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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Esse nosso amor antigo

27) Em dezembro de 1944 ocorria, no Rio, a inauguração da Rádio Globo. Seus primeiros contratados: Rubens Amaral, Luiz Mendes, Luiz de Carvalho e Daysi Lúcidi. No prefixo até então pertencente à Transmissora, que encerrara um ciclo, foi onde a Globo passou a operar.

28) E, só conquistaria o grande público quase dez anos após o seu surgimento. Quando isso aconteceu, predominou por, seguramente quatro décadas. Nela atuaram, entre outros, os irmãos Luiz e Raul Brunini, que contribuíram bastante para o crescimento da emissora.

29) O responsável por seu longevo sucesso, ninguém menos que Mário Luiz (Barbato). Apresentador do “Pré-parada musical”, na matriz e, do “Tarde musical esportiva Antarctica”, dominical na Eldorado, ele implantaria na Tupi, nos anos 90, programação semelhante.

30) Dentre os muitos que passaram pela emissora em fases distintas, um Gagliano Neto, Doalcei Camargo, Benjamim Wright e Affonso Soares, nos esportes; Paulo Moreno, Jonas Garret e Roberto Muniz, variedades – habitantes do planeta dos esplendores.

31) De um tempo menos distante, bom relembrar a esplendorosa carreira do Adelzon Alves, unanimidade no horário da madrugada com um programa dedicado ao samba, seus intérpretes e compositores, hoje na MEC e Nacional AM. Paulo Giovanni, publicitário há alguns anos radicado em São Paulo, foi outro nome que se projetou na Globo, depois de uma passagem pela Tupi, tendo iniciado carreira em Petrópolis.

32) Terceira emissora a ser fundada no país, a Rádio Clube do Brasil foi um celeiro de artistas. Valores que nela despontaram, migrariam mais tarde para uma Tupi, Mayrink ou Nacional, que formavam na linha de frente da radiofonia do Rio de Janeiro, capital cultural.

33) Nos corredores do Edifício Trianon, na Avenida Rio Branco, endereço da rádio, era comum, por exemplo, se cruzar com o Almirante, (“Incrível, fantástico, extraordinário”), Renato Murce (“Papel carbono”), Lauro Borges e Castro Barbosa (“PRK-30”), Arnaldo Amaral (“Pescando estrelas”), Aérton Perlingeiro (“Um show para milhões”).

34) A Clube do Brasil se transformaria na Mundial nos anos 60. Acabavam os programas de auditório. No lugar, surgiam os disc-jockeys (animadores de estúdios, apresentando discos, em vez de cantores ao vivo).

35) Surgiam na ocasião o Big Boy (“Hello crazy people”), Elói de Carlo, Oduvaldo Silva, Robson Alencar, Alberto Brizola, e outros mais. Nas chamadas, Carlos Bianchini acionava o sistema de equalização, com renovado estilo de vinhetas. “Muuundi-jovem!...” Uma febre entre os adolescentes -- teen-agers segundo os DJs.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hebe, estrela não apaga

A morte de Hebe Camargo (83 anos), na madrugada do último sábado, foi tema de especiais na Rádio Globo – no “Boa tarde...”, do Alexandre Ferreira, e no “Agito geral”, com Maurício Bastos. Estrela maior da televisão, de que foi uma das pioneiras, Hebe começou como cantora na Rádio Tupi de São Paulo, depois de se apresentar em programas de calouros, formando dupla com a irmã Florisbela. Quando gravou o primeiro disco, aos 15 anos, passou a ser “A moreninha do samba”.
Hebe participou também da inauguração da Rádio Nacional, que pertencia à Organização Vitor Costa, mais tarde incorporada ao Sistema Globo. Ali, conheceu Sílvio Santos e Carlos Alberto Nóbrega, que viriam a ser seu patrão e colega no SBT, emissora onde atuou por nada menos que vinte e cinco anos. O auge da carreira, no entanto, aconteceu na sua temporada na TV Record, com um programa aos domingos. Entre outros astros da emissora, na ocasião, o Blota Júnior e Sônia Ribeiro.
O sofá instalado no auditório em que recebia os convidados era extensão das salas dos telespectadores. A fama conquistada na TV não a afastou do rádio, sua origem. De 1960 a 1979, trabalhou na Jovem Pan e na Rádio Mulher e, num curto período em 1990, na Rádio Nativa, fazendo de casa, um programa diário. Depois da TV Tupi, mudou-se para a Paulista (que se tornaria, posteriormente, a Globo de lá), uma das poucas em que não esteve, mesmo caso das extintas Rio e Excelsior.
Tal como Abelardo Barbosa, o Chacrinha, outro originário do rádio, Hebe Camargo foi uma estrela que não se apagará da memória de gerações no país. A doença contra a qual lutava desde 2010, não tirou seu espírito alegre e otimista, com que preenchia o imaginário do público. Chacrinha e Hebe eram únicos. Foram autênticos fenômenos na área do entretenimento. Dificilmente surgirá nos meios de comunicação alguém que a eles se possa comparar em seu legado.

Em rebuliço
A entrada em operação da Bradesco Esportes FM agitou os bastidores da concorrência no Rio. O rádio precisava, há muito, de uma sacudidela. Com peças desgastadas na engrenagem, estacionou nas últimas décadas.
Coincidências
Em 1° de dezembro de 1984, na volta para a Globo, Garotinho transmitia o jogo do Flamengo e Fluminense. Quando saía de lá em 13 de maio, também. Domingo passado, em sua estreia oficial na nova rádio, outro Fla-Flu.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O 2° tempo do Garotinho

Quatro meses e meio depois de se despedir da Globo, José Carlos Araújo, o Garotinho estreia na Bradesco Esportes FM. Comanda no Copacabana Palace a solenidade de lançamento da rádio, que começa a operar às 8 horas da noite desta quarta-feira 26, com Flamengo e Atlético-MG, no Engenhão, adiado da 14ª do Brasileirão. Gilson Ricardo transmite o jogo.
A nova rádio, primeira dedicada a diversas modalidades esportivas, representa um desafio na vida profissional do narrador. Para ele -- e os dissidentes da Globo --, uma espécie de segundo tempo, encerrado o intervalo em que ficaram na Bandnews Fluminense, prazo da transição. A Bradesco Esportes entra na freqüência dos 91,1 vinculada, até então, à Diário de Petrópolis.
No mês em que se registra os noventa anos da implantação do rádio no país, oportuno o lançamento de uma emissora segmentada. Com a medida, abrem-se os caminhos da renovação no veículo, carente de alternativas contra a mesmice. O modelo, porém, é inspirado na ESPN, da menos idosa TV, que o criara há seguramente duas décadas, motivando canais concorrentes.
São destaques na equipe do José Carlos Araújo, o Garotinho, os ex-globais Gérson Canhotinha, Gilson Ricardo, Jorge Eduardo e Bruno Cantarelli. Complementam o grupo, Wellington Campos, Freitas Neto, Bruno Volloch, Rodrigo Machado, Luiz Renan, Rafael Luna, Danielle Speron, e outros, que foram especialmente contratados para o desenvolvimento do inovador projeto.

T r i v i a i s

/o/ CBN tem novo intervalo nas transmissões esportivas. “Melhores momentos”, nome nada original, é de boa feitura. Francisco Ayello faz a mediação.

/o/ Marcos Martins, da safra recente de valores, trocou a Tupi pela Transamérica. Destino seguido anteriormente pelo Mauro Santana, de igual origem.

/o/ A mesa dos debatedores do “Globo esportivo” ganhou um reforço, no início do mês. É o jornalista Sérgio Du Bocage, com longa rodagem na TV Brasil.

/o/ O “fantasma” Tamoio rondando os bastidores da Manchete. Cassiano Carvalho foi mais um a deixar a casa, e acertou seu ingresso na equipe da Tupi.

/o/ Inaugurado no centenário da República, o rádio teve pouca celebração em seus 90 anos. Brilhante o trabalho da Natália Toledo na Globo, pela passagem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dos jargões às “muletas”

Em cada profissão, uma linguagem. O economista tem a sua, o advogado, médico, engenheiro, e jornalista idem. Ninguém precisa ser um sábio para dispor desse conhecimento, uma vez que, cultura e perspicácia, não dependem de formação superior. A fala peculiar de uma classe, no entanto -- o chamado jargão –, só os que circulam no meio entendem. Quem não pertence ao grupo, vendo-se diante da conversa entre seus integrantes, ficará naturalmente por fora, “voando”.
Atividade paralela ao listado por último, radialista é um caso especial. Na comunicação diária com os seus ouvintes, ele deixa para os mais atentos, ditos e frases que movem a engrenagem dos veículos em que atuam. Formador de opinião, não lhe basta funcionar como reflexo do público a que serve. Rádio, uma paixão para os que o fazem, é também para outros, que um dia sonharam nele trabalhar. Sua linguagem em tempos remotos era mais substantiva, rica até – sem nenhum exagero.
Nos anos recentes – era contemporânea, segundo os teóricos – se por um lado, o rádio avançava com tecnologia de alta geração, por outro, mergulhava num processo de empobrecimento, notadamente nas emissoras populares. Essa pobreza, porém, se observa no comportamento de alguns profissionais, denominados nos próprios bastidores, como “os sem jogo de cintura”. São aqueles de recursos e vocabulário limitados, que somaram anos de carreira, mas não progrediram.
Apesar disso, há os que se dão muito bem com a audiência, em maioria nada exigente e pouco esclarecida. Evidentemente, antes de anunciar uma atração para o seu público, eles lançam mão do inevitável “daqui a pouquinho”. Ou: “Na rádio x você fica bem informado”; “na rádio y você fica m u i t o bem informado”, para o convencer que a casa em que trabalha é a tal. E, no esporte: “Aqui, fulano faz a melhor cobertura do Flamengo”; “aqui, futebol tem mais emoção” etc., etc.
O ouvinte de rádio imbuído de senso crítico, percebe que as expressões utilizadas exaustivamente abrem caminho para o esgotamento da audiência qualificada. Sendo um entusiasta da comunicação dinâmica, criativa, séria e divertida, ele “vê” as repetições ultrapassando os limites do suportável. Há que se repensar no atual modelo, buscar alternativas. O “é isso aí” não saiu de moda? Encheu as medidas. “Falamos desde ...”, também não saiu? Reciclar, é urgentemente preciso.

OUVIR FAZ BEM
De 2ª a 6ª _/”Alô Rio”, com Hilton Abi-Rihan, Nacional 1130 AM, às 8h -- _/”Almanaque carioca”, com Amauri Santos, MEC 800 AM, às 14h -- Terças _/”Palco MPB”, com Fernando Mansur, MPB 90,3 FM, às 21h.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A rima que está faltando

O radinho da empregada doméstica bem próxima está sempre numa única sintonia. Por isso, e por outro motivo sabemos de cor a programação da emissora. Todos os dias a vinheta de passagem afirma: “Vem aí mais um programa com o padrão de qualidade da sua Rádio Globo!” Terminado o sábado, na manhã seguinte sem Fórmula Um, o que tem? “Domingo na Globo!”
Há alguns anos com o Jorge Luiz, o programa é do tempo do saudoso Antônio, também Luiz. Depois da jornada esportiva, a vinheta anuncia: “(...) Domingueira da Globo!”, produção recente. Qualidade rima com criatividade. Pelo exposto nos títulos, a rádio está em dívida com o público esclarecido. Domésticas em geral, e leigos em particular, não farão qualquer tipo de cobrança.
Quando um programa cai, por baixa na audiência ou dispensa do apresentador, sucessivas reuniões são realizadas para a elaboração de um substituto. Desses encontros na Rua do Russel com tal finalidade, foi isso que resultou? À noite um “Domingueira...” se já havia de manhã na casa um “Domingo...” Nem parece existir, no meio, pessoas competentes e talentosas.
Para ninguém dizer que não falamos de flores -- lembrando Geraldo Vandré. De muito boa feitura o “Papo de domingo”, entrevistas do Fábio Azevedo com figuras do esporte. Se os produtores do “Domingueira...” recorreram ao arquivo, nada demais. O nome do quadro remonta a um programa do Loureiro Neto, versão do “Papo de botequim”, que surgira em novembro de 1998.
O “Papo...” também fora aproveitado pelo Kleber Sayão na Manchete. Na briga pela audiência, ela se espelha nas concorrentes, Globo e Tupi, pautando sua programação. Copia o modelo. Um exemplo disso é o “Tarde total”, a partir de 2008, em cima do “Tarde legal”, que a primeira descartara. E, no horário, uma sequência de programas com nomes iguais ao da segunda.
Sobre a vinheta mencionada acima, uma singular coincidência. Antecipando-se à Globo, rodando há mais tempo ali nos 800 Khz, a cada audição, coisa parecidíssima. Diz a mensagem: “Este foi mais um programa com a qualidade da sua Rádio MEC!” O Papa da Comunicação Abelardo Barbosa, pelo que se ouve, jamais será esquecido. Oremos... “Ave-Chacrinha que está no céu!...”
OUVIR FAZ BEM
-- “Redação Nacional”, com Neise Marçal, Nacional 1130 AM, às 8h, de segunda a sexta. -- “Momento de jazz”, com Nelson Tolipan, MEC 800 AM, às 22h, segundas, quartas e sextas. -- “O melhor do Brasil”, com Alexandre Tavares, JB 99,7 FM, às 9h, aos domingos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Trivial com guarnições (9)

Apresentadora de “Redação Nacional”, lançado em 2004 na revitalização da rádio, Neise Marçal está de volta à casa, onde permanecera por pouco tempo -- optara pela TV Brasil. Com ela, a reedição do programa que, sob o comando de Denise Viola, saíra da grade no início de 2009. Em novo formato, agora de 8h às 10h da manhã, o “Redação...” substitui “Alô Rio”, que ocupara o espaço.
Com a retirada deste, Hilton Abi-Rihan, seu titular, foi remanejado. Ele passou a dividir com Gláucia Araújo a apresentação do “Tarde Nacional”, a partir das 4h, que entrou no lugar do “Painel...” Outro programa que retornou, também do começo da revitalização, foi “Tema livre”, de debates. Antes conduzido por Cristiano Menezes ganhou, desta vez, o comando de Luiz Augusto Gollo.

/o/ Música de boa qualidade, a brasileira principalmente, tem na Rádio MEC 800 AM importante reduto no Rio. “Maestro MPB”, comandado por Jaime Álem, produção de Esdras Pereira, é um dos bons programas da grade.
Vai ao ar às sextas-feiras 5h da tarde, com reprise aos sábados às 2h, no mesmo período. Dias 10 e 11 foi reapresentado o da entrevista com Severino Araújo, da legendária Orquestra Tabajara, falecido na semana anterior.
/o/ Veículos de comunicação e outras entidades culturais homenagearam a cantora Clara Nunes na passagem dos 70 anos de seu nascimento, dia 12 deste mês. A artista, que morreu prematuramente em 1983, aos 39 de idade, foi a primeira no país, no tempo do vinil, a vender cem mil exemplares de elepês.
A Globo associou-se ao movimento, promovendo um especial do “Samba amigo”, com o Robson Aldir. Participaram, entre outros, o descobridor dela e produtor de seus discos, radialista Adelzon Alves, Toninho Nascimento, co-autor de “Conto de areia”, um dos sucessos de Clara, e o conjunto MPB de Raiz.
/o/ O repórter Fred Damatto, que até recentemente cobria geral para a Tupi, acaba de voltar ao esporte, reintegrando-se à equipe da Manchete. Entrou na vaga do Sérgio Guimarães, ancorando a pré-hora e os intervalos. Faz parte dos que mais trocam de emissora, tendo atuado nas principais e alternativas.
Cláudio Affonso, o novo comentarista do grupo dos “apaixonados por futebol”, também é outro pouco favorecido, pertencente à última geração de bons valores do rádio carioca. Ele foi lançado na função em 2007 na Bandeirantes e, ainda este ano, integrava o extinto núcleo que a Tamoio havia criado no Rio.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Esse nosso amor antigo


19) Elizeth Cardoso, fulgurante estrela da Nacional na década de 50, brilhava em “Cantando pelos caminhos”, de Paulo Roberto, nas noites das quintas-feiras. “A divina”, no conceito de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, embalou os sonhos de muita gente.

20) “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, “Meiga presença”, de Paulo Valdez, “Cidade do interior”, de Marino Pinto, “Mulata assanhada”, de Ataulfo Alves, “Nossos momentos”, de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, “Chega de saudade”, de Tom e Vinícius -- alguns sucessos da cantora.

21) Símbolo do rádio esportivo nos anos 60/80, Valdir Amaral comandava, na época, a equipe da Globo. Era um profissional muito criativo, tendo se destacado pela qualidade dos bordões. Também um mestre na invenção de slogans, com o que contemplava os auxiliares mais próximos. “O comentarista que o Brasil consagrou”, foi a denominação que ele dera ao João Saldanha, um grande sucesso ao se incorporar ao grupo.

22) Hoje, pouco depois de mudar o seu comando, a Tupi, que há dois anos ultrapassara a concorrente em audiência na Capital, está anunciando nos promocionais, “... o futebol que o Rio consagrou”. O imediatismo, às vezes trava o pensamento. Sem passado, ou memória, originalidade se torna bastante difícil.

23) Expressão muito repetida nos anos 60, “Linda de morrer” servia para exaltar a beleza de jovens que circulavam nas festas elegantes da sociedade carioca. Como coqueluche, espalhou-se pelos recantos da “Cidade Maravilhosa” e arredores.

24) Quem a lançou foi Sérgio Bittencourt, que manteve antes da Revolução de Março de 64, um matinal programa na Rádio Nacional. Colunista de “O Globo”, filho de Jacob do Bandolim, e também compositor, Sérgio criou, com a frase, muita polêmica. “Linda de viver” deveria, no entendimento de muitos, ser a exclamação correta.

25) Héber de Bôscoli e Yara Sales formavam um dos diversos casais do rádio nos anos 50. A dupla comandava aos domingos, comecinho das noites na Rádio Nacional, “A felicidade bate à sua porta”, que consistia em meio às atrações apresentadas, distribuir prêmios aos moradores dos bairros visitados. Esses teriam que mostrar comprovantes de um produto de conhecida empresa industrial, para serem beneficiados.

26) O animador se instalava num palanque no local, sua companheira ficava no estúdio, interagindo, conforme o termo recorrente nos dias atuais. Pelo fato dele ter problemas de asma, ela não cansava de recomendar: “Héber, não se esqueça da boina. Cuidado com o sereno!”

domingo, 5 de agosto de 2012

Um valete, e um reinado

Ser apresentador de programas ou locutor esportivo é o sonho de nove entre dez repórteres de rádio. O de Soares Júnior está começando a se concretizar agora, com o “Domingueira da Globo”, nova aposta da emissora para os fins de semanas, que estreou dia 29 de julho. Substitui o “Quintal... (da Globo”, claro) do Marcus Aurélio, e pretende, pelo anunciado, ser um contraste ao antecessor. Vai, segundo o novo ocupante do horário, dar ênfase ao divertimento, com enfoque nos temas leves, incluindo um quadro de humor e números musicais.

Não faltarão, todavia, o jornalismo de prestação de serviço e o esportivo – principalmente futebol. Os debates serão feitos em estúdio, ao contrário do outro, em que predominavam os recursos da interatividade, telefone ou internet. Na estreia, o destaque foi uma longa entrevista com o cantor Martinho da Vila, que surgiu no Festival da Canção da TV Record em 1967. Ele está celebrando 45 anos de carreira e, regravou o seu primeiro disco com novos arranjos do Rildo Hora – “Martinho 4.5”. Também escritor, o artista tem onze livros publicados.
“Rei” destronado, “rei” posto. Entre eles, valem algumas comparações. Soares foi repórter do Sistema Globo nos anos 90 e, em dezembro de 2010, fizera uma experiência como apresentador do “Globo cidade”, então com o Eraldo Leite. É jornalista e executivo regional. Marcus, também jornalista, foi executivo nacional até o seu desligamento. A função de comunicador exerce desde 1992, quando assumira o “Giro esportivo” e o “Bola em jogo”, na Tupi. Antes de comandar o “Quintal...”, que lançara em outubro 2002, ele foi apresentador da CBN.

/o/ Hugo Lago (Globo), Odilon Junior (Tupi), Fábio Moraes (Brasil) e Freitas Neto (Bandnews), formam a novíssima geração de locutores esportivos do rádio no Rio. Hugo revelou-se na Brasil AM em 2008, depois de ser plantonista da Tupi. Odilon, pouco aproveitado até maio deste ano, ganhou espaço com a recente mudança no comando da emissora.
As primeiras incursões do Fábio foram na mal-sucedida Rádio Haroldo de Andrade. O Freitas, repórter da Bandeirantes em 2007, começou a narrar na Fluminense, ano passado. Eles deverão, numa tendência natural, substituir os medalhões nas próximas décadas.

OUVIR FAZ BEM
“Programa Francisco Barbosa”, Tupi 1280 AM/96,5 FM, às 9h, de segunda a sábado. -- “Painel Nacional”, com Gláucia Araújo, Nacional 1130 AM, às 16h, de segunda a sexta -- “Ouvindo música”, com Marcelo Guima, MEC 800 AM, às 21h30, mesmo período do anterior.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Trivial com guarnições (8)

As edições do informativo “O Globo no ar”, manhãs e tardes, voltaram a ser apresentadas do Rio. Desde que o Sistema Globo de Rádio trocara o gerente nacional de programação – Marcus Aurélio por Zalo Comucci -- estavam sendo produzidas em São Paulo, conforme as do horário noturno há algum tempo.

/o/ A Tupi saiu na frente, Globo e CBN deram curso à ideia. No Brasileirão, decidiram separar as freqüências, transmitindo jogos distintos no mesmo horário. Estão programando para o FM as partidas principais. Por quê? Bandnews e Transamérica já incomodam.

/o/ Vencido um problema de saúde, o narrador Rodrigo Campos reassumiu o seu posto na Manchete. Enquanto ele voltava, o âncora Sérgio Guimarães era mais uma baixa (a terceira este ano). “My brother” foi trabalhar na Transamérica, sendo um reforço para a equipe.

/o/ Emissoras musicais em todo o país reservam generosos espaços para divulgar o repertório do Roberto Carlos. Se “Rei” não perde a majestade, bobagem pensar em custo-benefício. Como seria nas de jornalismo? Por exemplo, “Show do Clóvis Monteiro”, com o “Minuto do Zeca Pagodinho”. (Nada contra o sambista, nem contra o comunicador.)

/o/ Sai ano, entra ano e, a JB FM não muda. Embora de boa qualidade, são sempre as mesmas músicas. Com a crise do mercado fonográfico, a história do “listão” não tinha acabado? /o/ A Paradiso é outra que adotou linha semelhante, apesar do aval de uma seguradora.

/o/ “O amor do Rio”, um slogan vitorioso, foi implantado pela Nativa em 1996. No segmento em que O Dia lidera há vários anos, a rádio está muito bem situada. Só perde para a Beat 98, segundo o Ibope. “Gosto é gosto” – garantem os apreciadores do brega chique.

/o/ Jovem Pan -- há pouco tempo na freqüência em que estava operando a Oi -- e a Mix -- na que pertencera a pioneira Imprensa – ganham, na atualidade, as preferências dos adolescentes. Uma legião acima dos trinta anos, também curte o som das duas emissoras.

/o/ MPB e Roquete Pinto, hoje as melhores opções em FM. Abismal desvantagem para a segunda. Esta, como a Nacional, MEC AM e MEC FM, chamadas emissoras públicas, independem de qualidade para atrair a massa de ouvintes. Sofrem o estigma da rejeição.

Maurício Bastos é o novo titular do “Quintal da Globo”. Assumiu a função no início deste mês, substituindo Soares Júnior, que ficara no lugar do Marcus Aurélio, desligado recentemente. Atração diária desde outubro de 2002, o programa virou dominical ao fim de oito anos.
Originário da Tupi, onde foi repórter da geral e depois plantonista de esportes, Maurício é um dos melhores profissionais da nova geração. Na Globo há seguramente seis anos, tem mostrado seu talento e versatilidade. Ultimamente, ele se revezava com o Luiz Nascimento nas apresentações de “O Globo no ar”, em transmissão do Rio nas manhãs e tardes.

domingo, 15 de julho de 2012

As extensões dos debates

Os quadros de debates, que se constituem numa das principais atrações do rádio contemporâneo, surgiram nos anos 60. Seu pioneiro foi Haroldo de Andrade, na Globo. Seguiram-se a ele outros comunicadores, exemplos do Paulo Lopes e Cidinha Campos, ambos na Tupi. Em matéria de sucesso, os promovidos pelo “Cidinha livre” foram os que mais se aproximaram dos “Debates populares” do Haroldo de Andrade.

No dele, primavam as discussões de forma elegante, tal qual a do condutor. No dela, avançava-se para a polêmica, reflexo da personalidade forte da apresentadora. E, graças às atuações no veículo, Cidinha ingressaria na política, elegendo-se deputada em sucessivos mandatos. A história do rádio atribui a ela, a primazia dos destinados às celebridades, com enfoque diferente das outras, hoje explorando a fonte.
Em agosto de 2002, a Globo trocava o Haroldo por Loureiro Neto. A partir de então, caía a qualidade do programa, do quadro principal, inclusive. A audiência cativa, porém, impedia nova mudança no horário. Só em março de 2011 isso ocorreria, a propósito de uma repaginada na programação. O “Manhã da Globo” era entregue ao Roberto Canázio e, como no ato bíblico, a transformação da água para o vinho.

No campo esportivo, o “Enquanto a bola não rola”, criação do Kleber Leite em 1985 na Tupi, se tornaria no mais bem-sucedido. Com a transferência deste para a Globo, a rival colocava no ar o “Bola rolando”, com o Loureiro Neto. E, ele assumiria o dominical da Globo, quando o Kleber se desligara da emissora. “Bola rolando” virava “Bola em jogo”, primeiro com o Marcus Aurélio, depois com o Luiz Ribeiro.

O “Enquanto a bola não rola”, modernização de “A turma do bate-papo”, comandado pelo Orlando Batista na extinta Mauá, teve sua melhor fase (memorável, diga-se), nas apresentações de seu criador. Nos anos seguintes (com o Loureiro, Elso Venâncio, Ronaldo Castro e, até mesmo com o Eraldo Leite) seria desbancado pelo “Bola em jogo”. Talvez o Luiz Ribeiro saiba explicar qual o motivo da opção.

/o/ Renovar é preciso, em qualquer ramo de atividades. Mas, os jovens que fazem atualmente o jornalismo da Nacional-Rio são, em maioria, bem fraquinhos. Do outrora qualificado departamento da emissora, Douglas Corrêa, Cristiane Ribeiro, Alana Granda e Paulo Virgílio, figuram entre os últimos representantes.

OUVIR FAZ BEM
De 2ª a 6ª -- /“Eu show Luiz Vieira”, Manchete 760 AM, às 6h. -- /”Segundo tempo”, com José Carlos Araújo, Bandnews, 94,9 FM, às 10h30 -- /“Hora do blush”, com Luiza Sarmento e Isabella Saes, Sulamerica Paradiso 95,7 FM, às 17h.

sábado, 7 de julho de 2012

Esse nosso amor antigo

12) O mundo não vale o meu lar. Onde foi mesmo (e quando) que ouvimos essa lapidar frase? Parece-nos, se a memória não falha, ter sido num programa antigo da Rádio Nacional. (Não, não. Foi em outra.)

13) A rádio, na verdade, era a Mayrink Veiga e, a apresentadora nada menos que Sagramor Scuvero. Além de radialista, era escritora e foi casada com o compositor, redator de comerciais e jinglista Miguel Gustavo, seu colega na emissora. Miguel abasteceu, com músicas curiosas, o repertório do Jorge Veiga e Moreira da Silva. De sua autoria o “Pra frente Brasil”, de exaltação à Seleção no Mundial de 70 no México, onde a “canarinho” conquistaria o “Tri”.

14) Outros bons tempos de adolescência remonta às novelas da Nacional (dos Mários Lago e Brasini, Amaral Gurgel, Eurico Silva, Cícero Acaiaba), seriados “O Anjo”, (com Álvaro Aguiar no papel-título, coadjuvado pelo Osvaldo Elias – o “Metralha”) e, “Jerônimo, o herói do sertão” (Milton Rangel), seu companheiro de aventuras “Moleque Saci” (Cauê Filho) e a eterna namorada “Aninha” (Dulce Martins).

15) O autor deste último era o Moisés Weltman, mais tarde diretor da “Amiga”, revista de Bloch Editores, especializada em rádio e a televisão. Ele foi, inclusive, um dos primeiros participantes do “Debates populares” do Haroldo de Andrade.

16) “Calouros em desfile”, de Ary Barroso, foi um memorável programa de rádio. Lançado na Kosmos de São Paulo, marcaria época na Tupi, do Rio. Dentre os muitos artistas que revelou, das poucas ainda em atividade, é Elza Soares, que aniversaria em 23 de junho. O “Show da manhã” do Clóvis Monteiro homenageou-a pela data.

17) Rememorados alguns detalhes da trajetória de Elza: “Se acaso você chegasse”, de Lupiscinio Rodrigues, seu maior sucesso; ela foi a primeira mulher a defender o enredo de uma escola de samba (Unidos de Padre Miguel); em 2000, eleita pela BBC de Londres como “a cantora do milênio”. Produzem o programa do Clóvis, as jornalistas Gilze Nunes e Jaqueline Nascimento.

18) Pioneiro em prestação de serviço, “Alô Dayse”, da Nacional, está em cartaz há mais de 40 anos, ultimamente às 11h da manhã., de segunda a sexta. Dayse Lúcide, sua apresentadora participa, aos sábados, dos debates no programa do Francisco Barbosa, na Tupi.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Trivial com guarnições (7 )

O trânsito no Rio (como nas grandes metrópoles) deixou de ser normal há muito tempo, principalmente nas horas de pico. O caos urbano, um tormento freqüente para quem trabalha ou estuda na decantada Cidade Maravilhosa. Na Tupi, o Clóvis Monteiro “domesticou” a participação de informantes voluntários, cobrando deles, nomes de mulher (ou marido) e filhos. Recurso compreensível em se tratando de uma rádio popular. A Bandnews, voltada para outro tipo de público limita-se a dar vez (não voz) aos que lhes prestam aquele serviço, um complemento ao trabalho de setoristas nos órgãos credenciados.

/o/ Melhorou bastante o “Manchete esportiva”, com o Antônio Jorge, às 8h da noite nos dias sem futebol. Ele substituiu Rodrigo Campos, até recentemente titular do horário e coordenador de equipe na emissora. Nenhuma surpresa no caso, pois, AJ é um dos mais categorizados profissionais da área. Também não é mais surpresa por lá, a rotatividade, comum em seis anos.

/o/ O “Botequim da Globo”, na ausência do Loureiro Neto – esteve licenciado por três semanas -- e o “Quintal da Globo”, sem o Marcus Aurélio – desligou-se da rádio no começo do mês -- ficaram muito parecidos com o “Agito geral”, do Luiz Torquato. Essa remontagem do “três-em-um”, antiquado aparelho de som, embaçou o tão anunciado padrão de qualidade.

/o/ Principal voz nos intervalos da Manchete, Robson Alencar se assemelha aos vinhos conservados em toneis. No comercial sobre as vantagens do usuário de trens de levar a bicicleta para um passeio na Quinta da Boa Vista, ele esbanja talento. Sem demérito para alguns, Robson forma com Dirceu Rabelo e Vanderlei Gonçalves, a suprema trindade na arte da locução.

/o/ Com o ingresso do Roberto Assaf na reformada equipe da Globo, fechou-se o número de vagas. Mais uma remexida no grupo, vai depender do Sobrenatural de Almeida, retórico personagem do Nelson Rodrigues. Em polvorosa, vive-se no meio sob a expectativa da Bradesco Sports, a ser estrelada por José Carlos Araújo e seus amigos. Um xeque-mate na mesmice.

OUVIR FAZ BEM
“Arte em revista”, com Jota Carlos, MEC 800 AM, às 18h. -- “Programa Luiz Ribeiro”, Tupi 1280 AM/96,5 FM, às 20h -- “Edifício A Noite”, com Cirilo Reis, Nacional 1130 AM, às 21h.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vivendo com a mesmice


Um ditado popular (era contemporânea) assegura: “a vida muda de minuto a minuto”. Até onde ele encerra alguma verdade, não sabemos. E, acreditamos que outras pessoas pensem do mesmo modo, principalmente as que não aceitam tudo à primeira vista, ou seja, à primeira audição. (Há controvérsias, quando se trata de seres inconformados, incrédulos. Esses, naturalmente, dependem de um acurado processo de análises, reflexões. Ponto por ponto, tintim por tintim...)
A vida muda de minuto a minuto em alguns setores” -- dirão outros. É um repeteco interminável, coincidências, semelhanças, retrato do cotidiano envolvendo conhecidos ou anônimos. No rádio, por exemplo, isso fica patenteado ao girarmos o dial pelas emissoras populares. Na Tupi, onde a programação está “bombando”, de acordo com os últimos boletins do Ibope, um dos sucessos é o “Show do Heleno Rottai” e, uma de suas atrações, o “Palavra amiga”.
Na Globo em igual período, é revelado que “A verdade será sempre a verdade”, com o Tino Júnior, no “Vale tudo”. Pelas manhãs o David Rangel, com o “David dá show”, descreve “Sua vida em Manchete”. (Luiz de França, há cinco anos na mesma emissora em que atua o David, parou com “Histórias da vida”, um quadro parecido). A fórmula é uma só. Apenas os da Tupi e Globo contam com a participação dos ouvintes, opinando sobre os temas em pauta.
O rádio se modificou a partir dos anos 70, privilegiando o jornalismo e a prestação de serviços, particularidades do AM. Evoluiu técnica e humanamente, reunindo profissionais melhor preparados, com empresas bem estruturadas dispondo de equipamentos de última geração. No campo das ideias, porém, ainda se observa algum atraso. O receio de perder a audiência de um público cativo, obriga-o a manter um “show de mesmice”, como os quadros referidos.

/o/ Pouco antes de trocar o dial por um canal da Sky (a freqüência passou para a CBN) a Globo FM modificara sua grade. Vinhetas novas foram produzidas e, a seleção musical buscava atingir outra camada de ouvintes. O slogan então utilizado dizia: “A diferença está na música”.
Se o responsável pela ideia não migrou para a Roquete FM (94,1), é uma baita coincidência, mesmo depois de alguns anos passados. Dando curso à filosofia implantada pelo Arthur da Távola, a estatal atravessa uma de suas melhores fases. Mas, desafina com essa “diferença”.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Esse nosso amor antigo


7)Enquanto algumas empresas de comunicação rejeitam profissionais idosos, a Manchete abriu as portas para o Luiz Vieira, de 84 anos. O poeta-cantador, radialista com um longo histórico estava perto de uma década na Carioca (710 AM), chamada Sucesso a partir de 2009. Paralelamente às atividades como cantor de rádio, LV foi apresentador de televisão no Rio, Belo Horizonte e Salvador. Nos anos 60 lançou pela Nacional o “Minha terra, nossa gente”, transferindo-o mais tarde para a Rio de Janeiro. Nele, tem valorizado artistas esquecidos pela mídia, além de cultuar os que deixaram esse plano, virando saudade. “Eu show Luiz Vieira” – assim rebatizado -- estreou na Manchete dia 4 deste mês. No ar, de segunda a sexta de 6h às 8h da manhã.

8)Vagner Menezes (apresentador) e Jorge Nunes (comentarista) do “Giro esportivo” na Tupi, saíram do roteiro na quinta-feira 31 de maio e, mostraram um lado que o ouvinte não conhecia – sua verve de cantores, bem afinados, por sinal. Foi a propósito de um show do Trio Esperança e os Golden Boys numa casa da Lapa, que eles anunciaram. A dupla “mandou ver”, com muita descontração, o “Festa do bolinha”, um inesquecível sucesso daquela família de artistas.

9)Num tempo que já vai longe, profissionais de futebol em fim de carreira passaram a trocar as quatro linhas pelos microfones de rádio, ou televisão. O técnico Duque Ferreira foi um dos pioneiros. Ele integrou a equipe do José Cunha na Tamoio, e ganhou o slogan de “o comentarista técnico”. Valdir Espinosa, também técnico, mas de outra época, incorporou-se à reformulada equipe da Globo. “Comentarista realmente técnico”, a sua denominação. (Mera coincidência).

10)Carlos Borges, da Nacional, já foi o “locutor de voz cristalina”, mudando anos depois, para “o de todos os esportes”. Bruno Voloch, (coordenador da Bradesco FM, em preparativos), está sendo chamado de... “comentarista de todos os esportes”, na Bandenews. Quando se é do ramo, pouco provável que não se ouça as concorrentes. Ainda mais quem trabalha na elaboração de um novo projeto.

11)Nos anos em que a Globo detinha a liderança absoluta de audiência, Haroldo de Andrade era o principal campeão. Seu marketing na emissora: “o número 1 do rádio brasileiro”. Na Tupi, atualmente com o melhor Ibope no Rio, Jota Santiago, há pouco tempo titular nos esportes foi apelidado de “o número 1”. Indiscutível o valor dele. Nada inspirada, porém, a definição do seu marqueteiro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A magia da carruagem

Na reestruturação da equipe de esportes da Globo, Eraldo Leite ganhou o cargo de comentarista. Pelo trabalho que desenvolve seguramente há vinte anos é, sem exagero, o mais importante repórter esportivo de rádio no Rio. O seu crescimento profissional ocorreu paralelamente ao ostracismo do Denis Menezes, por algum período, imbatível na atividade. (O declínio do Denis começou a se materializar depois de uma Copa do Mundo, quando a Globo o dispensara).
Eraldo, que participou dos principais torneios de futebol no país, ou fora dele poderia, se quisesse, investir na carreira de narrador. A vocação de repórter, falou mais alto. Soa estranho, porém, chamá-lo de “comentarista internacional”, em tão pouco tempo de sua ascensão. Fica bem semelhante ao caso da carruagem na frente dos bois, da época de nossos avós. Ou, como a história da Porcina, personagem de Regina Duarte em “Roque Santeiro” – viúva sem ter sido.

/o/ Não nos parece uma boa medida o ritmo imposto às transmissões esportivas da Tupi após a saída do Luiz Penido, até então seu principal locutor. Jota Santiago, novo titular, e Odilon Júnior, o imediato estão, com isso, descaracterizando seus estilos. Mal comparando, eles passaram a utilizar numa Honda Civic, velocidade compatível a de uma Ferrari. Se não mudarem o procedimento, acabam perdendo o controle, com o motor pifando. (Já se percebe o ronco no ar.)

/o/ E, o futebol na Tamoio, hein? Repetiu-se o que acontecera com a Bandeirantes em 2007. Inusitada coincidência. Desempregados, profissionais experientes que estiveram naquela, embarcaram no projeto do Grupo Verdes Mares para o núcleo-Rio. Ronaldo Castro, Antônio Jorge, Wellington Campos e André Ribeiro, entre eles. Tal qual um calhambeque de remendos camuflados, a Tamoio “afogou” de vez. O Gomes Faria fracassou. Os evangélicos venceram.

/o/ Faz tempo que, trânsito difícil nas grandes cidades era coisa das horas de pico, manhãs e tardes. Hoje, em qualquer horário, o transtorno dos engarrafamentos, noticia obrigatória nas rádios, prestação de serviços. Plantonistas da CET-Rio e PRF-Ponte não se cansam de dizer: “O trânsito está complicado na rua X; complicado no vão central”. A Juliana Gonçalves (Bandnews) e Anderson Ramos (vários prefixos), os recordistas no uso de tal palavrinha. Sinônimo, pra quê?

OUVIR FAZ BEM -- “A luz da psicologia”, com Luiz Ainbinder, às 9.45 na Tupi AM/FM. -- “Fim de expediente”, na CBN, às 18h, com o ator Dan Stulbach, entre outros. -- “Kinoscope”, MEC FM, às quintas-feiras, 22h, com Fabiano Casanova.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Esse nosso amor antigo

1) Os bons, ótimos ou excelentes profissionais do rádio são, no meio, chamados de “feras”. Na “selva” em que se transformou o veículo nos últimos anos, um deles é, sem dúvida, o Zair Cançado, venerando defensor das bandinhas de música, uma tradição nas cidades interioranas. Aos domingos, ali pelo meio-dia, Zair apresenta “Vamos ouvir a banda”, na insípida Bandeirantes (1340 AM). Um programa dedicado às pessoas da velha guarda, que as modernas também podem apreciar. Notadamente as que preservam os valores culturais de sua terra.

2) Rosana Jatobá, que fazia a previsão do tempo no “Jornal Nacional”, agora está no rádio. Estreou na Globo dia 14 deste mês. No “Tempo bom, mundo melhor”, a 1h da tarde de segunda a sexta, ela aborda dois temas inesgotáveis -- meio ambiente e comportamento. Primeiríssima qualidade, em pouco menos que cinco minutos.

3) De provocar risos do mais sisudo ouvinte, a postura do Carlos Bianchini, homônimo do locutor famoso, que transmite futebol pela Fluminense (540 AM), rádio de Niterói. No Vasco e Grêmio, domingo último, ele afirmava a plenos pulmões: “Fluminense!!! Líder de audiência em todo o pais!!!” (Fala sério – diria um saudoso humorista.)

4) No “Comando geral do carnaval” da Globo este ano, nas rodadas de debates, a participação do Paulo Nobre, veterano radialista. Espécie de móveis e utensílios da velha Metropolitana, Nobre foi por certo tempo figura onipresente. A todo momento que se ligava na emissora, lá estava ele. Hoje, Ênio Paz desempenha esse papel na Manchete. Antes, graças aos cartuchos, agora (provavelmente) aos MDs. “Peraí”. O Ênio é noticiarista. Seria um insone a serviço da informação?

5) E, falando da rádio “dos apaixonados por futebol”. Foi lá, em 2010, que o Valdir Espinosa fez sua experiência como comentarista. Ficou pouquíssimo tempo, requisitado coincidentemente no Brasileirão. Na Globo, onde acaba de ingressar, espera-se que tenha melhor sorte. Com os eflúvios espirituais do Luiz Mendes, cuja vaga preencheu.

6) Lendário personagem da Mangueira, o compositor Nelson Sargento participa, às quartas, 3h da tarde, do “Eles têm histórias pra contar”, na Roquette Pinto. Às sextas, é a vez do jornalista e biógrafo Sérgio Cabral. O primeiro se apoia no locutor Agenor de Oliveira, consciente de estar fora do seu ramo. Auto-declarado sem cacoete de radialista, o outro dá o recado a seu modo. As edições valem pelo conteúdo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

De Garotinho a Garotão

Depois de 42 anos de atuação na Rádio Globo, intercalada por uma passagem pela Nacional entre 1977/84, José Carlos Araújo, o Garotinho, despediu-se da emissora, onde era titular desde então. Transferiu o cargo ao Luiz Penido, também originário da empresa, durante o intervalo de Fluminense e Botafogo. A troca de comando ocorreu em clima de muita emoção e cordialidade. Juntar os principais locutores esportivos dos últimos anos numa decisão de campeonato, foi um fato inédito na história do rádio -- da Globo em particular.

/o/ Inaugurada no longínquo 1944, a rádio que abrigou nomes do nível de um Gagliano Neto, Luiz Mendes e Doalcei Camargo se transformaria em sinônimo de sucesso, principalmente a partir da chegada do Waldir Amaral, nos anos 60. Sua hegemonia, que teve a duração de quatro décadas, hoje é meramente uma sombra. A queda de audiência no Rio tem sido vertiginosa e, começou a se desenhar com a implantação do projeto “Globo Brasil”, cujo objetivo era conquistar novas praças do mercado publicitário, transmitindo programas em rede.

/o/ A Globo busca, com a transição, restaurar a liderança sustentada num passado recente, quando reunia em seus quadros valores que migraram para outros prefixos. Cria da casa, onde aportou em 1979, Penido foi um dos que se mudaram para a concorrente Tupi. De quarto na equipe (precedido por Maurício Menezes, Sérgio Moraes e Garotinho), pulou para titular na outra em outubro de 1988. Caíra nas graças do Péricles Leal, insatisfeito com o Ibope do Doalcei. Seguiram com ele, o Eraldo Leite, Felipe Cardoso e Danilo Bahia, entre outros.

/o/ Dois anos depois, com a volta do antigo locutor (ganhara uma ação contra a rádio), Penido e seu grupo -- Eraldo, Sérgio Guimarães, Paulo Júnior e o Iata Anderson -- foram trabalhar na Rádio Nacional. Contrato encerrado, rápida passagem pela Tropical FM do Armando Campos, e ei-lo novamente na Tupi. Era 1997, e Penido formaria dupla com o veterano Doalcei. Escolhido em votação dos ouvintes, daí o slogan de “o mais querido”, virava líder isolado em 1999. A parceria com Washington Rodrigues, no mesmo ano, um trunfo valioso.

/o/ Considerado o ícone da classe, José Carlos Araújo tem, com o que agora o substituiu, alguma coisa em comum. Ao deixar a Globo em 1977, trocando-a pela Nacional, ocupava a terceira posição na hierarquia, apenas um degrau acima daquela em que o Garotão se encontrava antes da mudança. Foi a partir de seu ingresso na velha emissora, que o Garotinho – denominação dada pelo Denis Menezes – tornou-se modelo para outros narradores, sendo Penido o mais próximo. O público que lhe é fiel, certamente o acompanhará na FM dedicada aos esportes.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trivial com guarnições (6)

Depois de um período submersa, a Nacional tenta, mesmo sem contratar valores de notória projeção, reeditar os seus gloriosos tempos no futebol, também destinando espaço a outras modalidades do esporte. Nesses primeiros meses do ano, foram lançadas uma atração diária ("Arquibancada") e outra semanal, (“Tarde esportiva”). Com as novidades, a Nacional passa a competir mais diretamente com as principais emissoras que cobrem o gênero no Rio. No segundo caso, antecedendo ás transmissões, a Tupi tem o “Show da galera”, Globo “ A liga dos trepidantes”, e Manchete “Debates esportivos”.

/o/ O ‘Samba amigo’, que a Globo apresentou durante os ensaios das escolas para os desfiles do último carnaval, foi efetivado na grade da emissora. A reestreia ocorreu no sábado 14 de abril, á noite, com o Robson Aldir, brilhante repórter, mas ainda rateando na função de comunicador. Aldir está prestigiado pela casa, cuja direção o escalou, ano passado, para um programa nas madrugadas dos domingos.

/o/ Remanescente da época de ouro do rádio, Max Nunes, 90 anos completados em 17 de abril, ainda se mantém na ativa. Ele produz há muito tempo o programa do Jõ Soares. Max criou memoráveis humorísticos na Tupi e Nacional, entre os quais, “Marmelândia, o país das maravilhas”, na primeira, e o “Balança mais não cai” na outra.

/o/ Gilson Ricardo, que Waldir Amaral descobriu narrando futebol de salão – o apelidado futsal – comemorou 35 anos de Rádio Globo na segunda–feira 16 de abril. Ele atuava na Difusora de Petrópolis, onde também apresentava o “ Peça direto”, num programa musical. Seu primeiro trabalho, foi a cobertura de um Botafogo e Bonsucesso, em Teixeira de Castro, transmitido por Cláudio Moisés.

/o/ Um bom valor da novíssima geração do esporte, Thiago Veras entrevistou o técnico do Botafogo após a partida com o Boavista. Pouco inspirado, abria a matéria roproduzida no “Rolando a bola”, na Tupi, assim: “Inicialmente Oswaldo de Oliveira começa...” Antes e depois da “sonora” chamou de Odilon Júnior o apresentador Eugênio Leal.

/o/ No mesmo domingo, Paulo Coruja informava no “Quintal da Globo” sobre a morte de um menor que trocara tiros com policiais em Niterói. “ A vítima foi socorrida no Hospital Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos”, concluía. (Incrível, profissional de jornalismo numa rádio importante fechar texto corriqueiro dessa forma).

/o/Na sexta-feira (20), Luiz Vieira despedia-se da Sucesso (ex-Carioca), onde faria 10 anos em outubro. Luiz Vieira está se mudando para a Manchete, segundo anunciou. Seu programa “Minha terra, minha gente”, que passou pela Nacional e Rio de Janeiro, será no mesmo horário do endereço anterior, de 6h ás 8h da manhã. Estrearia dia 7 de maio, o que não ocorreu.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Chico Anysio, o multimídia

Ao vencer um concurso na Rádio Guanabara e classificar-se em segundo lugar em outro, Chico Anysio se tornaria na sua trajetória, o que nos tempos modernos se chama de multimídia. Logo no começo, radioator, locutor, redator e comentarista esportivo. A exemplo de outras emissoras, a Rádio Globo prestou-lhe homenagem póstuma, num especial às 8h da noite de sexta-feira. Produzido por Marcelo Bruzzi, Valéria Chagas e Regiane Souza, apresentado pelos dois primeiros historiou, com depoimentos e pesquisa, as facetas do artista.
Algumas coisas, o especial não revelou por conveniência. Sabe-se que a “Escolinha do professor Raimundo” era um quadro no “Esse norte é de morte”, na Mayrink Veiga, narrado por nada menos que Cid Moreira --, colega do comediante na TV Rio – produção de Roberto Silveira. Antes de criar seus personagens, Chico Anysio atuou em diversos programas. Entre eles, o “Vai da valsa”, do Haroldo Barbosa; “Regra de três”, do Antônio Maria; e “Miss Campeonato”, do Sérgio Porto, estrelado pela vedete Rose Rondelli , sua segunda mulher.
Muitos anos depois das experiências na função de comentarista esportivo, que exercera inclusive na televisão, Chico Anysio voltaria ao rádio. Foi em 1990 na Tupi com o Luiz Penido, antes do seu envolvimento com a ministra Zélia Cardoso de Mello. Da equipe também participava o Fernando Calazans. Ao lado daquele narrador, atuaria como principal comentarista na Rádio Nacional, em 1993/94. Chico já tinha feito, em anos remotos, uma temporada na emissora. Participava da “Lira do Xopotó”, do produtor e animador Paulo Roberto.
Na Mayrink, anunciado então como Francisco Anysio – o Chico ele adotaria ao migrar para a televisão --, trabalhavam Nanci Vanderley (primeira mulher dele), Matinhos, Zé Trindade, Estelita Bell, Altivo Diniz, Ema e Válter D’Avila, e Macedo Neto (que foi casado com a cantora e compositora Dolores Duran, intérprete do “Fia de Chico Brito”, terceira música de Anysio por ela gravada). Também eram contratados da rádio, os locutores Luiz Jatobá e Carlos Henrique --“duvidamos que alguém venda mais barato” --, dos comerciais Sendas na TV.
A freqüência dos 1220, que pertencera à Mayrink, é ocupada há alguns anos pela Globo, ouvida anteriormente em 1180. Nela, durante certo período, funcionaria a Eldorado e, hoje a Mundial, de uma igreja evangélica homônima, que negociou a concessão. A Guanabara, onde Chico Anysio iniciou carreira, como o fizeram outros profissionais – Fernanda Montenegro, Sílvio Santos e Maurício Scherman -- incorporada no final dos anos 80 à Bandeirantes de São Paulo, virou Band-Rio. Decadente, sobrevive de horários alugados.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Trivial com guarnições (5)

A nova programação da Globo que remanejara o horário de comunicadores em março passado, completou um ano dia 14 último. Dos cinco alterados, dois se destacaram no período, obtendo os mais favoráveis resultados. Roberto Canázio dinamizou o “Manhã...”, onde o “Debates populares” continuou sendo o quadro principal. Ana Paula Portuguesa cresceu no programa, formando com o Ney Freitas, uma interessante parceria.
O “Boa tarde...”, no comando de Alexandre Ferreira (o título fora utilizado por Francisco Barbosa em sua segunda passagem pela emissora), melhorou depois dos ajustes, embora mantenha a vinheta do “Tarde legal”, extinto em 2009. A ele, foram acrescentadas coisas do agrado da audiência, juntando-se às outras que o comunicador transportara do “Alô, bom dia”, programa que apresentava até os primeiros meses de 2011.

/o/ Coringa na Manchete (ou seria curinga?), Rodrigo Machado, da nova geração de valores ganhou recentemente um programa próprio. Apenas uma hora, começando às 9h, de segunda a sexta. E, mesmo assim, num espaço tão exíguo, intitularam o horário de “Manhã total”... O programinha repete fórmulas pra lá de gastas, uma verdadeira “colcha de retalhos”. (Coincidência A. Também na Tamoio, tem um com o mesmo nome.)

/o/ “Arquibancada” é um novo programa idealizado por produtores da Rádio Nacional, e entregue à comunicadora Gláucia Araújo nos finais de tarde, a partir deste mês, logo depois do “Painel”, com ela há algum tempo. Trata-se de uma mistura de noticiário esportivo e números musicais. (Coincidência B. Um programa da Manchete – dos que se dizem “apaixonados por futebol” – apresentado aos domingos, na hora do almoço, tem igual denominação).


/o/ Especialista em escolas de samba, Dalila Villanova trocou a MEC pela Nacional. Seu programa, aos sábados, também mudou de nome. “Dalila na quadra”, de meio-dia às 2h , entrou no lugar de “O negócio é o seguinte”, do Osvaldo Sargentelli Filho, defenestrado no limiar do ano.

/o/ A Jovem Pan, que antecedera a Band News Fluminense (94,9) voltou a operar no Rio. Agora, na freqüência dos 102,9 que estava com a Oi. Enquanto a negociação não era fechada com o grupo paulista, o prefixo, da revolucionária Cidade dos anos 70, adotava o nome de Verão.