Livre/ 1440, das mais inexpressivas emissoras do Rio;
(9) O ‘My Brother’ atuou em vários prefixos, inclusive de outras cidades. Está na Manchete há menos de um ano.
N. do R. Eugênio Leal estreava como comentarista da Tupi, em jogo narrado por Jota Santiago. Ex-Globo e ex-Bandeirantes, Ruy Fernando começava ancorar na Manchete, “A bola não para”, um intervalo diferente, segundo ele, hoje narrador da Nacional.

domingo, 30 de outubro de 2011

Últimas do Luiz Mendes

O Fluminense vencera o Atlético Goianiense por 3 a 2, depois de estar perdendo de 2 a 0, no Estádio da Cidadania em Volta Redonda, dia 3 de setembro. Esse jogo, narrado pelo Fernando Bonan, foi a última participação de Luiz Mendes nas jornadas esportivas da Globo. O repórter Rafael Marques, ancorando o intervalo, ao se referir a determinados lances, provocava o “da palavra fácil”, que declarava estar certo da presença do Sobrenatural de Almeida, personagem do cronista Nelson Rodrigues, histórico torcedor do time das Laranjeiras.
Poucos dias antes de ser internado no Hospital São Lucas, ele concedera uma entrevista ao Hilton Abi-Rihan, do programa “Alô Rio”, na Rádio Nacional. Era a propósito dos 75 anos de fundação da emissora. Mendes, que durante um bom par de tempo trabalhara no prefixo, destacou a importância da velha estação, classificando-a “como a universidade da radiofonia no país”. E, nesse período, esteve presente no Salão Nobre do Botafogo, para autografar o “Minha gente”, livro de Ana Luiza Pires, que traça um panorama de sua carreira.
Um dos fundadores da Rádio Globo, Luiz Mendes morreu na manhã desta quinta-feira 27, após complicações decorrentes de leucemia. Nos 71 anos de atuação no rádio, participou dos principais eventos esportivos e 16 copas do mundo, 13 delas nos locais. Foi narrador da Globo no Mundial de 50 no Maracanã, quando o Brasil perdeu de 2 a 1 para a seleção do Uruguai. Incrédulo no que via, descrevera o gol de Gighia com nove entonações diferentes. A Globo homenageou-o durante todo o dia, e a Nacional numa parte da programação.
Luiz Mendes começou oficialmente na Farroupilha, de Porto Alegre. Ali ficou o pouco mais de três anos. Além da Globo e Nacional, trabalhou na Continental e Tupi. Durante um tempo que estivera afastado do rádio, atuou na TV Rio, comandando aos domingos, a “Grande resenha Facit”, tendo como companheiros, entre outros, Armando Nogueira, José Maria Scassa, Nelson Rodrigues e João Saldanha. No mesmo canal, foi apresentador de um programa de boxe, o “TV Rio Ring”, integrando posteriormente, uma mesa de debates da TV Educativa. Deixou viúva a atriz e radialista Daysi Lúcidi, com quem era casado há 63 anos.

De tudo que se ouviu nas rádios sobre a morte de Luiz Mendes (uma unanimidade em todas as classes), bastante inspirada a crônica de Luizinho Campos, no encerramento do “Programa Francisco Barbosa”, poucas horas depois de o corpo baixar sepultura no São João Batista. Sensibilizou quem sintonizava. Hoje diretor de programação da Tupi, um dos craques na comunicação do rádio moderno, Luizinho – que assinava Luiz Campos Lima – produziu muita coisa boa na Globo, onde trabalhou nas décadas de 80/90.