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quarta-feira, 20 de março de 2013

Cardápio à moda da casa

“No começo era o verbo” – escreveu um apóstolo. Nos primórdios da televisão no Brasil, produtores de rádio com seus roteiros de boas ideias e bom português inspiravam os donos de programas do novo veículo. Hoje, tantos anos passados, ocorre o inverso. O rádio transporta para suas grades (atrações novas ou não), coisas envelhecidas na telinha mágica.
O “Farofa...”, que marcou a volta do David Rangel à Globo apresenta em seu quadro principal, um modelo espelhado no “Cidade contra cidade”, que o Gugu Liberato comandava no SBT. Num torneio de perguntas e respostas, duas famílias se confrontam, representando bairros de origem. À vencedora é oferecido um almoço, meio prático de justificar o nome do programa.
Na estreia, quando competiam os Menezes e os Silva, a primeira família sagrou-se vitoriosa. No domingo seguinte, registrou-se um empate entre os componentes das dinastias Mattos e Oliveira, defensoras de Bangu e Realengo. Questionavam-se fatos históricos daquelas regiões. (Parodiando o slogan criado por executivo que saiu da rádio: “Bota farofa nisso!”)



PASSO ATRÁS
Comum nas emissoras do interior e fora de moda nas situadas nas grandes cidades, programas do tipo “peça a sua música”, estão retomando espaço nas rádios do Rio. Na popular Globo, o “Agito geral”(¹), que recentemente sofreu outra reforma, aderiu ao gênero. Na elitizada MEC, com alguns exemplares (em AM e FM), “Almanaque carioca” (²) é o caso mais notório.
Lançar mão de tal recurso – argumentam os envolvidos -- é maneira de prestar serviço ao ouvinte que não tem acesso à internet, onde se pode, facilmente, “baixar” temas musicais preferidos. E, atende, também, aqueles que não se habituaram a comprar discos -- embora seja possível, nos dias atuais, encontrar nos vendedores de esquinas, CDs e DVDs a preços bem modestos.

(¹) Editado em São Paulo, é apresentado por Thiago Matheus, da nova geração de valores. Vai ao ar nas noites de sábados.
(²) Tem como apresentador o Amauri Santos, cria da Fluminense, “a maldita”. Às 2h da tarde, entre segunda e sexta-feira.

LINHA DIRETA
/o/ O repórter Rafael Marques retornou às atividades na Globo, no jogo do Botafogo e Quissamã. Estava afastado ano e meio, por problemas de saúde.
/o/ Há duas décadas atuando na madrugada da CBN, o âncora Alves de Mello comemorou 40 anos de rádio. Antes repórter da Tupi, assinava Plácido Mello.
/o/ “Você faz o sucesso” é quadro no “Show do Rafael de França, sábados na Manchete. Remonta ao "Você faz o programa”, Difusora Fluminense, anos 50.

S I N T O N I A
“Planeta Rei”, com Beto Britto. Globo AM 1220/FM 89,5 – de 0h às 3h, de segunda a sábado.
“Show do Heleno Rottai”. Tupi AM 1280/FM 96,5 – de 15h às 17h, de segunda a sexta e, de 6h às 9h, aos domingos.
“Momento do jazz”, com Nelson Tolipan. MEC AM 800 – de 22h às 23h, ás segundas quartas e sextas.


terça-feira, 12 de março de 2013

"Farofa" na volta do David

Na volta à Globo, onde estivera até 2009, David Rangel reestreou depois de quatro anos que deixara a casa. Um astro do rádio (ou da TV) merecia em tempo não muito distante, um coquetel na sua apresentação, tão logo formalizada a assinatura do contrato. Não foi o caso -- nada a ver com a desoneração da cesta básica anunciada pelo Governo. O novo programa do David tem “farofa” no título, a pretexto de servir como ingredientes, “alegria e diversão”.
Mais surpresos que seus colegas e o diretor da Manchete, da qual ele se desligou há menos de uma semana da mudança, ficaram os ouvintes da emissora dos Marinho. Um público (super antenado?) lotou o auditório, em pleno domingo (dia 10), na estreia do programa. O “Farofa...”, que o David revelou ser um desafio em sua carreira, ao avisar de sua saída, consiste de perguntas e respostas, seguindo um modelo popularizado por alguns canais de TV.
Um dos melhores comunicadores do rádio moderno, difícil acreditar que, na volta à Rua do Russel, ele vá se limitar a um programa semanal. Criador de uma variedade de tipos, David começou a se projetar na Tupi, encerrada uma passagem pela Nativa FM. Participou de diversas atrações, inclusive da “Patrulha da cidade”. Em 2004, ganhou programa próprio, sábados à noite. Remanejado para a madrugada, com a morte do Collid Filho, a Globo logo o convocaria.

LINHA DIRETA
/o/ Com a saída do “David dá show”, a “rádio de verdade” colocou no ar o “Show da Manchete”. Entregue ao Jorge Bacarin, titular da madrugada e atual coringa do prefixo. (Alguém pensou em criatividade, cara pálida?)
/o/ A Globo voltou a apresentar o “Panorama esportivo” aos domingos, conforme era no seu surgimento, em janeiro de 1985. É, depois da troca de comando no esporte, há dez meses, a sexta modificação na grade.
/o/ Num dia de decisão em “preto-e-branco”, com as novidades lançadas, caíram o “Globo na rede”, pela manhã, e o “Domingueira...” à noite. Esse, que substituíra o “Quintal...” em julho, não acrescentou nada.

S I N T O N I A
“Super madrugada”, com Fernando Sérgio. Tupi 1280 AM/96,5 FM– de 0h às 3h, de segunda a sábado.
“Show do Mário Esteves”. Manchete 760 AM – de 13h às 15h(*)
“Tarde Nacional”, com Hilton Abi-Rihan e Gláucia Araújo. Nacional 1130 AM – de 16h às 19h (*)
(*) De segunda a sexta




segunda-feira, 4 de março de 2013

Trivial com guarnições (12)

Estrela do “Segundo tempo”, miniprograma da Bandnews FM, José Carlos Araújo contracena com Rodolfo Schneider em torno das 11h das manhãs. Falam de assuntos do dia a dia, inclusive futebol. Na quinta-feira 28, Garotinho anunciava, nos estúdios, a presença de Sandro Gama, repórter de televisão da mesma empresa, colaborador habitual que regularmente participa de casa, por telefone.
Sandro foi concitado a tecer comentários sobre o Fluminense e o Huachipato, vencido pelo tricolor por 3 a 1, transmitido na véspera. E, o escolado profissional disse, respondendo a uma observação do Garotinho, que “o Deco sabe jogar...”, acrescentando que, “não existe jogo fácil...” (Teria sido a sua primeira experiência comentando uma partida? Obviedades, ao estilo do Sérgio Américo.)

Comprar por impulso era, nesse mesmo dia, tema do “Contraponto”, quadro de debates no “David dá show”, na Manchete, com a interatividade dos ouvintes. Ágil na condução, David Rangel animava a conversa, provocando os participantes. Depois de revelar sua compulsão por bolsas e sapatos, Teresa Godinho, integrante da equipe, ressaltou: “Dezembro, janeiro e fevereiro é (sic) o mês (sic) de risco”.


MUITO BEM
Comentarista esportivo a partir de maio passado, Eraldo Leite está muito bem na nova função. Um acerto da Globo em promovê-lo. Ele, porém, não deixou de ser repórter, um dos mais categorizados do rádio.

UMA BOA
Embora valorize os cantores e músicos que a mídia esqueceu, foi muito boa a iniciativa do Luiz Vieira de reunir em seu matinal programa, os humoristas Orlando Drummond e Ary Toledo, ainda ativos. Brilhante a participação deles em 26 de fevereiro, considerado como o Dia do Humor.

DOIS EM UM
“Seu Manuel Tamancas”, com Luizinho Campos, e “A luz da psicologia”, com Luiz Ainbinder são, inegavelmente, qualificadas atrações no “Programa Francisco Barbosa”, na Tupi. O apurado (e irreverente) humor daquele, e o alto conhecimento deste, representam momentos prazerosos.

S I N T O N I A
“Fole e viola”, com Adelzon Alves. MEC 800 AM – de 6h às 7h. (*)
“Primeira página”, com Luiz André Ferreira e Jorge Ramos. Roquette 94,1 FM – de 7h às 8h. (*)
“Dorina ponto samba”, com Dorina e Rubem Confette. Nacional 1130 AM – de 13h às 15h (*)
(*) De segunda a sexta


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Esse nosso amor antigo

53) Lendário programa esportivo, “No mundo da bola” na Rádio Nacional, está em horário novo. De 8h às 9h da noite, a partir do dia 17 último. Com apresentação de Carlos Borges e comentários de Valdir Luiz, agora é ao vivo, o que não acontecia desde 2004, após a revitalização da emissora. Era transmitido pouco antes da meia noite.
54) Criado por Antônio Cordeiro nos anos 40, é o mais longevo remanescente no Rio. O policial “Patrulha da cidade”, na Tupi, lançado uma década depois, ostenta a segunda posição em resistência ao tempo. Contar que um e outro passaram por transformações ao longo do período, seria “chover no molhado”, conforme uma expressão daquela época.
55) Sob o comando de seu criador, o programa tinha, numa fase, apenas quinze minutos de duração. Intermediava, na oportunidade, os seriados “O Anjo” e “Jerônimo, o herói do sertão”. Entre 1993 e 1994, também nos fins de tarde, com espaço bastante ampliado, teve o locutor Luiz Penido como um de seus últimos apresentadores.

56) Estrela de carnavais, ainda lembrada pelo estrondoso sucesso da marchinha “Taí!”, Carmem Miranda (1909/1955) foi nome de ponta na Mayrink Veiga. Seria a brasileira mais conhecida internacionalmente, depois de suas atuações no show business e no cinema americano.
57) A “pequena notável” brilharia principalmente no Cassino da Urca, no até hoje bucólico bairro carioca. Ela, e muitos astros da música tiveram seu campo de ação interrompido, em 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo no Brasil, e fechou todos os cassinos.
58) Depois de Carmem (portuguesa que se naturalizara brasileira), o mais conhecido artista de nosso país nos States seria Ary Barroso – de múltiplas atividades, na música e no rádio
59) Outro brasileiro de enorme sucesso por lá foi o violonista Laurindo de Almeida. Também pertenceu aos quadros da Mayrink e, igualmente à Carmem se radicalizaria na terra do Tio Sam.

60) Antes de enveredar pela vida artística, Paulo Gracindo (1911/1995) -- Pelópidas Guimarães Beandão Gracindo no registro de nascimento --, foi revisor do “Correio da Manhã”, influente jornal do Rio.
61) Sua carreira deslancharia na Tupi, sendo ele o mais marcante dos apresentadores do “Rádio Sequência G-3” participando, alternadamente, das peças e novelas da emissora.
62) Paulo Gracindo, um dos grandes nomes da história do veículo em todos os tempos. atingiu o auge no elenco da Nacional, animando programas de auditório e integrando o rádio-teatro. Foi, ainda, um bem-sucedido compositor de músicas de carnaval.
63) Produziu, em parceria com o Max Nunes, o “Balança mas não cai”, dos mais famosos humorísticos do rádio, onde fazia com Brandão Filho (1910/1998), o “Primo rico, primo pobre”. A televisão, o cinema e o teatro também propagaram a grandeza de seu talento. Num tempo em que o rádio mudara de formato, trilhando outros caminhos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ares tardios da Mantiqueira

Consagrado a são Brás, “o protetor da garganta”, 3 de fevereiro este ano caiu no primeiro domingo do mês. Dia do aniversário de Luiz de França, um dos grandes nomes do rádio contemporâneo. Tal como nos tempos em que pertencia aos quadros da Globo, foi muito cumprimentado por colegas, admiradores e ouvintes. Na Manchete, onde está há cinco anos, faz programa direto de Barbacena, Minas, sua terra natal. Um público fiel o acompanha, porém, a audiência é bastante inferior a que alcançava na emissora dos Marinho e, depois, na Tupi.
A partir do seu ingresso na rádio atual, Luiz de França passou a adotar uma linha extremamente discursiva, recheando o show com um desfile de piadas sem graça. Com a agravante de as apresentações se desenvolverem num ritmo lento, arrastado. Parece, finalmente, que os ares da Mantiqueira sopraram mais essência ao curso de suas férias recentes. Na volta, qual num passe de mágica, a letargia desapareceu, ficando a impressão que “o pescador” fez, no período, alguma experiência com o “elixir da juventude”. Salve, salve ele.

DISTANTES
No carnaval, como no futebol, as rádios Globo e a Tupi continuam se rivalizando no Rio. Este ano não foi diferente. Com equipes melhores estruturadas, distanciam-se das demais na preferência do público.
o/o A festa de Momo ofuscou o Dia Mundial do Rádio, na quarta-feira, 13. Apesar do avanço da Internet, o rádio está presente em 88,1% dos domicílios no país, perdendo apenas para a televisão, segundo a ABERT.

REPETECO
Locutor de notícias desde que trocara a Tupi pela Globo, Maurício Bastos voltou à função de plantonista esportivo. Nas jornadas, Luiz Penido tem afirmado que, “ele não dorme no ponto”. O slogan era utilizado por José Carlos Araújo ao se referir a outro Maurício (Torres), hoje na Rede Record.

TERCEIRO
Setorista da CET-Rio a serviço da Manchete, Jorge Ferreira, um veterano profissional, andou fazendo locução esportiva na Carioca e Fluminense, depois de cobrir trânsito para a Tupi. Ele reencontrou-se com o futebol. É, no momento, o terceiro na hierarquia da mais instável das emissoras do Rio.

NÃO PARA
Na sempre renovada equipe de repórteres da Tupi, Camila Esteves é um dos principais destaques, atualmente. Não será surpresa nenhuma se, logo, logo, mudar-se para a Globo. Como fizeram outras nos últimos anos. (Curioso. Nunca acontece o inverso). O Roberto Féres saberia explicar?

S I N T O N I A
‘No tabuleiro do Brasil’, com Geraldo do Norte. (*) Nacional AM 1130 – de 3h às 6h. ‘Programa Francisco Barbosa’. Tupi AM 1280/FM 96,5 -- de 9h às 12h, de segunda a sábado.
‘Tá na hora’, com Isabella Saes (*). MPB FM 90,3 – de 17h às 19h.
(*) De segunda a sexta.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lições de marketing pessoal

“Hoje você tem que competir com um bocado de gente, tem que achar seu espaço, ter oportunidade, palco, recurso financeiro, público, promoção, televisão, tudo isso foi ficando uma exigência muito maior. Ou você se profissionaliza para valer, ou... desaparece”. As declarações foram parte de uma entrevista de Gilberto Gil ao jornal “O Globo”, em dezembro último,por seus 70 anos de idade.
Quantos profissionais das artes não compartilham desse pensamento do cantor e compositor baiano, internacionalmente conhecido? Num plano de menor contexto, pode-se discorrer sobre alguns valores da música e do rádio. Artistas veteranos que a mídia deixou de focalizar e, que sobrevivem apresentando-se em casas de pouca expressão em diversos pontos do Rio de Janeiro e Brasil afora.
Há, ainda, os que mudaram de lado, transformando-se em comunicadores de emissoras medianas, como o Luiz Vieira, atualmente dono de um programa diário na Manchete.Autor de inúmeros sucessos da música popular, o “poeta-cantador” integra o elenco de astros do passado que o rádio não toca. Divulgar em seu programa as próprias músicas, foi alternativa para não cair no esquecimento.



Na terça-feira 22, em comparação a outras edições do “Eu show Luiz Vieira”, ele extrapolou. Ilustraram quadros distintos do programa, o baião “Estrela miúda”, com Marlene (70 anos de carreira); a toada “Menino de Braçanã, com Nara Leão; o samba “A voz do povo” (parceria com João do Vale), com Paulinho da Viola; e a guarânia “Paz do nosso amor”, interpretação de Lindomar Castilho.
Lições de marketing pessoal também se observa no “Segundo tempo”, que o José Carlos Araújo faz na Bandnews. Após comentar os destaques do dia, Garotinho relembra jogos que narrou e, dá o recado sobre suas atividades na Bradesco FM e na TV. Linha semelhante é adotada por Clóvis Monteiro, na Tupi, ao anunciar “O poder da comunicação”, palestras que ele e o Luizinho Campos promovem.


LINHA DIRETA
/o/ “Tupi esportes, o maravilhoso mundo do futebol”, é a nova atração do “Programa Luiz Ribeiro”. Estreou na sexta-feira 18.
/o/ O slogan “Futebol-show” da Rádio Globo foi substituído por “Futebol clube”. Lançamento na abertura do Cariocão-2013.
/o/ Rafael de França voltou a atuar na Manchete, depois de uma passagem pela CBN. Aparece, agora, nas manhãs de sábados.
/o/ O bem rodado Wellington Campos teve ampliadas, na última semana, suas atribuições. Promovido a comentarista esportivo.
/o/ Fabiano Canosa, do “Trilhas sonoras” na MEC FM, lembrado por Bernardo Bertolucci. “Um amigo brasileiro”, disse o cineasta.


S I N T O N I A
“Bom dia Globo”, com Jorge Luiz. Globo AM 1220/FM 89,5 -- de 3h às 6h, de segunda a sábado.
“David dá show”(*), com David Rangel. Manchete AM 760 -- de 10h às 12h.
“Estação cultura”(*), com Alesssandra Ekstyne. MEC AM 800 -- de 12h às 14h.
(*) De segunda a sexta-feira.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Trivial com guarnições (11)

A emissora da Rua do Russel mexe mais uma vez na sua programação esportiva. Lança agora, no Campeonato Carioca, o “Rádio Globo futebol clube”. É uma nova investida pela reconquista da audiência que mantivera durante sucessivas décadas. O alvo principal, uma geração de ouvintes que ainda não tem prefixo definido na hora das transmissões.

Clube nos faz lembrar do “CBN esporte...” com o Juca Kfouri nas noites sem jogos, que saiu da grade há dois anos, cedendo lugar ao “Quatro em campo”, pilotado por André Sanches. E, do “Painel futebol...” no “Programa Luiz Ribeiro” na Tupi, às sextas feiras, mesmo horário, desde que o espaço do outro foi abolido. Meras coincidências, ou...

O SONÂMBULO
Estava no ar o “Edifício A Noite”, normalmente com o Cirilo Reis na Rádio Nacional. Primeiro dia do Ano Novo, uma voz estranha, de entonação idem substituía o titular. Depois de anunciar o noticiário (‘Nacional informa’), ele emendou um “...para o seu deleite.” (Que informativo tem isso?)

COPA DO SAMBA
Ao anoitecer dos últimos sábados e domingos, no recesso do futebol, Eugênio Leal tem apresentado na Rádio Tupi, a “Copa do samba”. Uma original competição entre componentes das escolas que super-dimensionam o carnaval do Rio – “o maior espetáculo as terra”, conforme os adeptos.

NOVELAS VOLTAM
As novelas estarão de volta às rádios Nacional e MEC este ano. Segundo o gerente-regional da EBC no Rio, Cristiano Menezes, o projeto lançado de 2011 teve boa aceitação. Notícia divulgada no sábado 29 de dezembro no “Rádio em debate”, que discute o papel das emissoras públicas.

CHORO LIVRE
Falando delas. “Roda de choro” é um ótimo programa da MEC AM, às 5 horas das tardes nas terças-feiras. Seu apresentador e produtor é João Carlos Carino, um estudioso da matéria. Pena que ele ainda use a velhíssima chapa do “Vamos ouvir...” “Acabamos de ouvir”... Coisa inacreditável.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O moderno primo pobre


A edição final do “The Voice Brasil” propiciou um programa especial na Rádio Globo, a exemplo do que ocorrera por ocasião do último capítulo da novela “Avenida Brasil”. Em ambos os casos, ficou evidenciado que o rádio está cada vez mais refém da televisão. Na cobertura do reality show foram mobilizados repórteres no Projac, enquanto profissionais da música nos estúdios da Glória, analisavam o desempenho dos concorrentes. O comunicador Alexandre Ferreira comandara as ações, o que fizera também na vez anterior.
Num domingo sem futebol, iniciativa até certo ponto válida. A dose de oportunismo assemelhou-se à da cobertura no encerramento da novela. Isso não significaria a perda progressiva da verdadeira identidade do rádio? Moderno, provido de gente talentosa, recursos de alta tecnologia, o veículo não deixa de ser o primo pobre da comunicação. Que programa se faz no rádio atual que repercute na telinha, tendo ele a prerrogativa de pertencer a um mesmo grupo? Dificilmente os cardeais do ramo vão encontrar algum.

VELHO APELO
“Almanaque carioca”, um bem qualificado programa da MEC, abriu espaço para pedidos musicais dos ouvintes. Amauri Santos, dos melhores valores do rádio moderno surpreende, lançando mão de coisa tão batida.

DOSE CERTA
Programas do gênero são mais antigos que andar pra frente. Honrosa exceção é o “Planeta Rei, nas ondas da Globo”, que o Beto Britto personalizou, dando voz aos interessados nos temas que o rádio esqueceu.

BOM RAPAZ
Ao referir-se a um dirigente do Fluminense, que classificou de inteligentíssimo, o executivo de rádio (jornalista atuante), chamou-o de “rapaz jovem”. E repetiu a expressão. No “Globo esportivo”, sexta-feira 7.

LINHA DIRETA
/o/ É da Tupi o mais novo comunicador do Rio, Cristiano Santos. Cobriu no “Baú...”, as férias do Jimmy Raw.
/o/ Isabella Saes trocou a Paradiso pela MPB FM. Concorre, agora, com a “Hora do blush”, de que participava.
/o/ O repórter Carlos Eduardo, (Cadu), requisitado para a equipe da Bradesco Esportes. Atuava na Tamoio.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Cronologia de um balanço

A fase de ouro do rádio perdeu muito do seu brilho com o advento da televisão. (Bota tempo nisso!) O rádio, porém, ainda é reverenciado por sua importância e representatividade. Brasileiro não vive sem ele -- costuma proclamar uma figura exponencial de suas fileiras. No passado, artistas e programas eram presenças freqüentes nas colunas de jornais, páginas da “Revista do Rádio” e “Radiolândia”.

Em proporção semelhante à das especializadas da atualidade no que tange ao universo da TV, que encantou (e tem encantado) gerações. Naquelas publicações, constituíam-se em fato comum nos fins de ano, as listas de melhores desse nonagenário, mas moderno meio de comunicação. À moda de tais revistas aí vão, a nosso juízo, os programas e seus titulares, merecedores de crédito neste 2012.

1.“Show da manhã”, com Clóvis Monteiro, de 6h às 9h -- Tupi.
2.“Eu show Luiz Vieira”, de 6h às 8h -- Manchete.
3.“Jornal da Bandenews", com Ricardo Boechat, de 7h30 às 10h30 -- Bandnews Fluminense FM.
4.“Redação Nacional”, com Neise Marçal, de 8h às 10h -- Nacional.
5.“Manhã da Globo”, com Roberto Canázio, de 10h15 às 13h -- Globo.
6. “Show do Mário Esteves”, de 13h às 15h -- Manchete.
7. “Arte em revista”, com Jota Carlos, de 18 às 19h -- MEC.
8. “Programa Luiz Ribeiro”, de 20h às 21h55 -- Tupi.
9. “Palco MPB”, com Fernando Mansur, às terças, de 21h às 22h -- MPB FM e,
10. “Época de ouro”, com Cristiano Menezes, às sextas, de 17h às 19h -- Nacional.

MENÇÃO HONROSA
“Show do Apolinho”, com Washington Rodrigues, de 17h às 19h. Dos 13 anos na Tupi, mantém-se na liderança há 7.
N. R. -- O rádio atual é pobre em criatividade, onde a mesmice predomina. Apesar disso, há outras coisas interessantes para o ouvinte.

AS NOVIDADES
1. José Carlos Araujo deixava a Globo em maio, e Luiz Penido assumia o posto. Na Tupi, o Jota Santiago passava à condição de titular.

2. Inaugurada em setembro, Bradesco FM tinha, na qualidade de som, o primeiro obstáculo. Transamérica estreitava o mercado.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Esse nosso amor antigo


44) Um bom cantor de músicas do “meio de ano”, e de carnaval -- que tanto incentivava – era outra face do César de Alencar (1917/1990), o mais famoso animador de auditório nos anos gloriosos da Nacional. Embora não se considerasse com a qualidade que os cronistas apregoavam, ele gravou mais de 50 discos de 78 rotações, a maioria como solista, outros, em dupla com cantoras, suas companheiras de estação.
45) Destaques no repertório: “Dorinha, meu amor”, de José Francisco de Freitas, sózinho; “Os quindins de Yayá”, de Ary Barroso, com Emilinha Borba; “Namoro no portão”, de Luiz Bitencourt, com Marlene; e “Há sinceridade nisso?”, de Manezinho Araújo, com Heleninha Costa.
46) Grandes nomes do estelar cast da rádio desfilavam na melhor fase de seu programa, décadas de 40/50 e início dos anos 60. As audições se desenvolviam aos sábados, de 3h da tarde às 7h da noite. Durante algum tempo, o desfecho era sempre com Emilinha, a estrela-maior, anunciada como “a minha, a sua, a nossa favorita”.
47) César não só animava aquela atração. Era o idealizador de todos os quadros e, quadrinhos, que chamava de inter-programas Em etapas distintas, foram seus produtores o Hélio do Soveral (que trabalhou com ele 16 anos) e Fernando Lobo. De autoria de Haroldo Barbosa, a música e letra da abertura e encerramento, interpretadas pelos Quatro Ases e um Coringa: (“Essa canção nasceu pra quem quiser cantar/Canta você, cantamos nós até cansar/É só bater e decorar/Pra decorar, vou repetir o seu refrão/Prepare a mão, bate outra vez/Esse programa pertence a vocês!...”)
48) Houve um período em que o programa também despertava a atenção de artistas estrangeiros que vinham ao Rio para shows no Cassino da Urca. Eles se sentiam na obrigatoriedade de se apresentarem naquelas tardes da Nacional, apesar do alarido comum ao ambiente.
49) A partir de abril de 1964, uma revirada na vida do radialista, que ficaria muito mal na história. Ele seria dispensado da estatal pelo governo militar, integrando um grupo de 36 pessoas, entre artistas e funcionários. O animador teria, segundo os jornais da época, apontado alguns colegas como subversivos, adeptos da “esquerda festiva”.
50) César, que teve início brilhante na Clube do Brasil em 1939, e consagração na Rádio Nacional, no ostracismo foi parar na Federal de Niterói, do sanfoneiro e compositor Antenógenes Silva, que, vendida ao grupo Bloch Editores, virou Manchete. Baixada a poeira, ele voltaria à tradicional emissora. Fez um programa no esquema “vitrolão” e gerenciou o FM da empresa. Desse, rebatizado como RPC, originou-se o FM O Dia.

51) “Fãzoca do Rádio”, marchinha de Miguel Gustavo(1922/1972) foi um grande sucesso do palhaço Carequinha, que também gravou músicas infantis. Nascido em Rio Bonito com seu nome de George Savalla (1915/2009), foi animador de um concorrido programa de auditório na Rádio Mapinguary, antes da carreira no circo e obter sucesso na televisão (TV Tupi).
52) O programa era aos domingos, de manhã. A emissora funcionava no centro de São Gonçalo, cidade onde Carequinha morou em seus 90 anos de vida. Primeira rádio a ser comprada pela Igreja Universal, a Mapinguary tornou-se Copacabana ao se mudar para o Rio.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Rio, a tábua de salvação

Uma semana depois de trocar sua liderança esportiva a Globo tratava de modificar os programas do gênero, abrindo mais espaço aos clubes cariocas nas apresentações. Corria o mês de maio, quando Luiz Penido assumira o posto que era do Garotinho José Carlos Araújo. Passados cinco meses, uma nova reforma, desta vez abrangendo o “Liga dos trepidantes” (recém-criado), e o “Enquanto a bola não rola”, com o mesmo tempo de grade que o “Panorama...”

Em time que está ganhando, não se mexe – é voz corrente. Se a Globo promove uma remexida nas suas atrações, igualando sua diretriz à da maior concorrente, é porque errou na estratégia, não alcançando os resultados que esperava com a mudança de líder. Pode-se depreender que, o projeto “Globo Brasil”, da administração anterior não tenha surtido o efeito desejado. Isso é tão certo que, no campo esportivo – o mais forte da casa – foram grandes os estragos.
E, enquanto se mexe aqui e acolá, os índices da concorrência continuam crescendo. Tirando, naturalmente, o sono de quem procura reconquistar a audiência perdida. Imagina-se as ‘caras e bocas’ com a liberação do último boletim do Ibope. E a cena de entrega do bastão pelo executivo que saiu. No íntimo dos rivais (sempre à espreita) deve ter ecoado em back ground, como paródia, o samba do Paulinho da Viola dizendo: “Foi um rio que passou em sua vida...”

OUTRA PRAIA
Na Rádio Nacional aos sábados, antes do futebol, tem o “Sintonia total”. Músicas de diversas épocas e gêneros, selecionadas por Sérgio Natureza, que coordena o setor. Condução do comentarista esportivo Valdir Luiz, positivamente fora de sua praia. Mais burocrático, impossível

MARAVILHA
Pelas 10h e meia da manhã e 4h e meia da tarde na mesma emissora, Luiz Augusto Gollo apresenta “Porto maravilha”, de segunda a sexta. Ele assina a produção do programete de cinco minutos (com boa feitura), em que entrevista autoridades sobre as obras no entorno do Porto do Rio.

PATO NOVO
O clima ficou pesado nos bastidores da Rádio Manchete, no feriado, dia da Proclamação. Durante o programa do Luiz Vieira, no quadro “Gente que brilha”, o operador não acertava as músicas a serem tocadas. Parecia ‘pato novo’. Sempre bem-humorado, Vieira irritou-se com o auxiliar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Esse nosso amor antigo

36)Locutor esportivo da Rádio Jornal do Commercio do Recife no começo de carreira, Antônio Maria ingressava na Mayrink Veiga ao mudar-se pro Rio. Ali, foi produtor de programas humorísticos, um dos exemplos, o “Regra de Três”, de que participavam os principais comediantes do cast -- Zé Trindade, Nanci Vanderlei, Altivo Diniz etc., etc.
37)Já compositor, projetaria seu nome com os sambas-canções “Ninguém me ama” e “Menino grande”, gravados por Nora Ney, componente do elenco da Nacional. No repertório de Antônio Maria, o comum eram as chamadas músicas de fossa, nenhuma tão dramática quanto a intitulada “Se eu morresse amanhã”, que Diricnha Batista perpetuou num elepê. Das exceções ao estilo, “Valsa de uma cidade”, hino ao Rio de então, parceria com Ismael Neto, líder de Os Cariocas.
38)Bem o demonstram seus versos iniciais: “Vento de mar no meu rosto/e o sol a queimar, queimar/Calçadas cheias de gente, a passar/e a me ver passar/Rio de Janeiro, gosto de você/Gosto de quem gosta/deste sol, deste mar, desta gente feliz...”
39)Boêmio de carteirinha, Maria foi colaborador de “O Globo”, “O Jornal” e “Última Hora”. Através da seção “Mesa de pista”, no primeiro, relatava os bastidores dos shows nas boates da moda. Ele cunhou a frase “A noite é uma criança”, lembrada com frequência nas rádios e outros meios de comunicação. Contraponto para uma do Jacintho de Thormes, colunista social do “UH”: ”À noite, todos os gatos são pardos”.
40)Antônio Maria foi um dos grandes nomes do rádio que migraram para a televisão. Fez parte dos quadros da TV Tupi como apresentador e, depois, exercendo o cargo de diretor. Morreu cedo, antes dos 50 anos.

41)Católicos praticantes não deixavam de acompanhar nas sextas-feiras da Semana Santa, “A vida de nosso senhor Jesus Cristo”, radiofonização da Bíblia. Considerada uma obra-prima de Giusseppe Ghiaroni, envolvia todo o elenco da Nacional, formado por cerca de oitenta radioatores.
42)Dirigida por Floriano Faissal, com narração de César Ladeira, locução de Aurélio de Andrade e Reinaldo Costa, a peça era apresentada em capítulos ao longo do dia. Pela grandiosidade, pode-se compará-la ao romance “Em busca do tempo perdido”, do escritor Marcel Proust.
43)Ghiaroni, integrante do quadro de novelistas, autor de poemas e sonetos, também escrevia programas de humor. O mais conhecido deles foi “Tancredo e trancado”, personagens do Brandão Filho e Apolo Corrêa respectivamente, com a participação de atores coadjuvantes. Era uma das muitas atrações apresentadas aos domingos no “Programa Luiz Vassalo” – nome de um publicitário avesso a microfone.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Os nós difíceis de desatar

Setoristas da CET-Rio e da Polícia Rodoviária na Ponte Rio-Niterói ainda vão, por um tempo que não se pode prever, informar aos ouvintes de rádio no seu dia a dia, que “o trânsito está complicado”. Enquanto as chamadas autoridades constituídas não se tocarem para a gravidade do problema que só tem piorado nos últimos anos, tal rotina, inevitavelmente, prevalecerá.
Em plena ebulição, a indústria automobilística estará contribuindo com o caos urbano, observado nas cidades que não se planejaram para receber o crescente volume de veículos em circulação. Com o andar das coisas, os endinheirados tendem a se locomover de helicóptero. As pessoas comuns, que pagam seus impostos, continuarão tolhidas no direito de ir e vir.
Uma radiografia do tema foi feita na série de reportagens “Nós no trânsito”, no Globo, assinada pelos jornalistas Fábio Vasconcellos e Selma Schmidt. Depois dela, urbanistas são desafiados a se mexerem, em busca de solução viável. Difícil imaginar, porém, quando isso vai ocorrer, levando-se em conta que, coisas do interesse coletivo não se resolvem sem demora.

/o/ Em 27 de outubro, há um ano morria o locutor e comentarista esportivo Luiz Mendes, fundador da Rádio Globo. Ele criou na televisão a primeira mesa redonda – “Grande resenha esportiva Facit”. O slogan “comentarista da palavra fácil”, ganhou do Carlos Marcondes, na Continental, onde começou a exercer a função.

/o/ Dos campos de futebol (era meia-atacante do Botafogo), para a condição de repórter. Dé, o Aranha, trabalhou nas duas principais emissoras cariocas, fazendo “ponta” nas equipes do Valdir Amaral e Doalcei Camargo. Técnico em anos posteriores, é o mais novo comentarista do rádio. Vem se destacando na Bradesco.

Sem amarras

Heloísa Fischer, da “Viva a música”, revista especializada tinha fincado raízes na Rádio MEC. Trocou a velha estação da Praça da República por emissora da Rua do Russel. A CBN colocou a Fischer na sua grade.
... Peixinho é
Filho, sobrinho e neto de radialistas. Comunicador desde 2006, aos 19 anos de idade. Também sonoplasta. Seu nome: Rafael de França. Ele fechou contrato com o Sistema Globo. É, agora, noticiarista da CBN.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A ditadura de mercado

“Rádio, o veículo de maior credibilidade no Brasil”. O ouvinte habitual sabe a quem pertence a frase que proclama essa definição. E, em assim sendo, não precisamos declinar o seu nome. É – está escrito nas entrelinhas – um ícone no ramo que abraçou, o futebol. Quando faz aquela afirmativa nas transmissões, certamente ele se baseia em alguma pesquisa.
Não iria dizer tal coisa apenas por ser um apaixonado pelo rádio, ter construído sua vida nele, tornando-se um dos mais bem-sucedidos profissionais do meio. Todos que tem a mesma paixão pensam de modo igual -- no exercício da profissão ou na condição de ouvinte. O crédito atribuído ao veículo atinge alguns setores, não encontrando ressonância em outros.
Jornais e revistas, por exemplo, raramente elaboram pauta visando abordar o tema e, nas poucas vezes que o fazem, é através dos colunistas de notas. Forçado pela magia da TV a se modificar, o rádio perdeu para ela valores nas cotas de publicidade, mas vive citando a co-irmã que não lhe dá a mínima. Num confronto à parábola dos primos – é o pobre a cortejar o rico.
Falar de TV no rádio, na ótica do observador atento, uma boa justificativa para os profissionais que atuam nos dois veículos. No caso dos que trabalham somente no primeiro, percebe-se que as coisas da telinha representam consideráveis pontos na audiência. Por uma questão de mercado, comunicadores não desprezam o trunfo precioso. Mais claro, só água na fonte.

T R I V I A I S
/o/ Monique Dutra, repórter, virou conselheira de moda no “Show do Apolinho”.
/o/ Comunicador que se revelara em 2006, Rafael de França saiu da Manchete.
/o/ Antes dele, nada menos que sete profissionais deixaram a estação este ano.
/o/ Ciro Neves, que era de lá, aplica sua versatilidade em atuações na Bradesco.
/o/ “Agito geral”, sábados à noite na Globo, não tem mais um apresentador fixo.

OUVIR FAZ BEM
De 2ª a 6ª _/ “Sílvio Samper show”. Tupi AM 1280/FM 96,5. De 3h às 6h da manhã -- “Ponto do samba”, com Dorina e Rubem Confette. Nacional AM 1130. De 1h às 3h da tarde – “Pop bola”, com Toni Platão e outros. MPB FM 90,5. De 8h às 9h da noite _/

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Trivial com guarnições (10)

Em seu programa na Globo todas as manhãs o Antônio Carlos pergunta a Juçara Carioca sobre a novela das nove: “E, aí Juju, assistiu o capítulo de ontem, ou não assistiu?” Na Tupi o Clóvis Monteiro segue o ritual, fazendo indagação parecida ao Washington Rodrigues, logo depois do segundo tempo de “Geraldinos & arquibaldos”, panorama com as últimas do futebol.

Juju invariavelmente detona os personagens que não lhe agradam. Apolinho ironiza as figuras do folhetim, não escapando, inclusive, o título. Embora deem ao produto um tratamento semelhante, os pontos de vista nunca coincidem. Resumo da opereta, transmitida nas matinais nossa de cada dia: gente do rádio comenta novela de TV do modo que mais lhe convém.

Três na área
Com edições às 10h, 18h e 20h de segunda a sexta, “Nossa área” é o principal programa da Bradesco Esportes. Jorge Eduardo, José Carlos Araújo e Gilson Ricardo, respectivos apresentadores.

Do outro lado
São os diretos concorrentes nas emissoras de maiores audiência, “Show do Apolinho” e “Globo esportivo”, segundo horário. “Programa Luiz Ribeiro” e “Botequim da Globo”, no terceiro.

Era uma vez...
“O tempo passa, o tempo voa/E a poupança Bamerindus continua numa boa”. O anúncio, veiculado nas emissoras de rádio e TV, saiu de circulação com a quebradeira do banco. (E, bota tempo.)

Vento não levou
Remonta àquele período a programação atual da JB FM. Somente “Couvert artístico”, aos sábados à tarde, e “O melhor do Brasil”, aos domingos de manhã, justificam a permanência.

OUVIR FAZ BEM
“Tarde Nacional”, com Hilton Abi-Rihan e Gláucia Araújo. Nacional 1130 AM, de segunda a sexta, às 16h. /o/ “Vai dar samba”, com Miro Ribeiro. Manchete 760 AM, nas noites sem futebol, às 22h. /o/ “Companhia do riso”, com Luizinho Campos. Tupi 1280 AM/96,5 FM, aos sábados, 22h.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Esse nosso amor antigo

27) Em dezembro de 1944 ocorria, no Rio, a inauguração da Rádio Globo. Seus primeiros contratados: Rubens Amaral, Luiz Mendes, Luiz de Carvalho e Daysi Lúcidi. No prefixo até então pertencente à Transmissora, que encerrara um ciclo, foi onde a Globo passou a operar.

28) E, só conquistaria o grande público quase dez anos após o seu surgimento. Quando isso aconteceu, predominou por, seguramente quatro décadas. Nela atuaram, entre outros, os irmãos Luiz e Raul Brunini, que contribuíram bastante para o crescimento da emissora.

29) O responsável por seu longevo sucesso, ninguém menos que Mário Luiz (Barbato). Apresentador do “Pré-parada musical”, na matriz e, do “Tarde musical esportiva Antarctica”, dominical na Eldorado, ele implantaria na Tupi, nos anos 90, programação semelhante.

30) Dentre os muitos que passaram pela emissora em fases distintas, um Gagliano Neto, Doalcei Camargo, Benjamim Wright e Affonso Soares, nos esportes; Paulo Moreno, Jonas Garret e Roberto Muniz, variedades – habitantes do planeta dos esplendores.

31) De um tempo menos distante, bom relembrar a esplendorosa carreira do Adelzon Alves, unanimidade no horário da madrugada com um programa dedicado ao samba, seus intérpretes e compositores, hoje na MEC e Nacional AM. Paulo Giovanni, publicitário há alguns anos radicado em São Paulo, foi outro nome que se projetou na Globo, depois de uma passagem pela Tupi, tendo iniciado carreira em Petrópolis.

32) Terceira emissora a ser fundada no país, a Rádio Clube do Brasil foi um celeiro de artistas. Valores que nela despontaram, migrariam mais tarde para uma Tupi, Mayrink ou Nacional, que formavam na linha de frente da radiofonia do Rio de Janeiro, capital cultural.

33) Nos corredores do Edifício Trianon, na Avenida Rio Branco, endereço da rádio, era comum, por exemplo, se cruzar com o Almirante, (“Incrível, fantástico, extraordinário”), Renato Murce (“Papel carbono”), Lauro Borges e Castro Barbosa (“PRK-30”), Arnaldo Amaral (“Pescando estrelas”), Aérton Perlingeiro (“Um show para milhões”).

34) A Clube do Brasil se transformaria na Mundial nos anos 60. Acabavam os programas de auditório. No lugar, surgiam os disc-jockeys (animadores de estúdios, apresentando discos, em vez de cantores ao vivo).

35) Surgiam na ocasião o Big Boy (“Hello crazy people”), Elói de Carlo, Oduvaldo Silva, Robson Alencar, Alberto Brizola, e outros mais. Nas chamadas, Carlos Bianchini acionava o sistema de equalização, com renovado estilo de vinhetas. “Muuundi-jovem!...” Uma febre entre os adolescentes -- teen-agers segundo os DJs.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hebe, estrela não apaga

A morte de Hebe Camargo (83 anos), na madrugada do último sábado, foi tema de especiais na Rádio Globo – no “Boa tarde...”, do Alexandre Ferreira, e no “Agito geral”, com Maurício Bastos. Estrela maior da televisão, de que foi uma das pioneiras, Hebe começou como cantora na Rádio Tupi de São Paulo, depois de se apresentar em programas de calouros, formando dupla com a irmã Florisbela. Quando gravou o primeiro disco, aos 15 anos, passou a ser “A moreninha do samba”.
Hebe participou também da inauguração da Rádio Nacional, que pertencia à Organização Vitor Costa, mais tarde incorporada ao Sistema Globo. Ali, conheceu Sílvio Santos e Carlos Alberto Nóbrega, que viriam a ser seu patrão e colega no SBT, emissora onde atuou por nada menos que vinte e cinco anos. O auge da carreira, no entanto, aconteceu na sua temporada na TV Record, com um programa aos domingos. Entre outros astros da emissora, na ocasião, o Blota Júnior e Sônia Ribeiro.
O sofá instalado no auditório em que recebia os convidados era extensão das salas dos telespectadores. A fama conquistada na TV não a afastou do rádio, sua origem. De 1960 a 1979, trabalhou na Jovem Pan e na Rádio Mulher e, num curto período em 1990, na Rádio Nativa, fazendo de casa, um programa diário. Depois da TV Tupi, mudou-se para a Paulista (que se tornaria, posteriormente, a Globo de lá), uma das poucas em que não esteve, mesmo caso das extintas Rio e Excelsior.
Tal como Abelardo Barbosa, o Chacrinha, outro originário do rádio, Hebe Camargo foi uma estrela que não se apagará da memória de gerações no país. A doença contra a qual lutava desde 2010, não tirou seu espírito alegre e otimista, com que preenchia o imaginário do público. Chacrinha e Hebe eram únicos. Foram autênticos fenômenos na área do entretenimento. Dificilmente surgirá nos meios de comunicação alguém que a eles se possa comparar em seu legado.

Em rebuliço
A entrada em operação da Bradesco Esportes FM agitou os bastidores da concorrência no Rio. O rádio precisava, há muito, de uma sacudidela. Com peças desgastadas na engrenagem, estacionou nas últimas décadas.
Coincidências
Em 1° de dezembro de 1984, na volta para a Globo, Garotinho transmitia o jogo do Flamengo e Fluminense. Quando saía de lá em 13 de maio, também. Domingo passado, em sua estreia oficial na nova rádio, outro Fla-Flu.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O 2° tempo do Garotinho

Quatro meses e meio depois de se despedir da Globo, José Carlos Araújo, o Garotinho estreia na Bradesco Esportes FM. Comanda no Copacabana Palace a solenidade de lançamento da rádio, que começa a operar às 8 horas da noite desta quarta-feira 26, com Flamengo e Atlético-MG, no Engenhão, adiado da 14ª do Brasileirão. Gilson Ricardo transmite o jogo.
A nova rádio, primeira dedicada a diversas modalidades esportivas, representa um desafio na vida profissional do narrador. Para ele -- e os dissidentes da Globo --, uma espécie de segundo tempo, encerrado o intervalo em que ficaram na Bandnews Fluminense, prazo da transição. A Bradesco Esportes entra na freqüência dos 91,1 vinculada, até então, à Diário de Petrópolis.
No mês em que se registra os noventa anos da implantação do rádio no país, oportuno o lançamento de uma emissora segmentada. Com a medida, abrem-se os caminhos da renovação no veículo, carente de alternativas contra a mesmice. O modelo, porém, é inspirado na ESPN, da menos idosa TV, que o criara há seguramente duas décadas, motivando canais concorrentes.
São destaques na equipe do José Carlos Araújo, o Garotinho, os ex-globais Gérson Canhotinha, Gilson Ricardo, Jorge Eduardo e Bruno Cantarelli. Complementam o grupo, Wellington Campos, Freitas Neto, Bruno Volloch, Rodrigo Machado, Luiz Renan, Rafael Luna, Danielle Speron, e outros, que foram especialmente contratados para o desenvolvimento do inovador projeto.

T r i v i a i s

/o/ CBN tem novo intervalo nas transmissões esportivas. “Melhores momentos”, nome nada original, é de boa feitura. Francisco Ayello faz a mediação.

/o/ Marcos Martins, da safra recente de valores, trocou a Tupi pela Transamérica. Destino seguido anteriormente pelo Mauro Santana, de igual origem.

/o/ A mesa dos debatedores do “Globo esportivo” ganhou um reforço, no início do mês. É o jornalista Sérgio Du Bocage, com longa rodagem na TV Brasil.

/o/ O “fantasma” Tamoio rondando os bastidores da Manchete. Cassiano Carvalho foi mais um a deixar a casa, e acertou seu ingresso na equipe da Tupi.

/o/ Inaugurado no centenário da República, o rádio teve pouca celebração em seus 90 anos. Brilhante o trabalho da Natália Toledo na Globo, pela passagem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dos jargões às “muletas”

Em cada profissão, uma linguagem. O economista tem a sua, o advogado, médico, engenheiro, e jornalista idem. Ninguém precisa ser um sábio para dispor desse conhecimento, uma vez que, cultura e perspicácia, não dependem de formação superior. A fala peculiar de uma classe, no entanto -- o chamado jargão –, só os que circulam no meio entendem. Quem não pertence ao grupo, vendo-se diante da conversa entre seus integrantes, ficará naturalmente por fora, “voando”.
Atividade paralela ao listado por último, radialista é um caso especial. Na comunicação diária com os seus ouvintes, ele deixa para os mais atentos, ditos e frases que movem a engrenagem dos veículos em que atuam. Formador de opinião, não lhe basta funcionar como reflexo do público a que serve. Rádio, uma paixão para os que o fazem, é também para outros, que um dia sonharam nele trabalhar. Sua linguagem em tempos remotos era mais substantiva, rica até – sem nenhum exagero.
Nos anos recentes – era contemporânea, segundo os teóricos – se por um lado, o rádio avançava com tecnologia de alta geração, por outro, mergulhava num processo de empobrecimento, notadamente nas emissoras populares. Essa pobreza, porém, se observa no comportamento de alguns profissionais, denominados nos próprios bastidores, como “os sem jogo de cintura”. São aqueles de recursos e vocabulário limitados, que somaram anos de carreira, mas não progrediram.
Apesar disso, há os que se dão muito bem com a audiência, em maioria nada exigente e pouco esclarecida. Evidentemente, antes de anunciar uma atração para o seu público, eles lançam mão do inevitável “daqui a pouquinho”. Ou: “Na rádio x você fica bem informado”; “na rádio y você fica m u i t o bem informado”, para o convencer que a casa em que trabalha é a tal. E, no esporte: “Aqui, fulano faz a melhor cobertura do Flamengo”; “aqui, futebol tem mais emoção” etc., etc.
O ouvinte de rádio imbuído de senso crítico, percebe que as expressões utilizadas exaustivamente abrem caminho para o esgotamento da audiência qualificada. Sendo um entusiasta da comunicação dinâmica, criativa, séria e divertida, ele “vê” as repetições ultrapassando os limites do suportável. Há que se repensar no atual modelo, buscar alternativas. O “é isso aí” não saiu de moda? Encheu as medidas. “Falamos desde ...”, também não saiu? Reciclar, é urgentemente preciso.

OUVIR FAZ BEM
De 2ª a 6ª _/”Alô Rio”, com Hilton Abi-Rihan, Nacional 1130 AM, às 8h -- _/”Almanaque carioca”, com Amauri Santos, MEC 800 AM, às 14h -- Terças _/”Palco MPB”, com Fernando Mansur, MPB 90,3 FM, às 21h.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A rima que está faltando

O radinho da empregada doméstica bem próxima está sempre numa única sintonia. Por isso, e por outro motivo sabemos de cor a programação da emissora. Todos os dias a vinheta de passagem afirma: “Vem aí mais um programa com o padrão de qualidade da sua Rádio Globo!” Terminado o sábado, na manhã seguinte sem Fórmula Um, o que tem? “Domingo na Globo!”
Há alguns anos com o Jorge Luiz, o programa é do tempo do saudoso Antônio, também Luiz. Depois da jornada esportiva, a vinheta anuncia: “(...) Domingueira da Globo!”, produção recente. Qualidade rima com criatividade. Pelo exposto nos títulos, a rádio está em dívida com o público esclarecido. Domésticas em geral, e leigos em particular, não farão qualquer tipo de cobrança.
Quando um programa cai, por baixa na audiência ou dispensa do apresentador, sucessivas reuniões são realizadas para a elaboração de um substituto. Desses encontros na Rua do Russel com tal finalidade, foi isso que resultou? À noite um “Domingueira...” se já havia de manhã na casa um “Domingo...” Nem parece existir, no meio, pessoas competentes e talentosas.
Para ninguém dizer que não falamos de flores -- lembrando Geraldo Vandré. De muito boa feitura o “Papo de domingo”, entrevistas do Fábio Azevedo com figuras do esporte. Se os produtores do “Domingueira...” recorreram ao arquivo, nada demais. O nome do quadro remonta a um programa do Loureiro Neto, versão do “Papo de botequim”, que surgira em novembro de 1998.
O “Papo...” também fora aproveitado pelo Kleber Sayão na Manchete. Na briga pela audiência, ela se espelha nas concorrentes, Globo e Tupi, pautando sua programação. Copia o modelo. Um exemplo disso é o “Tarde total”, a partir de 2008, em cima do “Tarde legal”, que a primeira descartara. E, no horário, uma sequência de programas com nomes iguais ao da segunda.
Sobre a vinheta mencionada acima, uma singular coincidência. Antecipando-se à Globo, rodando há mais tempo ali nos 800 Khz, a cada audição, coisa parecidíssima. Diz a mensagem: “Este foi mais um programa com a qualidade da sua Rádio MEC!” O Papa da Comunicação Abelardo Barbosa, pelo que se ouve, jamais será esquecido. Oremos... “Ave-Chacrinha que está no céu!...”
OUVIR FAZ BEM
-- “Redação Nacional”, com Neise Marçal, Nacional 1130 AM, às 8h, de segunda a sexta. -- “Momento de jazz”, com Nelson Tolipan, MEC 800 AM, às 22h, segundas, quartas e sextas. -- “O melhor do Brasil”, com Alexandre Tavares, JB 99,7 FM, às 9h, aos domingos.