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sábado, 24 de abril de 2021

 

Esse Nosso Amor Antigo

OS BACHARÉIS DO DISCO

O modelo ‘música, exclusivamente música’ na metade dos anos 50 na Tamoio foi criação de José Mauro, um dos principais produtores de programas de rádio na fase áurea da Nacional. Seu lançamento se dera quando ele havia se transferido para a Tupi em 1955, onde também exercia o cargo de diretor-artístico. A Tamoio era, na então capital do país, a segunda emissora pertencente aos Diários Associados.

 

Os profissionais reunidos para o projeto foram batizados de Os Bacharéis do Disco, sendo eles os discotecários e programadores Paulo Gesta, Aírton Amorim, José Kosinsky Cavalcanti e Dymas Joseph, os locutores Jair Amorim e Ney Hamilton. O narrador de futebol Vitorino Vieira, que integrava a equipe da Tupi, era outro componente do grupo, apresentador de um programa semanal de músicas norte-americanas.

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A principal atração do modelo seria Músicas na Passarela, entre as 4h e 6h da tarde. Colocadas em votação para os ouvintes escolherem as melhores, as canções eram identificadas por cores, alguns matizes até então desconhecidos. Ney Hamilton, o apresentador daquela parada diária, o carro-chefe da casa, ainda comandava aos domingos, o Musical Consagração, com os discos de maior vendagem.

 

Discos na Vitrine e o Discos de Ouro foram outros destaques na Tamoio. Jair Amorim, que os conduzia, comentava as novidades do mercado fonográfico no primeiro e, no segundo, o que considerava de qualidade irrepreensível. Originário da Rádio Clube do Brasil, o capixaba Amorim era também um compositor bem-sucedido. Fez letras para músicas de José Maria de Abreu, Alcyr Pires Vermelho, Dunga e Evaldo Gouveia,  sucessos do Dick Farney, Cauby Peixoto, Anísio Silva, Altemar Dutra, Lana Bittencourt, entre outros.

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A Tamoio, conforme a Revista do Rádio e Radiolândia – publicações da época – chegou a encostar na audiência da Nacional, líder na maioria dos horários. Como num poema de Vinícius de Moraes, esse amor do público que lhe dava sustentação, ‘foi bom enquanto durou’. Os sintonizadores deixaram de ouvi-la, ao descobrir a Mundial,   proposta  nova. Big Boy, Robson Alencar, Elói de Carlo, Alberto Brizola e outros com sua juventude, começavam ditar a moda (ou traduzindo-se), a  ‘tirar um sarro’.

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Ondas&Ondas.Com

/o A Super Rádio Tupi alcançou a liderança geral de audiência das FMs no Rio, com marca acima de 200 mil ouvintes por minuto, levantamento do Kantar Ibope Média relativo ao último trimestre. Melodia é vice-líder, terceira colocada JB, quarta O Dia e quinta 93 FM (93,3). Em sexto lugar situa-se a Globo, em sétimo a Mix, oitavo SulAmérica Paradiso, nono Catedral e em décimo a BandNews.

/o Com a troca, no início do ano, de Cristiane Almeida por Thiago Gomide na   presidência  da Rádio Roquette Pinto, o ouvinte esclarecido perdeu. Um exemplo. O Rio em Pauta, com Ermelinda Rita não é melhor que Conexão RJ, antecedente apresentado pelo Raphael de França, com Ricardo Alexandre e Luchia Araújo na produção. A política da emissora não atende bem o lado cultural da coisa, concentrando-se mais em outros interesses, diferente das suas congêneres.

 

sábado, 10 de abril de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 12)

Cid Moreira se revezava com Carlos Henrique nas apresentações dos programas humorísticos estrelados por, entre outros, Nanci Wanderley, Altivo Diniz, Zé Trindade, Estelita Bell, Matinhos, Francisco Anísio e os irmãos Ema e Válter Dávila – que trabalharam também no cast da Nacional.

Cid apresentava ainda o Noites Cariocas, aos sábados, focalizando o conjunto de Jacob do Bandolim, do qual participavam Dino (Herondino Silva), Meira (Jaime Florence) nos violões, Canhoto (Valdiro Tramontino) no cavaquinho, Jorginho (Jorge José da Silva) no pandeiro, Altamiro Carrilho, flauta e Orlando Silveira, acordeon.

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Nas noites das segundas-feiras, Sérgio Porto comandava o Miss Campeonato, misto de resenha esportiva e humorismo. A atriz do teatro musical Rose Rondelli era parceira do Sérgio, que fazia também, durante algum tempo em horário matinal, um programa de jazz, onde pontilhavam gravações de Chet Baker, Charlie Parker, Dizzie Gillespíe, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Lionel Hampton, Miles Davis, Oscar Peterson, Sarah Vaughan, Louis Armstrong, etc.

 

Luiz Jatobá, (timbre semelhante ao Cid) narrador dos chamados programas montados, estava diariamente nos lares dos sintonizadores da Mayrink. Com, ali pelas 9h das noites, Coisas da Vida, série de crônicas que lia e escrevia. E, até participara como ator, de uma novela da rádio.

A Mayrink ficou na saudade. Entre as recordações, um Aloísio Silva Araújo, o Recruta 23, do Manezinho Araújo, cantor de emboladas e compositor (não eram parentes). No esporte, Oduvaldo Cozzi (um dos fundadores da Nacional e diretor da Tupi), Jaime Moreira Filho, os repórteres Otávio Name e José Jorge (pioneiro do marketing esportivo).

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No começo dos anos 60, quando a televisão atraía os grandes do rádio, a Mayrink dava uma guinada em sua programação devido a perda de valores. Surgiam os disc-jockeys (ou animadores de estúdio) que passavam a dominar os espaços.

Datam daquele período, alcançando estrondoso sucesso nas tardes, o Peça Bis Pelo Telefone e o Hoje é Dia de Rock, produzidos por Jair de Taumaturgo e apresentados por Isaac Zaltman. O primeiro se bandearia para a TV Rio (‘coqueluche do momento’) , o ouro terminaria seus dias como locutor noticiarista da Rádio Globo.

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Ondulantes.Com

/o  BandNews FM (90,3) celebrando 15 anos de atividades no Rio. Nessa frequência encontra-se desde o início de 2018, tendo levado mais tempo na 94,9 da Fluminense, que ganhou a pecha de A Maldita e, hoje é a Feliz.

 

/o  Aos sábados, às 9h30, e domingos, às 21h, a CBN coloca no ar, Gerações, sob a condução de Cassia Godoy. Ela analisa com dois convidados os vários ângulos provocados pela pandemia no país e outras nações.

 

sábado, 3 de abril de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 11)

Na frequência em que alguns anos o público sintonizava a Rádio Globo AM funcionava até julho de 1965 a Mayrink Veiga – fechada pelo governo Castello Branco. Os 1220 Khz foram transferidos graças ao bom relacionamento que o empresário Roberto Marinho mantinha com os donos do poder. A Globo originalmente ocupava os 1180 Khz, que passariam a ser então utilizados pela Eldorado, nova aquisição do grupo.

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A Mayrink foi uma grande adversária da Nacional. Esta, inaugurada em 1936, mudaria o panorama do rádio no país, com seus musicais, humorismo, novelas e, principalmente programas de auditório. Comparado ao da Nacional, no vigésimo segundo do Edifício À Noite, o auditório da Mayrink Veiga era modesto, instalado no térreo de um prédio da rua que lhe emprestava o nome, próximo da Praça Mauá.

 

César Ladeira, Luiz Jatobá, Cid Moreira e Carlos Henrique figuravam entre os locutores  contratados. Conhecido como Stanislaw Ponte Preta (era cronista do jornal Última Hora), Sérgio Porto integrava o quadro de apresentadores. A linha de shows, em horário noturno, era composta de programas populares de muita qualidade.

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Destaques para a Cidade se Diverte e Vai da Valsa, de Haroldo Barbosa, Regra de Três, de Antônio Maria, e Esse Norte é de Morte, de Francisco Anísio – o Chico ele só adotaria a partir do seu ingresso na televisão, o que ocorreu através do canal 13, TV Rio, que tiraria muita gente do rádio. No Esse Norte... Anísio tinha um quadro onde retratava um irônico professor (o Raimundo), que seria o início da longeva escolinha anos depois na Rede Globo – mais tarde reprisada no canal Viva.

 

Ladeira foi um criador de slogans, batizando Carmem Miranda de A Pequena Notável, Araci de Almeida, de O Samba em Pessoa, Sílvio Caldas, de O Seresteiro do Brasil, Carlos Galhardo, de o Cantor que Dispensa Adjetivos, e outros. Carmem era sua maior pupila, e ele a acompanharia em sua ida aos Estados Unidos, reportando para os jornais cariocas, nos primeiros meses, a movimentação da artista.

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Ondulantes.Com

/o  Depois de quase 20 anos no Sistema Globo de Rádio, Fabíola Cidral mudou-se da CBN, despedindo-se na quarta-feira (31). Foi trabalhar no portal UOL, ficando em seu lugar Debora Freitas, que estava na CNN Internacional.

 

/o  De novidades a Roquette Pinto (94,1) está cheia. Mais uma  lançada no começo desta semana, --  Giro RJ, com apresentação de Gabriela Hilário. É um noticioso às 8h das manhãs, reduzindo o espaço do Primeira  Página.

sábado, 27 de março de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 10)

Toda a rádio de fato tem o seu slogan, ou uma série deles. Já os apresentadores, especialmente populares, os bordões. De direito, lei natural em qualquer dos casos.

Oito meses depois de inovar em matéria de programação a Mundial 1180     transformava-se no maior fiasco AM no Rio, ou seja, numa completa des(ilusão). Ela começava a operar em junho de 2008 e em fevereiro de 2009 soterrava, solenemente, o sonho de dezenas de profissionais. A rádio se rendia ao assédio de pastores da igreja de mesmo nome, aumentando o número de evangélicas no dial.

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Passaram pelo prefixo, entre outros, Heloisa Borghi, Jorge Ramos, Ruy Jobim, Iris Aghata, Mário Márcio, Tárcio Santos, Luiz Carlos Silva e Welinghton Campos. Com o slogan de ‘a rádio que você vê’, a Mundial reunia   itens comuns de outras emissoras – música, informação, prestação de serviços – mas, num estilo original e, de refinado tratamento. A razão do fracasso, segundo os envolvidos, deveu-se ao controle em mãos de um grupo que não entendia do ramo e... só atrapalhava os convocados para administrá-la.

Componente do Sistema Globo de Rádio desde que se libertara da Legião da Boa Vontade (LBV) do Alziro Zarur, a Mundial fez história na frequência dos 860 Khz. Vivia-se os tempos primordiais dos comunicadores, e nela atuavam Robson Alencar, Elói De Carlo, Alberto Brizola, Fernando Sérgio, Samuel França, Jorge Pallis e Oduvaldo Silva – maior cartaz na ocasião com o Show dos Bairros. Nas chamadas, a voz do Carlos Bianchini. Tinha também o Agente 860, com o Jota Carlos (‘o repórter que fareja a notícia’) e o Big Boy, originalíssimo, último e remanescente dos disc-jockeys.

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No prefixo ocupado pela Mundial (fechou em 1993) funcionara a Rádio Clube do Brasil historicamente a terceira surgida no país. Por seus estúdios no Edifício Trianon, na Avenida Rio Branco, passaram Almirante (Incrível, Fantástico, Extraordinário); Renato Murce (Piadas do Manduca); Lauro Borges e Castro Barbosa (do PRK-20, embrião do famosíssimo PRK-30); Jorge Murad (A Pensão do Salomão); Arnaldo Amaral (Pescando Estrelas); e Aerton Perlingeiro  (Um Show Para Milhões e Só Vale Quem Tem).

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Ondulantes.Com

/o Cardápio é o programa que Leandro Augusto oferece ao público ouvinte da Roquette Pinto (94,1), das 11h às 13h, de segunda a sexta-feira. Encurtou seu espaço com as modificações feitas recentemente.

/o Em horário próximo, de meio-dia às 13h, a Transamérica (101,03) tem para os interessados,  Papo de Craques, com Sidney Marinho. Há uma segunda edição, com   Marcelo Marinho, às 17h 

sábado, 20 de março de 2021

Nas Ondas do Rádio

 ENQUANTO VOAM AS BORBOLETAS

O que era Fluminense  e  em algum tempo esteve arrendada à Bandeirantes com o nome de BandNews, hoje é Feliz FM (94,9). Seus locutores, {sem o menor constrangimento}, e com a simplicidade das borboletas afirmam ‘ser a rádio que mais cresce no Rio’. Trata-se do espólio que pertenceu ao Grupo Fluminense de Comunicação, de Niterói, composto de duas rádios e um jornal, negociados para um novo proprietário.

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Livre das amarras da Rede Sucesso, de Goiânia, a Rádio Carioca AM 710 agora só transmite playlist. Foi, em temporadas remotas, reprodutora da programação da Aparecida de São Paulo. Os comunicadores Mário Belisário e Mauro Vasconcellos têm muito a ver.

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Aos domingos, às 10h, Claudia Ferreira é cartaz na Metropolitana AM 1090 com o Rapsódia Portuguesa. Os aficionados   lembram-se de sua passagem pela Tupi e extinta Manchete, sábados à tarde. A colônia lusa, antenada, garante a audiência, naturalmente razoável.

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Primeira Página, com Rodrigo Machado e Deivid Costa na Roquette Pinto deu um retrocesso, e tirou do baú uma ‘luminosa’ ideia. Um quadro para o   interessado em canções do Roberto Carlos. Quem vive no ramo sabe – não é novidade – que centenas de estações divulgam o ‘Rei’ todos os dias, com o disfarce ‘o ouvinte pediu’.

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Você   conhece alguém que liga o rádio para ouvir a Mood FM? Se não, saiba que ela voltou ao Rio. E, numa frequência problemática – 91,1. Esta serviu à Bradesco Esportes, cujo passivo era de uma emissora de Petrópolis, vinculada a um antigo jornal da  serra.

Pois bem. A 91,1 estava ultimamente com a Mania, mas antes ‘andou nos braços’ de uma tal Sertaneja. Que os bravos profissionais sejam felizes na empreitada. (Da Mania, por enquanto, ignora-se o paradeiro.)

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Ondulantes.Com

/o  A Super Tupi assumiu  a liderança de FM no Rio. Melodia caiu para 2º lugar. Inalteradas as posições da JB, O Dia e 93, formando o Top 5.

/o Claudia Barcellos, e não Renata de Ávilis, a apresentadora de Toda Tarde, na Roquette Pinto, de 3h às 5h, nas modificações recentes.

/o E, a Cidade, hein? De revolucionária no segmento ditando modelos do pop e congêneres a evangélica, agora embalando hinos e cantatas.

 

 

sábado, 13 de março de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 9)

Um fato que desafiara os segmentos da sociedade contemporânea foi a invasão das seitas religiosas nos meios de comunicação. O tema serviria, nos últimos anos, de estudos para cientistas sociais, psicólogos e ensaístas. Eles trabalham, dentro de sua ótica, para entender e explicar a dose de anestesia de pessoas geralmente humildes, assalariadas, baixo nível de instrução, moradores de bairros pobres e vivendo em condições precárias, que eram (ou ainda são) as principais vítimas dos falsos pastores. Na época, alguns desses ‘líderes’ rezavam pela mesma cartilha do bispo Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Dono de emissoras de rádio e televisão – a Record foi comprada em 1989 por 45 milhões de dólares – o bispo Macedo ganharia as primeiras páginas dos jornais e revistas do país depois do episódio do Maracanã, em abril de 1990, de onde fugira levando sacolas de dinheiro,  contribuições de abnegados fiéis. Por esse Brasil afora, certo grupo deixou de saber que, naquela Sexta-Feira Santa, uma senhora acometida de enfarto morrera por omissão de socorro.

Com o incidente, coisas comprometedoras envolvendo a seita viriam a público, robustecendo   o grau de fanatismo que essas movimentos imprimiam a seus adeptos. As estripulias do religioso foram contadas em matéria de capa da Veja e também no Globo Repórter. Nesse programa de televisão, o bispo mostrava a face do seu cinismo. Não se desfazia dos óculos, mas aconselhava os devotos a se livrarem deles, jogando-os fora, ‘pois seriam beneficiados pelo milagre de não precisar usá-los’.

 

FRANCA E RISONHA

Vai longe o tempo em que o ouvinte de rádio só conhecia em termos de manifestação religiosa a Oração da Ave-Maria, do Júlio Louzada (*). Era um período romântico em que prevaleciam os ideais de uma escola franca e   risonha,   época  em que a televisão ainda não havia chegado ao Brasil. A Rádio Nacional com suas novelas, programas de auditório e humorismo detinha as atenções do público de todo o país. O transístor, uma invenção americana, ainda era um projeto.

Daquele tempo aos anos da década seguinte, as coisas mudaram muito. A televisão, ‘máquina de fazer doido’, segundo Stanislaw Ponte Preta – o inesquecível Sérgio Porto – evoluiu e, até filhote concebeu, o videocassete (que daria lugar ao DVD). O sistema de comunicação social progrediu, e o rádio, por uma contingência natural, adotou outra concepção. Criou uma linguagem moderna, mais dinâmica, centrada no jornalismo e na prestação de serviços, características observadas no AM.

 

UM DEUS PARA TODOS

O que Júlio Louzada fazia às 6 horas da tarde no rádio (um tempo na Tamoio, outro na Tupi) representava então um modelo único. Outros radialistas o seguiram anos mais tarde, conscientes da necessidade de se destinar alguns momentos para a reflexão. Lembrar, afinal, que um Ser todo-poderoso rege o universo de nossas vidas. Os disc-jockays (ou animadores de estúdio), hoje comunicadores, aderiram aos momentos de preces em seus programas, entre eles, Paulo Giovanni, Roberto Figueiredo e Francisco Carioca.

Pelos anos 60 surgiria Alziro Zarur com ‘A sopa dos pobres’, espécie de chamariz de sua Legião da Boa Vontade, LBV. Zarur lançara o movimento ao assumir o controle acionário da Rádio Mundial, antes sob o domínio de Vítor Costa, com o nome de Rádio Clube do Brasil. Por algum tempo, a emissora estivera arrendada ao jornalista Samuel Wainer, fundador da Última Hora.

Utilizar-se de uma estação de rádio para a difusão religiosa e assistencial, fora um pioneirismo de Alziro Zarur. A invasão das seitas, disseminada nos anos 80, seria um fato comum nas pequenas emissoras em condições de alçarem voos próprios. Década marcada pela crise político-econômica e social do país. Em decorrência disso, elas passariam a vender horários para as congregações, de um modo geral, privilegiadas com mais recursos que alguns anunciantes.

 

AS PIONEIRAS DIVINAIS

No Rio de Janeiro, até meados dos anos 90, destinavam espaço às seitas religiosas as rádios Guanabara, Tamoio, Relógio e Record (ex-Ipanema), privatizada pela Rádiobras no governo Sarney. Do mesmo segmento (AM) e inteiramente religiosas a Copacabana, Metropolitana, Boas Novas e Brasil – ex-Jornal do Brasil, comprada por um pastor com mandato de deputado, repassada a outro em forma de arrendamento e, posteriormente integrada ao grupo liderado pela LBV.  Por último, a Capital filiada a uma rede de emissoras a serviço dos pentecostes.

A Melodia FM, de propriedade do mesmo controlador inicial da JB AM foi, oficialmente, a primeira no gênero. Seria seguida pela El Shaddai, cujo dono também era um pastor-deputado, por muitos anos detentor da velha Metropolitana, transferida mais tarde ao  empresário Paulo Masset. A mais desprovida de recursos, Rio de Janeiro, contaria com as contribuições de fiéis para divulgar a doutrina espírita. Catedral FM, a mais nova até então, representava o catolicismo, administrada pela Arquidiocese do Rio.

(*) Júlio Louzada morreu em outubro de 1993, aos 72 anos. A Oração da Ave-Maria de que era titular na Tupi formava, no Rio, com No Mundo da Bola, noticiário esportivo da Nacional, a dupla de mais antigos programas do rádio brasileiro.

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Ondulantes.Com

/o  Consagrado  na Rádio Nacional, onde manteve o Musishow por mais de 30 anos, Cirilo Reis agora faz parte da equipe de comunicadores da Roquette Pinto (94,1). Seu programa, Túnel do Tempo, ganhou horário novo no domingo (7). Em vez de 9h ao meio-dia, vai das 7h às 10h. Incrível a audiência interativa dele.

/o  Na Super Tupi há 28 anos, cinco mandatos de deputado estadual, Pedro Augusto, o Romeiro de Aparecida, deixou de atuar diariamente, concentrando-se aos domingos, das 8h às 10h. (Estreiou  no início da semana). Eleito deputado federal, limita-se a um quadro de  oração  no Cidinha Livre, esticado de 13h às 15h.

/o  Misto  de informações sobre os fatos que acontecem no Estado, intermediando  músicas com prestação de serviços, assim é O Rio em Pauta.   Apresentação  da mais popular repórter do veículo, a ex-global Ermelinda Rita. De 9h às 11h, dentro das recentes modificações feitas pelos novos gestores  da  estatal.

 

 

 

sábado, 6 de março de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 8)

Pelo programa do César de Alencar desfilavam os grandes nomes da música popular, cartazes que disputavam o espaço, uma vez que o longo show das vesperais dos sábados tinha o valor de um passaporte para a fama. Artistas formados em outras praças deixavam a cidade de origens para suas apresentações nele. Isso aconteceria com Luiz Bandeira (que saíra do Recife) e Luiz Cláudio (Belo Horizonte), um com nome feito na Rádio Jornal do Commercio, o outro com carreira luminosa na Rádio Inconfidência.

 

Famosa em São Paulo, Isaura Garcia foi a primeira estrela de lá a se exibir no mesmo programa. Até então, quem se destacava na ‘Terra da garoa’ não tinha vez no Rio de Janeiro. A cantora portuguesa Esther de Abreu que nos anos 50 desembarcara na Cidade Maravilhosa para uma temporada no Copacabana Palace, resolvera fixar residência na Zona Sul do Rio depois de apresentações no programa do ‘Rei dos auditórios

’.

REPERCUSSÃO

Era tanta a repercussão deste que conseguira atrair nomes internacionais em visita ao Brasil, entre eles, Ives Montand, Josephine Backer, Gregório Barrios, Lucho Gatica e o Trio Los Panchos. Mito, lenda viva, fenômeno. Os adjetivos não faltavam para as pessoas definirem o radialista. Seu poder de comunicação contagiava as massas e, ao comemorar dez anos do programa, em 1955, reunia cerca de 25 mil expectadores no Ginásio do Maracanãzinho. Fora também o primeiro nesse tipo de promoção. Seguiram-se numerosos shows em estádios de futebol nos mais diferentes pontos do país.

 

A crise institucional que resultaria na Revolução de Março de 1964 deixaria César de Alencar numa posição insustentável. O destino colocava à sua frente uma escada reversiva, diferente da que o havia conduzido pelos degraus do sucesso. Dos dias radiantes e gloriosos, ele iniciava o mergulho num profundo ostracismo. Emissora controlada pelo governo federal, a Nacional sofreria intervenção dos militares e o animador seria acusado de ‘dedurar’ colegas como integrantes da esquerda festiva.


UM TESTEMUNHO

 Segundo o jornalista Borelli Filho, ‘os caçadores de comunistas’ davam uma taça de ouro a quem denunciasse ‘os comedores de criancinhas’. Houve uma ‘caça às bruxas’ e os punidos jamais perdoariam o César, embora nenhuma prova real fosse apresentada. Borelli, que dirigiu a Revista do Rádio nos anos dourados do veículo, relataria em artigo no jornal Última Hora, alguns dias depois da morte do animador:


‘Pessoalmente acho que tem muito folclore nessa história. César poderia ser diretor da emissora, pelo que fazia por lá. E, se nomeado, certamente iria realizar coisas fabulosas, porque era competente e possuía as melhores condições para manter a PRE-8 na fase áurea de Vitor Costa. Houve, por certo, um jogo político e ele acabou herdando as sobras de interesses contrariados’.

 

Enquanto baixava a poeira pela suspeita de seu envolvimento com os militares, César se afastava do rádio. Nesse intervalo fez uma viagem ao exterior e em 1970 lançava-se na televisão. Trabalhou na Excélsior, que trocaria pela Rio, e apresentava-se simultaneamente na Record, em São Paulo e na Itapoã, em Salvador.


VOLTA POR CIMA

Reapareceria no rádio em 1975, através de uma pequena estação em Niterói – a Federal {de Bloch Editores} administrada pelo sanfoneiro e compositor Antenógenes Silva. Ali daria dimensão a um dos quadrinhos,   classificados  de interprogramas – As Virgens do César. O passo seguinte seria em 1976, na Rádio Tupi, onde assinaria contrato relâmpago para um programa semanal {aos sábados} de apenas uma hora.

 

E, chegou o dia em que retornaria ao prefixo tradicional, em 1978. Fazia o programa do estúdio nas manhãs de sábados, no esquema ‘vitrolão’, que tanto condenava. Mudara em 1982 para outro dia da semana, domingo, quando criara a Turma da Comunicação, cuja finalidade era estabelecer um elo entre antigos ouvintes. Estes, além de se reunirem em festas de confraternização – casamentos, aniversários e batizados – também trocavam informações por telefones. O programa se  chamava  Domingolão, ia das 8 horas da manhã a uma da tarde, mas acabaria em 1986.

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Ondulantes.Com

/o  A Melodia FM segue isolada na liderança de audiência no Grande Rio, de acordo com o Kantar Ibope Média, levantamento do último trimestre. Seguem-na de perto a Super Tupi e a JB, em 2º e 3º lugares. O Dia é a 4ª colocada e a 93 FM, 5ª.

/o  A Globo obtém sua melhor classificação desde 2017 – 6ª, acrescenta o Kantar. Em 7ª a Mix,  8ª a Cidade (que  deixou o dial na quarta-feira, 3), Catedral 9ª, e em 10ª, com diferenças mínimas BandNews, SulAmérica Paradiso, NovaBrasil e  CBN.

 

 

sábado, 27 de fevereiro de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 7)

Um dos mitos da época da cultura de massa, o radialista viu seu nome consagrado nos auditórios e também proclamado pelas marchinhas de carnaval, a mais famosa delas, de autoria de Miguel Gustavo, um bem-sucedido produtor de jingles. A gravação, lançada em 1957 pelo palhaço Carequinha foi um grande sucesso em disco, coisa que ele não conseguiria repetir em nenhum de seus lançamentos posteriores como cantor. Dizia a composição: ‘Ela é fã da Emilinha/Não sai do César de Alencar/Grita o nome do Cauby/E depois de desmaiar/Pega a Revista do Rádio/E começa a se abanar...’

 

Muito esperto, o radialista aproveitava o seu imenso prestígio para outras investidas. Dotado de apreciável sensibilidade, gravaria vários discos como cantor, alguns para o chamado meio-de-ano, e outros para o carnaval, de que era dos incentivadores. No seu repertório foram incluídos sambas, sambas-choros, maxixes, baiões e, principalmente, marchinhas, bem ao gosto do público. Nas músicas de meio-de-ano, poucas vezes ele aparecia sozinho. O número relativo de gravações que fez, foi em dupla com Marlene, Emilinha Borba ou Heleninha Costa.

 

A sua irreverência se refletia nas letras de algumas dessas músicas, compostas especialmente para ele gravar. Foram, por exemplo, os casos de Há Sinceridade Nisso?, de Manezinho Araújo, Namoro no Portão, de Luís Bitencourt, e O que é Isto?, de Abelardo (Chacrinha) Barbosa e Nestor de Holanda. Num dos carnavais de que participara, gravou As Mal-amadas, marchinha de Luiz Antônio, que retratava as mulheres   excessivamente   sonhadoras, na iminência de ficarem pra ‘titias’:

‘As mal-amadas

São as grandes mulheres

Posso provar

Se tu quiseres

As mal-amadas (bis, bis)

 

Carinho, amor e ternura

A mal-amada não conheceu

Mas tem confiança na jura

Daquele que o peito elegeu...’

 

A dupla Haroldo Lobo-Milton de Oliveira escreveu para ele num desses carnavais, No Japão é Assim, uma sátira à semelhança física entre as mulheres daquele país, também gravada por Jorge Veiga. Dizia:

‘No Japão é que é bom

Japonês não passa mal

Não há mulher bonita

Nem feia, é tudo igual  (bis, bis)

 

Não há lourinha

Não há, não há, não há

Morena nem pretinha

Nem mulata sarará

 

Lá não se briga

Por causa de mulher

Quem perde a sua

Apanha a que quiser...’

 

Em outro carnaval, a mesma dupla dava para o César gravar, Coitado do Abdalla, historiando a peregrinação de ambulantes, vendedores de bugigangas:

‘Rala, rala, rala

Coitado do Abdalla

Rala, rala, rala (bis, bis)

 

Sobe e desce o morro

Carregando a sua mala

Chega o fim do mês

Ninguém paga ao Abdalla

 

Pra comprar fiado

Todo mundo quer comprar

Mas no fim do mês

Como é duro de cobrar...’

 

E, tinha uma de Carvalhinho – Cossaco. A primeira parte afirmava:

‘Se o cossaco, enche o saco

Que buraco, que buraco

Afinal é muito feio

Ter mais um cossaco cheio’

 

Mas, irreverência não fora tudo na vida do artista. Ele reservara momentos para as músicas sérias, dois clássicos pelo menos: Dorinha, meu Amor, de José Francisco de Freitas, criação de Mário Reis nos anos 30, e também desse mesmo tempo, Os Quindins de Yayá, de Ary Barroso (gravou com Emilinha Borba), originalmente lançada por Carmem Miranda e Almirante.

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Ondulantes.Com

/o  Como Vai Você? nome da velha canção do Roberto Carlos é o título do novo quadro do Cidinha Livre na Super Tupi. O cantor, humorista e apresentador de TV da década de 70 Moacyr Franco foi o terceiro entrevistado, quarta-feira (24).

/o  Fez Cidinha Campos rir (e nós também). Figura hilária com suas tiradas, disse que toma quinhentos (?!!!) remédios. Queixou-se da falta de criatividade no meio mercado-arte, citando como exemplo, a frase ‘um beijo no seu coração’.

/o  Tem horror aos lugares-comuns, mas, ao que lhe parece, alguns coleguinhas não aprendem, observou. Aos 84 anos, acabara naquela manhã cinco roteiros de uma produção para ser dirigida por Jonnhy Franco, o Guto, seu filho.

 

 

 

 

sábado, 20 de fevereiro de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

CIDINHA GANHA COM ELEIÇÃO DO ROMEIRO

Eleito deputado federal, o apresentador Pedro Augusto da Super Rádio Tupi deixará, efetivamente, de fazer programa diário. Acertou nos últimos dias com a emissora de São Cristóvão que aparecerá aos domingos, sendo a estreia, dia 7, das 8h às 10h.

 Com a eleição dele, quem ganha é a Cidinha Campos. Seu programa, de uma hora, dobra de tempo já nesta segunda-feira (22). O Romeiro de Aparecida não se ausentará de seus fiéis. Ficou estabelecido que ele terá no Cidinha Livre 10 minutos de oração.

 

Em todos os jogos   sabe-se   que sempre há os que ganham ou perdem. Se no primeiro grupo posicionou-se  a Cidinha, automaticamente Heleno Rotai comtempla o outro. Ele recupera o horário normal (3h às 5h), que ocupava  antes de Cidinha voltar à casa.

 

Perde, todavia, espaço dos domingos que lhe fora reservado logo no início e, depois, um corte aqui, outro ali. No período quatro horas foram  reduzidas   a três. Por ordem e graça do crescimento do Samba Social Clube, com uma edição suplementar.

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Ondulantes.Com

/o Rosana Jatobá, que participava do Jornal da CBN 2ª Edição {saiu do ar há pouco mais de um mês}, está em novo horário na emissora. Com Sustentabilidade, aos domingos, das 8h às 9h. 

/o Tem mais novidade naquele prefixo do SGR na semana que logo começa. A partir de segunda (22) o âncora Carlos Andreazza, ex-BandNews-Rio, vai ter um programa de manhã e outro à tarde, sob a epígrafe CBN em Foco.

/o  Beto Britto (lembra-se dele e seu Planeta Rei?), é cartaz na Rádio Carioca de segunda a sábado, das 3h às 6h. Para quem curte saudade, e por tabela, aprecia músicas de boa categoria. O Planeta nasceu na Imprensa, passou pela Metropolitana e pela Globo e parou ‘na rádio do Rio’.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 6)

Jorge Veiga, ‘o caricaturista do samba’, foi batizado por Paulo Gracindo, não pelo César, conforme já se publicou equivocadamente. As suas apresentações no programa do ‘Cavalete’ eram tão constantes, que alguns atribuíam ao César de Alencar a autoria do slogan. Jorge Veiga, que o animador anunciava ‘Vemveiga’ devido à sua voz fanhosa, detinha o título de aviador honorário e, em suas participações, saudava a categoria: ‘Alô, alô aviadores que cruzam os céus do Brasil. Aqui fala Jorge Veiga diretamente da Rádio Nacional. Senhores comandantes, queiram dar o seu prefixo para segurança e guia de nossas aeronaves. E, boa viagem’.

Déo, um cantor muito conhecido, tinha por slogan ‘Três letras que formam o sucesso’, e João Dias (herdeiro musical de Francisco Alves) ‘O cantor dos 400 quilômetros’, pelo fato de viajar todos os sábados de São Paulo, onde era contratado pela Record, especialmente para se apresentar no programa do radialista. A cantora Olivinha Carvalho, que se dedicava à música portuguesa, também permanente atração daquelas tardes. César a anunciava como ‘A brasileira de repertório luso’.

 

‘O QUE O PEITO ELEGEU’

Ademilde Fonseca ele chamava de ‘Lolomilde’, por sua semelhança, em matéria de bustos, com Gina Lolobrígida, estrela do cinema italiano. Já o Francisco Carlos, porte de galã e muito cortejado pelas fãzocas, era ‘El Broto’. E Bob Nelson, que se vestia à moda dos vaqueiros americanos e cantava músicas típicas, ‘O caubói brasileiro’, enquanto Ruy Rey, especialista em boleros e rumbas, era sempre anunciado como: ‘De Las Américas para o Brasil...’

A par de sua criatividade, um dos méritos do César fora a organização do seu programa. Isso representava um verdadeiro marco no rádio, coisa com que ninguém se preocupava até então. De um modo geral, os programas iam para o ar na base da improvisação, sem ordem pré-determinada. Ele, no entanto, sabia improvisar diante de qualquer situação e, em tempo algum se limitava ao script. Criava quadros que apresentava dentro de uma ordem sequencial e, intermediando cada um, mostrava outros, de cinco minutos apenas, classificados de interprogramas.

 

INCENTIVADOR DE VALORES

Alguns desses quadros: O Sucesso de Amanhã; O Cartaz da Semana; O Carnaval que eu não Brinquei; Campeonato Internacional de Música Popular; Campeonato de Cantores Novos; A Melhor de Três; Rádio Revista Lever e, Qual é a Música? – este, muitos anos depois copiado por Sílvio Santos, que se apossou, não só do título, mas também da sua estrutura, adaptando-o para a linguagem televisiva. O menos ruim nessa história, é que certa vez, na presença de um grupo de artistas, Sílvio se confessava um incondicional admirador do radialista. E, essa admiração, segundo ele, vinha do tempo que atuara na tradicional emissora, após vencer um concurso de locutores.

O quadro de maior duração entre a fase áurea e o ostracismo de César de Alencar foi Parada dos Maiorais. Com ele ficou assinalado um recorde no rádio, qual seja, a permanência por 40 anos de um mesmo patrocinador -- pastilhas Valda. É bem verdade que o Parada dos Maiorais dos últimos anos em nada se parecia com o brilho daquele apresentado na década de 50, quando em meio ao alarido do auditório, o animador apregoava: ‘E, atenção. Todos em continência. Está no ar o big musical... Parada dos Maiorais Valda!’ E o Parada foi sumindo, sumindo, assim como a euforia em torno do ‘êmulo do microfone’, segundo definição do crítico Mister Eco (o jornalista Thor de Carvalho), outro habitante do lado de lá há alguns anos, para onde foram astros e estrelas, uma constelação que as artes populares perderam.

 

O VIVER NUMA CANÇÃO

‘Essa canção nasceu pra quem quiser cantar/Canta você, cantamos nós até cansar/É só bater e decorar/Pra memorar vou repetir o seu refrão/Prepare a mão, bate outra vez/Esse programa pertence a vocês...’ A letra, simples, era prefixo (e sufixo) do programa, uma canção americana adaptada por Haroldo Barbosa, e gravada pelo grupo Quatro Ases e um Coringa. Quando a música descia, César, já no palco, saudava o auditório sempre lotado, com um indefectível... ‘Alô, alô’. E vinha as frases de abertura:

‘No ar...o Programa César de Alencar... Seus prêmios,  suas atrações, suas brincadeiras, e a participação sempre simpática do auditório, sem a qual não poderíamos realizar nem metade do nosso programa. Que o de hoje seja do seu inteiro agrado. São os nossos votos.’ (Ele emendava): ‘Vamos ao que vende...’ Sua ‘deixa’ para os comerciais feitos ao vivo por uma dupla de locutores, inicialmente William Mendonça e Meira Filho e, em outro período, Moacir Lopes e Marcos Durães. O programa começava às 3 horas da tarde e ia até às 7 horas da noite. Integralmente idealizado pelo animador tinha produção de Haroldo Barbosa, numa fase, depois Hélio do Soveral, que trabalhou com o César 15 anos. Quando a televisão deslanchava no país e começava a atropelar o rádio, o produtor era Fernando Lobo.

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Ondulantes.Com   

Qual o melhor carnaval das escolas de todos os tempos? E, qual a música que até hoje não sai  de sua cabeça? /o  Questões  levantadas por Sérgio Gianotti na Interativa do Redação Paradiso, nesta sexta-feira (12). /o Valéria Marques, do Samba Social Clube  aos  sábados e domingos na Super Tupi acumulando atividades. Faz também, no momento, o ‘Sentinelas’, edições vespertinas. /o  O Cardápio que o Leandro Augusto ‘oferece’  de 2ª a 6ª na Roquette Pinto, ficou uma hora mais curto. Por causa de reformas na grade. /o  Hoje é Dia Mundial do Rádio. No Brasil, onde ele já 'morreu' várias vezes, sobrevive em meio a crises, e graças, principalmente, aos celulares.

 

 

 

 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 

Nas Ondas do Rádio

ERMELINDA RITA É DA ROQUETTE

Mais conhecida dentre as repórteres do rádio carioca pelos anos que trabalhou na Globo (e depois CBN), Ermelinda Rita está, agora, na Roquette Pinto (94 FM). A estreia ocorreu na segunda-feira  (8). Ela conduz das 9h às 11h, O Rio em Pauta, um programa de variedades, produzido por Luchia Araújo, com apoio do departamento de jornalismo.

É o carro-chefe da reformulação implantada pela  estatal, que há três semanas mudou o seu comando. A nova direção da casa passou a ser feita por Thiago Gomide (presidente) e Toni Platão (diretor artístico), nos lugares de Cristiane de Almeida e Raphael de França. Alguns programas e profissionais foram substituídos, só permanecendo, no último caso, os  classificados  estatutários.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Nas Ondas do Rádio

 

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 5)

Noite no Rio, 14 de janeiro de 1990. Morre de insuficiência respiratória no Hospital Geral da Lagoa o radialista César de Alencar. Inconformados, os poucos amigos que ele ainda cultivava garantiriam que ele não morrera. Fora trabalhar na Rádio Céu, da qual recebera proposta irrecusável – ou melhor – se tornara dono da concessão, sem a necessidade de qualquer conchavo político. Passava a administrar essa imaginária rádio, da mesma forma que gerenciava a originalíssima Turma da Comunicação.

 

Nascido na Rua Major Facundo, em Fortaleza, decantada capital do Ceará, César de Alencar viera para o Rio muito cedo, aos quatro anos de idade. Segundo Aurélio de Andrade, um dos fundadores da Rádio Nacional, ele trabalhava como vendedor de material de construção quando se deu o encontro com Renato Murce, na época diretor-artístico da Rádio Clube do Brasil. A emissora era uma alternativa para os ouvintes acostumados a sintonizarem Nacional, Mayrink Veiga e Tupi.

 

O CAÇADOR MURCE

‘Um caçador de talentos, Murce logo percebeu no moço o potencial que o grande público viria um dia a conhecer, inclusive, idolatrar’, acentuava Aurélio. Ele ficou vivamente impressionado com a voz e o desempenho do jovem, que lhe fora oferecer os produtos que vendia, e o convenceu a fazer um teste. Aprovado de imediato, César foi integrado ao cast da Rádio Clube. Ganhara um programa semanal das 7 às 8 horas e um salário de 250 mil réis mensais. Sua performance era tão boa, que a direção da rádio decidira dobrar os vencimentos dele em pouco tempo.

 

SEIS ANOS DEPOIS

A entrada na Rádio Nacional, no entanto, só aconteceria seis anos depois de sua estreia no veículo – ainda afirmara Aurélio de Andrade no mesmo depoimento. Corria o ano de 1945 quando ele passou a dar nome ao programa que provocaria uma revolução na radiofonia brasileira. Antes de se tornar famoso, César apareceria em outros horários da estação, como por exemplo, anunciar Um Milhão de Melodias, ao lado de Reinaldo Costa, ou fazer ‘ponte’ para Paulo Roberto, produtor e apresentador de Gente que Brilha e, animar A Hora do Pato, nas eventuais ausências de Jorge Curi.

 

IRONIA AO PRÓPRIO

De espírito folgazão e muito crítico, César ironizava a si próprio pela orelha avantajada que possuía. Coadjuvantes nessa gozação, alguns de seus companheiros o chamavam de ‘Orelha’ (ou ‘Orelha de Abano’) e de ‘Cavalete’, por sua magreza. Ele, por sua vez, arranjava apelidos para todo mundo. O Afrânio Rodrigues era ‘Chão de Garagem’ ou ‘Glostora’, porque andava com os cabelos sempre empastados de brilhantina; Jorge Curi, homem grande, ‘Engradado de Girafa’; Jair Lemos, de geração posterior, ‘Cara de Pedra’. Se algum conterrâneo se apresentava em seu programa, ele dizia que fulano veio ‘dos Estados Unidos do Ceará...’

 

‘REI’ DOS SLOGANS

Foram muitos os slogans que César criou para os artistas da época. Emilinha Borba,  estrela maior,  ‘A minha, a sua, a nossa favorita’; sua rival Marlene, ‘Ela que canta e samba diferente’. Blecaute (no registro civil Otávio Henrique de Oliveira) que se notabilizara cantando músicas de carnaval – Pedreiro Valdemar, Maria Escandalosa, Maria Candelária e muitas outras – passou a ser o ‘General da Banda’, depois de explodir  com a batucada do mesmo nome. Também cantor de ‘meio-de-ano’, César  assim o anunciava: ‘Monsieur Otávio Henrique du Blecaute...’ É que o moço, cabelo esticado, se trajava com a elegância de fazer inveja a um príncipe de Gales.

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Ondulantes.Com

São de Jorge Luiz Rodrigues {que já foi editor do jornal O Globo} os boletins esportivos de 2ª a 6ª pelas manhãs na SulAmérica Seguro Paradiso FM. No lugar do Eugênio Leal, que ficou perto de dois anos na emissora. /o A vinheta do CBN Ponto Final apregoava na 4ª feira (3): ‘Apresentação de Rodrigo Bocardi’. Ele acrescentava: ‘Com a participação de Carolina Moura...’  A Morand, até onde sabemos, não mudou de sobrenome. /o De Brasília em rede com a Nacional do Rio, Amazônia, Alto Solimões e São Paulo, Válter Lima comanda o Revista Brasil, das 8h às 10, de 2ª a 6ª. Colaborações de Priscila Mazenotti, César Facciolli, Anchieta Filho e Otto Faria.

 

sábado, 30 de janeiro de 2021

 Nas Ondas do Rádio

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 4)

Havia, paralelo a isso que relatamos na postagem anterior, os seriados de aventura. O Anjo, interpretado por Álvaro Aguiar, um exemplo na mesma Nacional, com capítulos de 10 minutos. Companheiro do personagem/titulo, o Metralha vivido por Osvaldo Elias, que ainda se caracterizava como o zangado Doutor Infezulino da Família Firim-Fimfim dentro do Programa Luiz Vassalo. (Além desse quadro, faziam parte da atração, Quando os Ponteiros se Encontram, com Francisco Alves, ‘O Rei da Voz’, depois com Orlando Silva, ‘O Cantor das Multidões’, A Hora do Pato (de calouros) e Coisas do Arco da Velha, humorístico estrelado por Floriano Faissal, Ema Dávila, Nilza Magrassi e Norma Geraldy.)

Seriado que também marcou época foi Jerônimo, o Herói do Sertão, de Moisés Weltman, encarnado por Milton Rangel, coadjuvado por Cauê Filho (Moleque Saci) e Dulce Martins (Aninha) a noiva eterna do herói. Também na emissora famosa O Sombra, modelo americano importado dos Estados Unidos e que permaneceria longa temporada no ar. O intérprete era Saint-Clair Lopes e, em São Paulo, o similar na Record, por conta de Otávio Gabus Mendes. O seriado mereceria ainda atenção de Almirante (‘a maior patente do rádio’). Seu investimento: Incrível, Fantástico, Extraordinário baseado em cartas de ouvintes que relatavam experiências com o sobrenatural. Lançado na Rádio Clube do Brasil, seria mais tarde apresentado pela Nacional e, depois Tupi.

 

 CALOUROS E BAIXAS

Tão importante quanto o Calouros em Desfile de Ary Barroso, foram A Hora do Pato, com Jorge Curi e Papel Carbono, de Renato Murce – aquele durante 16 anos com o mesmo apresentador, outro nome revelado pelo mineiro Ary, que igualmente ao seu descobridor se tornaria locutor esportivo. Curi ganhara o comando de A Hora do Pato por não querer trabalhar no Serviço Brasileiro da BBC de Londres, pois era noivo, e estava de casamento marcado. Aurélio de Andrade, a quem a emissora destinava a representação, seguiria no lugar do companheiro.

Produtor e apresentador de Papel Carbono, Renato Murce não gostava da expressão ‘calouros’, e classificava de ‘gente nova’ os candidatos a seu programa. Nele só se apresentavam pessoas com reais pendores artísticos, submetidas a rigorosos testes. No Papel... então na Rádio Clube do Brasil revelaram-se Luiz Gonzaga, naquele tempo apenas sanfoneiro, e o humorista José Vasconcelos.

O rádio sofrera nos anos 60 enormes baixas. A magia da televisão conquistara o grande público, atraindo os mais expressivos nomes do veículo e, com isso, os melhores anunciantes. A situação política com seus percalços proporcionava a implantação de uma censura violenta, resultando proibições diversas.

 

SINTONIA EM FM

Na década de 70 o rádio ganharia um forte concorrente – o FM, sinônimo de som puro e estéreo. O avanço tecnológico, porém, se daria aos poucos. Segundo Fernando Veiga, diretor-superintendente do Sistema de Rádio Jornal do Brasil até meados de 1990, a modalidade viria a suprir uma lacuna nas transmissões em AM. O desenvolvimento do FM, explicaria ele, começara na América e, no início, era visto com uma absoluta indiferença pelo empresariado.

Segundo ainda Fernando Veiga, a implantação da Cidade FM fora revolucionária, pois, ela descortinava o caminho do comunicador e das paradas de sucesso, com o modelo de falar pouco. O rádio passaria a ser feito por profissionais jovens, que se dedicavam inteiramente a essa faixa de público. A primeira emissora de FM no Brasil foi a Imprensa, no Rio, que adotava no final dos anos 60, o processo de música ambiente, sem a participação de locutor. No princípio, alguns chamavam o negócio de ‘música de elevador’, ou ‘música de consultório’, um serviço oferecido aos condomínios por meio de assinaturas.

O FM da Jornal do Brasil surgiria em 1970, o da Globo em 1972 e, depois o da Tupi. Registrar-se-iam daí uma sucessão de emissoras dentro da modalidade. À Globo coubera o pioneirismo em estereofônico. Com o advento da Cidade, do Sistema JB, uma grande guinada no segmento. Isso aconteceria em 1977, quando a emissora revolucionaria o meio com sua linguagem coloquial, base do slogan {Fazendo Escola em FM} criado por Eládio Sandoval, da equipe onde sobressaíam Fernando Mansur, Ivan Romero, Cléver Pereira, Romilson Luís.

Também nos anos 70 apareceriam em São Paulo as novidades em FM. A primeira fora a Bandeirantes, mantendo uma programação voltada para os temas nacionais e internacionais não explorando somente o sucesso. De acordo com Otávio Ceschi Júnior, produtor e comunicador, até de programas sertanejos se cogitava. Uma antevisão do que a 105 viria a fazer em 1991, o que lhe serviria para desbancar os nove anos de liderança da 98, que antes se chamava Eldo Pop.

 

FORMAÇÃO DE REDE

Da experiência inaugural de Edgard Roquette Pinto no distante 1922 aos dias posteriores, a utilização do satélite pelo FM possibilitando a formação de rede. Assim, ficaria superado de longe o limite teórico dos 100 quilômetros quadrados até então estabelecidos.

Com os novos recursos, a Transamérica saía na dianteira. Destinava em horários prefixados as co-irmãs de São Paulo, Brasília, Recife, Salvador e Curitiba e mais de 30 emissoras espalhadas por diversos estados brasileiros. A audiência nesse novo sistema, era estimada em oito milhões de ouvintes, enquanto anteriormente, nos horários de maior pique, a Transamérica-Rio, por exemplo, alcançava em média 70 mil ouvintes por minuto. Depois dela, a Cidade, no Rio, Bandeirantes e Metropolitana, em São Paulo, aderiam à inovação.

 

O ESTÉREO NA FÉ

Privatizada no governo Sarney, a Nacional FM virava RPC. Pouco depois, ela ressurgia em outro prefixo, na faixa dos 93,3 Mhz – uma das FMs coordenadas por José Messias, também responsável pela implantação da Melodia, nascida em Petrópolis (mais tarde emissora religiosa com estúdios na Vila da Penha) e, pela Serra e Mar, em Saquarema. Em abril de 1992, então com uma programação 60 por cento voltada para a música sertaneja, a nova Nacional partia em busca de um público segmentado, de qualidade.

A ideia era deixar a linha do popularesco, pois, sua direção apostava num projeto mais elevado e, para tanto, contratava prestigiosos profissionais. O plano, porém, morreria no nascedouro, não saindo do papel. Um deputado (também pastor protestante) tornara-se detentor da concessão, surgindo assim a El Shaddai, mais uma FM religiosa, entre as primeiras a invadir o segmento.

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Ondulantes.Com

CBN Esportes, no ar desde a fundação da emissora, e transmitido de São Paulo em rede das 9h ao meio-dia, tem novo titular – Vinícius Moura. Ele desbancou Carlos Eduardo Éboli, o seu mais longevo apresentador. /o Primeiro com Alex de Oliveira, depois Ricardo Teles os apresentadores do Redação Paradiso, nas férias de Sérrgio Gianotti na SulAmérica Seguro Paradiso FM. /o A Turma do Rádio, na Roquette Pinto (94 FM) entrou em fase de reprises. O programa deste sábado (30) foi o mesmo da semana passada,  tendo se registrado precedentes.  Francisco Barbosa pode explicar isso?

 

 

 

 

 

sábado, 23 de janeiro de 2021

Nas Ondas do Rádio

 

REMINISCÊNCIAS (Parte II, 3)

Antes de se especializar em novelas, a Rádio São Paulo tinha no humorismo um dos pontos de atração. Ariovaldo Pires, o Capitão Furtado, que também atuaria na Educadora, era o nome mais importante do elenco. Cascatinha do Genaro, que ele criou e apresentava, foi um programa de muita popularidade. Em todos os tempos, a situação política fornecia subsídios para o humorismo no rádio e, marco desse gênero, inegavelmente, o PRK-30, de Lauro Borges e Castro Barbosa. Na década de 30 é que surgiriam os primeiros programas e, Dino Cartopacci com o Zé Fidélis, um exemplo disso.

O programa de Renato Murce, Piadas do Manduca, lançado pela Rádio Clube do Brasil, era chamado de Cenas Escolares. A mudança de nome e enfoque deveu-se a reclamações do professorado, que se incomodava com a maneira que ele retratava o dia-a-dia da classe. A fase de maior sucesso ocorreria na Rádio Nacional. Além do autor, os intérpretes eram Brandão Filho, Lauro Borges e Castro Barbosa. Os dois últimos, em voo solo – criadores do PRK-30 – mudariam para a Mayrink Veiga e nela ficariam até 1945, de onde iriam para a Nacional. Em 1956, trocaram mais uma vez de prefixo, ingressando na Record.

 

UM PROJETO NOVO

Nesse ano a Nacional colocaria em prática um projeto   que vinha adiando. O horário vago com a saída de Borges e Barbosa seria ocupado pelo Balança Mas Não Cai, de Max Nunes, com narração de Afrânio Rodrigues e a participação de um numeroso cast de comediantes. No programa, dois anos mais tarde, incorporava-se um quadro de muita repercussão – O Primo Rico e o Primo Pobre, idealizado por Paulo Gracindo, que contracenava com Brandão Filho. Dono de uma versatilidade incrível, Brandão também se destacaria como personagem-chave da série escrita por Giusseppe Ghiaroni, Tancredo e Trancado, um memorável programa apresentado aos domingos ao anoitecer. Brandão era o Tancredo, e o Trancado, Apolo Correa.

Outra dupla de destaque foi Alvarenga e Ranchinho, com passagens pela Nacional e Tupi. De brilho intenso também, o humorista Silvino Neto. O Hotel da Pimpinela, habitado por uma galeria de personagens, explorava a fundo os acontecimentos políticos. Silvino se assemelhava ao Nhô Totico (Vital Fernandes da Silva) de São Paulo, que fazia uma variedades de tipos e personagens e a sonoplastia de seus programas. Teve atuações em diversas emissoras, ficando mais tempo na Rádio Cultura.

 

PERTO DOS ÍDOLOS

Os anos 30, 40 e 50 proporcionariam oportunidades para o público de auditório conhecer os seus ídolos. Na Rádio Kosmos, de São Paulo, ocorreram as primeiras manifestações, onde se instalava um salão de baile e, exibições de orquestras, ao vivo. Na Rádio Nacional, o Caixa de Perguntas, do Almirante, era um modelo. Havia, na década de 40, o preconceito da classe média contra esses programas. As donas de casa, segundo o crítico José Ramos Tinhorão, se irritavam ao ouvir aquele alarido no rádio, especialmente as que precisavam de uma empregada doméstica. Elas achavam, por isso, que o local era para pessoas que não tinham o que fazer.

Em 1943, depois de uma parada na Mayrink Veiga, o Trem de Alegria, de Heber de Bôscoli e Iara Sales, estacionaria na gare da Nacional. Lamartine Babo, que dele era componente, intitulava o grupo de ‘Trio de Osso’, numa comparação irônica ao Trio de Ouro, formado por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas. Heber e Iara se tornaram mais populares ainda com A Felicidade Bate à sua Porta – ele de algum lugar da rua, ela transmitindo do estúdio. (Iara se desmanchava em zelo com o marido e, pelo microfone, recomendava que ele não esquecesse de usar a boina, pois Heber tinha sérios problemas de asma). O programa, no entardecer dos domingos, era apresentado antes do Tancredo e Trancado. Um show musical A Felicidade...  fazia distribuição de prêmios aos ouvintes consumidores de sabão e outros produtos de limpeza da União Fabril Exportadora.

 

CAVANDO AS RAÍZES

A origem dos programas de auditório remete aos de calouros. Os primeiros foram apresentados por Celso Guimarães na Rádio Cruzeiro do Sul paulista e, Ary Barroso, na Kosmos. O de Ary, Calouros em Desfile, passaria também pela Cruzeiro do Sul {carioca}, mas ganharia muita fama na Tupi, do Rio. Ary foi o descobridor de Paulo Gracindo, entre tantos valores e, responsável pela ascensão deste como animador de auditório. Essa história Gracindo contaria a Luiz Carlos Saroldi e Nei Hamilton num especial da Rádio Jornal do Brasil. Por causa do futebol, Ary faltava muito ao programa, que era das 8h às 9h da noite. Faltava, principalmente, quando o Flamengo perdia. Então, recomendava à  direção da emissora que escalasse o ator. Gracindo desempenhava muito bem a função, do que acabou gostando. Exatamente na Tupi nasceria o programa a que ele emprestava o nome, que anos depois mudaria de prefixo. Anteriormente, Gracindo comandava o Rádio Sequência G-3, audição diária na hora do almoço.

O seu programa ficaria 21 anos na Rádio Nacional, e era uma miscelânea de tudo que havia de melhor na emissora. Em sua etapa inicial a comicidade estava a cargo de Manuel de Nóbrega e Silvino Neto, a contra-regra com Jorge Veiga (que aspirava ser cantor e vivia pedindo uma oportunidade) e, na corretagem de anúncios, nada menos que Abelardo Barbosa, que viria a ser o famoso Chacrinha da TV. Com o programa do Gracindo, aos domingos de 10h ao meio-dia, disputavam a preferência do público, o de César de Alencar, das 3h da tarde às 7h da noite, e o de Manuel Barcelos, às quintas-feiras, de 11 da manhã à uma da tarde. No de César, a rivalidade entre as cantoras Emilinha Borba e Marlene, circunscrita ao domínio dos fãs-clubes.

 

OUTROS CAMINHOS

Os novos rumos do rádio se descortinavam na década de 40. Vieram os filões, e a radionovela que se popularizaria rapidamente. Seu antecedente ocorrera na Record –as peças de 50 minutos de duração sob o título geral de Teatro Manuel Durães. O gênero, na Mayrink Veiga, chamava-se Teatro Pelos Ares, dirigido por Cordélia Ferreira. Em São Paulo, o sucesso das novelas obrigava a utilização de uma viatura dos Correios para o transporte de cartas destinadas aos atores e autores. Oldemar Ciglione, Ênio Rocha, Arlete Montenegro, Nilva Aguiar e Walter Forster, entre outros, provocavam os suspiros das domésticas. No Rio, nos anos 50 a Nacional chegava a ter 16 novelas em cartaz. De Em Busca da Felicidade a O Direito de Nascer (quase um ano no ar), os locutores apregoavam sempre: ‘E ouçamos mais um emocionante capítulo de...’

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Ondulantes.Com 

O vestido azul que um professor presenteara aluna pobre alterou a vida de uma comunidade. Pintura de otimismo esse quadro Moral da História, no Programa Roberto Canazio, na Super Rádio Tupi, neste sábado (23). /o Em meio a uma playlist de números conhecidos, Alexandre Tavares conduz o Painel JB, 1ª Edição, das 7h às 9h das manhãs de 2ª a 6ª feiras. Boa opção para quem quer saber das últimas em tempo curto.