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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Ouvindo as ondas

POPULAR, O GRANDE NEGÓCIO
...E, agora, é a vez do signo de gêmeos. Eu sou um geminiano – dizia o Antônio Carlos anunciando na quarta (20), o horóscopo do seu programa na Tupi. Geminiano não suporta a rotina – respondia a astróloga Zora Yonara.

Colaboradora do apresentador, é uma dentre os que o acompanharam na mudança de emissora há cinco meses. ‘Tá’ mais do que explicado. O show que passou 30 anos na Globo, de volta à rádio onde iniciara, continua líder.

A descrição que Zora fez sobre o signo do seu patrono, desmente a linha que o programa segue. Esse argumento figura na lista de tudo que se ouve num roteiro estático, imexível. Se ela (a astróloga) refere-se aos nativos de Leão, por exemplo, automaticamente o comunicador adverte: “Leoninos atentos”.

Reunindo um time de profissionais de que a ‘outra’ se descartou, o programa conta com as participações de Juçara Carioca, Aldenora Santos, Karla de Luca e Ricardo Campello. Grande negócio popular, embora reconhecida mesmice.

E, pelo andar do metrô, dificilmente os cardeais da Rua do Russel, que abriram mão da concorrência na mesma faixa, vão reverter os índices de audiência. A propalada ‘reinvenção' custará caro. Nada fácil mudar o hábito do público.


QUEM NÃO GOSTA...
“O futebol é a minha cachaça”, afirmava Vandelerlei Luxemburgo, na véspera da partida do Sport com o Flamengo, pelo Brasileiro. A de muita gente, com certeza. A de nós outros, de forma diferente, pois nos concentramos no quesito sintonia.

Por isso mesmo, não vemos como escapar das expressões (pra lá de surradas) , um linguajar próprio, sem dúvida, dos narradores, comentaristas e repórteres de rádio. O vocabulário praticado é um verdadeiro manancial para pesquisadores.

Do interminável festival, há 'trocentos' anos carente de renovação, não faltam: ‘perdeu um gol feito’; ‘perdeu uma chance de ouro’; ‘abriu a porteira’; ‘fechou o caixão’; ‘e, o goleiro não pode fazer nada’; ‘eu vi essa bola lá dentro, cara’; etc.

Na quarta (6), quando o Flamengo – ei-lo de novo – enfrentava o Cruzeiro pela Copa do Brasil, Álvaro Oliveira Filho, na CBN, saiu-se com essa: “Jogadores que jogam preparando a jogada”. Surpreendente: ele está no rol dos melhores.

SEGUNDA VOZ OFICIAL
Uma das agradáveis exceções no rádio contemporâneo – já dissemos em outras postagens – é o “Todas as Vozes”, do Marcus Aurélio, na MEC AM, de manhã (de 7 às 10h). Na segunda (18), a jornalista Rose Esquenazi lá estava novamente.

Tinha localizado e levou ao estúdio, o Fernando César, 83, que foi sucessor de Vitório Gutemberg (1933-2004),como voz oficial do Maracanã, com aquela frase histórica: “A Suderj informa...” Eles eram contratados da Mayrink Veiga.

Gutemberg,mais antigo, passou pela emissora no tempo do Isaac Zaltman e Jair de Taumaturgo, como disc-jockey. Fernando César (na verdade Fernando Tostes), foi um dos titulares do “Grande Jornal Fluminense”, editado em Niterói.

FC tinha outra atribuição naquela rádio -- selecionar os calouros do programa “PRE-Neno”, patrocinado por uma rede de eletrodomésticos da cidade de lá. Anunciando no então “maior do mundo”, ele trabalhou no período de 1967 a 1982.

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A brilhante Rose não disse (ou esqueceu de perguntar) um detalhe importante sobre o matinal programa de calouros que o Fernando mencionou. Quem o apresentava? O Marcus, também professor e pesquisador, ficou devendo a informação aos interessados. O “PRE-Neno” era comandado por José Messias (1928-2015), que faria carreira na Rádio Nacional, das diversas no Rio.

HORAFINAL DOIS
Em edição recente do “Todas as Vozes”, o Paulo Francisco, colaborador de “O Rádio Faz História”, assegurava que Adelzon Alves inaugurou, em 1978,a madrugada na Globo. As rádios do Rio fechavam às 11 da noite e só voltavam às 5h da manhã. Segundo Ruy Castro no livro “A Noite do Meu Bem”, naquele horário em 1954, já existia na rádio, a “Reportagem Social”, com o Ibrahim Sued.




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Ouvindo as ondas

FM ‘DERRUBA’ SEU FUNDADOR
Uma das medidas de Fernando Ribeiro novo diretor da Roquette Pinto FM (ele substituiu Eliana Caruso que comandou a emissora durante oito anos), foi trocar o nome original da estação pelo de sua freqüência -- ’94 FM, a rádio do Rio”.
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Arquivado o bordão “a diferença está na música”, já ocupam a grade em processo de reestruturação, entre demais novidades, “A Barca do Som”, “Pop Arte” e “Cidade do Samba”, este apresentado por João Estevam na extinta Manchete.

Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2004, quando a rádio contratou profissionais na tentativa de competir com as populares, também passara a utilizar o recurso. Um núcleo esportivo tinha o Ricardo Mazella na liderança.


A RETOMADA
Fundada como Rádio Escola Municipal em 1934, a emissora cairia no controle do Estado da Guanabara em 1960, com a transferência da capital. Seria desativada por sete anos, devido ao roubo de seus transmissores. Normalizada em 2007.

Crítico de música e radialista, entre outras atividades, Artur da Távola (1936-2008) plantou a semente que tornaria a Roquette Pinto a melhor referência para a classe dos intelectuais e a elite do Rio, outrora (decantada) Cidade Maravilhosa.


OS PRECEDENTES
Tradicionalmente, esse requisito não se traduz em audiência. O retrospecto não oferece recomendáveis precedentes. Antes da fusão de programas do AM com o FM, que ocorreria com a perda de ouvintes, a Tupi fez a experiência no setor.

Adotara por nome o 96 FM, (do 96,5) e colocava como promocional “O Amor do Rio”, mais tarde propagado pela Nativa. A extensão desse braço no condomínio Associado teve a Antena 1 por moeda,com a devolução de uma e outra fechada.


O QUE FOI SUCESSO
Nascida Eldorado em 1971 e transformada em Eldopop dois anos depois, a 98 FM foi a rádio com nome da freqüência que maior sucesso obteve na era contemporânea. Nada menos que 20 anos. Morreria em 2014,denominada Beat.

O último suspiro, no entanto, se daria no verão do ano seguinte, nas ondas da internet. Os cardeais do Sistema Globo batizaram-na de Radiobeat, após serem obrigados apropriar-se do prefixo para servir à principal da empresa -- sua matriz.

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Bem sucedida na utilização do modelo, esteve bastante próxima da 98, apenas a 105 FM. Durante dois anos (1989 e 1990) ela ostentava a vice-liderança no Ibope. Participavam da equipe Fernando Mansur, Mário Belizário, Robson Castro, Antônio Leal e Oduvaldo Silva, entre outros. Ao mudar de dono, virou Aleluia.

HORAFINAL DOIS
Um grande façanha conseguira a 105 FM, durante boa parte de 1991. Reunindo luminares da comunicação moderna, tirava da 98 FM sua privilegiada posição. A emissora do SGR ficara nada menos que nove anos em primeiro lugar no Rio.





quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Rádiomania, o Livro/21

MÉDIAS E MODULADAS (B-7)
Os novos rumos do rádio se descortinariam na década de 40. Vieram os filões, e a radionovela que se popularizaria rapidamente. Seu antecedente ocorrera na Record – as peças completas de 50 minutos de duração, sob o título geral de “Teatro Manuel Durães”. O gênero, na Mayrink Veiga, chamava-se “Teatro Pelos Ares”, dirigido por Cordélia Ferreira. Em São Paulo, o sucesso das novelas obrigava a utilização de uma viatura dos Correios para o transporte de cartas destinadas aos atores. Oldemar Ciglioni, Ênio Rocha, Arlete Montenegro, Nilva Aguiar e Walter Forster, entre outros, provocavam suspiros das domésticas.

No Rio, nos anos 50, a Nacional chegava a ter 16 novelas em cartaz. De “Em Busca da Felicidade” a “o Direito de Nascer” -- quase dois anos no ar. Paralelo a isso, havia os seriados de aventura. “O Anjo” interpretado por Álvaro Aguiar, mesma Nacional, em capítulos de 10 minutos. Companheiro dele, o “Metralha”, vivido por Osvaldo Elias, que ainda personificava o zangado “Dr Enfezulino” da “Família Firim-Fimfim”, dentro do Programa Luiz Vassalo.

(Além desse quadro, faziam parte do programa, “Quando os Ponteiros se Encontram”, primeiro com Francisco Alves, “O Rei da Voz”, depois com Orlando Silva, “O Cantor das Multidões”, a “Hora do Pato” (de calouros) e “Coisas do Arco da Velha”, humorístico em que se destacavam Floriano Faissal, Ema D’ávila, Nilza Magrassi, Brandão Filho e Norma Geraldi.)

Seriado que também marcou época foi “Jerônimo, o Herói do Sertão”, de Moisés Weltman, encarnado por Milton Rangel, coadjuvado por Cauê Filho (“Moleque Saci”) e Dulce Martins (“Aninha”) a noiva eterna do herói. Também na emissora famosa, “O Sombra”, modelo importado dos estados Unidos e que permaneceria longa temporada no ar. O intérprete era Saint-Clair Lopes e, em São Paulo, o similar a Record, por conta do Otávio Gabus Mendes.

O seriado mereceria, ainda, a atenção de Almirante. Seu investimento no gênero: “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, baseado em cartas dos ouvintes, que relatavam suas experiências com o sobrenatural. Lançado na Rádio Clube do Brasil, mais tarde, pela Nacional e, depois Tupi.

Tão importante quanto o “Calouros em desfile”, de Ary Barroso, foram a “Hora do Pato”, com Jorge Curi e “Papel Carbono”, de Renato Murce – aquele durante 16 anos com o mesmo apresentador, também revelado pelo mineiro Ary. Curi ganhara a “Hora do Pato” por não querer trabalhar no Serviço Brasileiro da BBC de Londres, pois era noivo. Aurélio de Andrade, a quem a direção da Nacional destinava aquele programa seguiria para a BBC no seu lugar.

Renato Murce não gostava da expressão ‘calouros’, e classificava os candidatos de ‘gente nova’. No seu programa só tinham vez pessoas com reais pendores artísticos, submetidas a rigorosos testes. No “Papel....”, então na Rádio Clube do Brasil, se revelariam Luiz Gonzaga, naquele tempo apenas sanfoneiro e o humorista José Vasconcelos. O rádio sofreria, nos aos 60, enormes baixas. A magia da televisão conquistava o público, atraindo grandes nomes do veículo, os melhores anunciantes. A situação política com os seus percalços proporcionaria a implantação de uma censura violenta, resultando em proibições diárias.


MEMÓRIA-2001
Em setembro, nos 65 anos da Nacional, José Messias dos mais antigos contratados, despedia-se da estação.

Produtora e atriz, Aldenora Santos, que iniciara carreira na Tupi comemorava, 50 anos de rádio em 14 daquele mês.

A Globo demitia Maurício Menezes, 25 anos de casa, e Hélio Júnior, 13, tirando do ar, em outubro, o “Agito Geral”.

Ainda no mês. O 1º aniversário da MPB FM, vinculada ao jornal “O Dia”, era assinalado com um show no Canecão.

David Rangel ganhava programa na Tupi, aos sábados à noite, com a saída de Juçara Carioca, também em outubro.






quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Ouvindo as ondas

EBC PREPARA NOVOS CORTES
Nacional e MEC AM/FM da Empresa Brasil de Comunicação sofreram baixas com suas recentes modificações. O jornalismo foi o mais afetado. Além das três cariocas, seis rádios, duas TVs e uma agência de notícia compõem a EBC.

O governo pretende lançar uma proposta de PDV (Programa de Desligamento Voluntário). Tem como objetivo diminuir o número de funcionários, estimado em 2.500, segundo revelou a colunista Daniela Lima, da “Folha de S, Paulo”.

A EBC quer tirar de seus quadros um contingente de 500 profissionais. A nota provocou reação imediata dos mais antigos. Se o governo tenciona reduzir gastos -- argumentam eles -- deve cortar os cargos dos 420 comissionados.

OUTROS ARES
E, o Rony Magrini, hein? Completaria em novembro, quatro anos de sua volta à Globo. A rádio ‘pra quem é bom de orelha’ não foi uma boa pra ele. Na segunda (4) estreia na ABC de Santo André, na Grande São Paulo, das 11 às 14h.

FOGO BRANDO
Um dos mais importantes comunicadores de sua geração, Rony Magrini estava na madrugada, afeita a poucos. Com a agravante de, no “Bandeira 2”, apenas anunciar músicas e dizer a hora, em ‘fogo brando’ sustentado pelos cardeais.

OITO POR TRÊS
Cyro Neves, (repórter), e Renata Henriques, (produtora), são os novos apresentadores do “Baú da Tupi”, na virada de sábado para domingo, de meia-noite às 4h. Em oito meses, é a terceira vez que o cartaz troca de comando.

AS REJEIÇÕES
O “Baú...” era produzido e apresentado por Jimi Raw desde julho de 2005. Ele saiu ano passado. Luiz Bandeira, sucessor, também. Garcia Duarte ficou em caráter provisório. Raw, Bandeira e outros, movem ação contra a Tupi.

NÃO CONVENCE
Tiago Abravanel, dançarino e cantor de sucesso em musicais de teatro, já fez algumas aparições em novelas. No rádio, é um dos titulares do “Papo de Almoço” da Nova Globo. O programa estreou em junho. Ele ainda não disse a que veio.

FORA D’ÁGUA
Tivesse que passar pela escolinha do Ruy Jobim, seria reprovado num teste de locutor. Deve-se duvidar do seu talento por isso? Pelo mostrado na quinta (24), o neto do famoso apresentador de TV é um peixe fora d’água na ‘latinha’.

A PARADA DURA
As FMs O Dia, Mania e Fanática estão no dial para os interessados em suas programações. Levantamento do Ibope situam-nas em bons índices de audiência. São uma parada dura -- conforme um conjunto nordestino, hoje ausente da mídia.

GOSTO É GOSTO
Às vezes por distração, nunca por curiosidade, sintonizamos numa delas. Grupo sertanejo à parte, lembramos do Conselheiro Acácio, do romancista Eça de Queiroz. “Gosto e caldo e galinha não se discute”, afirmava o personagem.

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Magrini, Paulo Lopes e Haroldo de Andrade (1934--2008) foram numa fase da Globo os maiores salários da casa. E dispensados em 2002. Magrini foi para a Tupi paulista (hoje Top), Lopes para a Capital, e Haroldo fundaria uma rádio.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Rádiomania, o Livro/20

MÉDIAS E MODULADAS (B-6)
Os anos 30, 40 e 50 proporcionariam oportunidades para o público de auditório conhecer os seus ídolos. Na Rádio Kosmos, de São Paulo ocorreram as primeiras manifestações, onde se instalava um salão de baile e, exibições de orquestras, ao vivo. Na Rádio Nacional, o “Caixa de Perguntas”, de Almirante, era um modelo. Havia, na década de 40, o preconceito da classe média contra esses programas. As donas de casa, segundo o crítico José Ramos Tinhorão, se irritavam em ouvir aquele alarido no rádio, especialmente as que precisavam de uma empregada doméstica. Elas achavam por isso, que o local era para pessoas desocupadas.

Em 1943, depois de uma parada na Mayrink Veiga, o “Trem da Alegria”, de Heber de Bôscoli e Iara Sales, estacionaria na gare da Nacional. Lamartine Babo, que dele era componente, intitulava o grupo de “Trio de Osso”, uma comparação irônica ao “Trio de Ouro”, composto por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas. Heber e Iara se tornariam mais populares ainda, com “A Felicidade Bate à Sua Porta” – ele de algum lugar da rua, ela transmitindo do estúdio.

(Iara se desmanchava em zelo com o marido e, pelo microfone, recomendava que ele não esquecesse de usar a boina, pois Heber tinha um sério problema de asma.) O programa, no entardecer dos domingos, era apresentado antes do “Tancredo e Trancado”. Um show musical, “A Felicidade...” fazia distribuição de prêmios aos consumidores de produtos de limpeza de um patrocinador.

A origem dos programas de auditório remontam aos de calouros. Os primeiros foram apresentados por Celso Guimarães na Rádio Cruzeiro paulista e, Ary Barroso, na Kosmos. O de Ary, “Calouros em Desfile”, passaria também pela Cruzeiro do Sul, mas no Rio, e ganharia fama na Tupi. Ary foi o descobridor de Paulo Gracindo e, responsável pela ascensão dele como animador de auditório.

Essa história Gracindo contaria a Luiz Carlos Saroldi e Ney Hamilton num especial da Rádio Jornal do Brasil. Por causa do futebol, Ary faltava muito ao programa, que era das 8 às 9 horas da noite. Faltava, principalmente, quando o Flamengo perdia. Então, recomendava à direção que escalasse o ator. Gracindo desempenhava muito bem a função, do que acabou gostando. Exatamente na Tupi nasceria o “Programa Paulo Gracindo”, que anos depois mudaria de prefixo. Antes, Gracindo comandara o “Rádio Sequência G-3” diário, na hora do almoço.

Na Rádio Nacional, para onde ele se mudou, seu programa ficaria 21 anos. Era uma miscelânea de tudo que havia na emissora. Em sua etapa inicial a comicidade estava a cargo de Manuel da Nóbrega e Silvino Neto, a contra-regra com Jorge Veiga (que aspirava ser cantor e vivia pedindo uma oportunidade) e, na corretagem de anúncios nada menos que Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
Com Gracindo aos domingos de 10 horas ao meio-dia disputavam a preferência do público, o de César de Alencar, sábados de 3h da tarde às 7h da noite, e o do Manuel Barcelos, às quintas-feiras, das 11h da manhã à 1h da tarde. No do César, a rivalidade entre os fãs-clubes de Emilinha Borba e Marlene.

MEMÓRIA-2001
Depois de uma temporada em Brasília, André Giusti retornava ao Rio em julho. Ancorava o “CBN Esporte” aos domingos e um noticiário matinal nos demais dias.

Paulo Lopes, que estava na Globo desde 1987, deixava a emissora no período, e acertava em outubro com a Capital. Notabilizara-se na Tupi do Rio nos anos 70.

Decidida a inovar em transmissões esportivas a CBN contratava o ex-craque Tostão para um tal de ‘imagem real’,fragmentos de jogos. Não decolara.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ouvindo as ondas

UM ‘GIGANTE’ NA CRISE
Pelo tamanho dos pés se conhece o gigante – diz um ditado antigo. Os tempos mudaram, evidentemente. Na Rádio Nacional da época de ouro, com a variedade de novelas, programas de auditório e outros, anunciantes ‘brigavam’ por espaço.

Nos dias atuais, a crise só faz as emissoras reduzirem seus quadros, enxugarem custos. Há, porém, um gigante na praça. Você acredita? O mais incrível é que, ele (o veículo) passou por três greves, duas de advertências, de 24 e 72 horas.

A mais prolongada foi justamente no período de festas de fim de ano – dezembro de 2016. Qual o nome do gigante? Naturalmente não precisamos mencionar. Interessado no tema (esse amor nosso de cada dia), você já percebeu...

O referido está baseado no imperial bairro de São Cristóvão, na Rua Fonseca Teles. Segundo revelou o site “Tudo Rádio”, a emissora do Condomínio Associado disparou no Ibope através do seu FM durante os meses de junho e julho.

FAZENDO FILA
Uma prova disso é o número crescente de anunciantes que dela fazem parte. Quem se der ao trabalho de ouvi-la atentamente vai confirmar esta configuração. Na matemática, números dizem muito, a menos que haja algum estratagema.

QUE MÁGICA
Não sabemos qual a mágica adotada pelo Josemar Gimenez. O que muitos da classe estão querendo saber é se, depois disso, a empresa acerta com aqueles que ficaram com salários atrasados, foram dispensados, ou se afastaram.

MESMICE GANHA
Em certos momentos há mais anúncios do que sessões. A mesmice,tão criticada pelos de bom gosto, está ganhando de lambuja. E deixa de cabeças esquentadas os cardeais da reinvenção, na basca de um público jovem e antenado.

EMPRÉSTIMO
Jornalismo sem repórter não dá, não tem graça nenhuma. A Rádio MEC AM não possui, atualmente, equipe de reportagem. Utiliza gente da Nacional, revelando no ar, essa prestação de serviço. Pelo menos, não engana seus ouvintes.

MALTRATADA
Coisas da crise que acontece no país, ou da surpreendente EBC, tão maltratada pelos administradores que nela estiveram desde sua revitalização no distante 2004. Em qualquer pesquisa envolvendo a emissora, o traço é lugar-comum.

DO SEU JEITO
Pelo bordão que anda divulgando – ‘do jeito que você gosta” – faz lembrar do homem que não perde a pose em quaisquer circunstâncias. Pode estar com os bolsos vazios e a conta bancária zerada, que sairá por aí todo convencido.

DEFENSIVA
Um animador cultural, roteirista de TV e escritor argumenta que, rádio estatal não tem as preocupações das comerciais. Qualidade é mais importante – acrescenta. Certíssimo o seu ponto de vista na defesa da Roquette Pinto,‘sob nova direção’.

A TELA RUÇA
Essa visão relativa à emissora em tela (perdão aos modernistas), se aplicaria bem às estações citadas no começo do bloco. Com o pomposo nome de Empresa Brasil de Comunicação, nem os sites atualizam, ao mudarem suas grades.
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HORAFINAL.COM
As Forças Armadas vão ficar no Rio até o fim de 2018 – declarou nesta quinta (17) ao Milton Jung, da CBN, o comandante do Exército Eduardo Dias da Costa Lisboa. O áudio parecia sair de um garrafão.Mantido no ar por seu conteúdo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Rádiomania, o Livro/19

MÉDIAS E MODULADAS (B-5)
Antes de se especializar em novelas, a Rádio São Paulo tinha no humorismo um dos pontos de atração. Ariovaldo Pires, o ‘Capitão Furtado’, que também atuaria na Educadora, era o nome mais importante do elenco. “Cascatinha e Genaro”, que ele criou e apresentava, foi um programa de muita popularidade. Em todos os tempos, a situação política fornecia subsídios para o humorismo no rádio e, marco desse gênero o “PRK-30”, de Lauro Borges e Castro Barbosa. Surgiriam então, na década os primeiros programas. Dino Cartopacci com “Zé Fidélis”, um deles.

O “Piadas do Manduca”, de Renato Murce, lançado pela Rádio Clube do Brasil, era chamado de “Cenas Escolares”. A mudança de nome e enfoque deveram- se a reclamações do professorado, que se incomodava com a maneira que o seu produtor retratava o dia a dia da classe. A fase de maior sucesso, ocorreria na Rádio Nacional. Além do autor, os intérpretes eram Brandão Filho, Lauro Borges e Castro Gonzaga. Os dois últimos, em vôo solo – criadores do impagável “PRK-30” – mudariam para a Mayrink Veiga e nela ficariam até 1945, de onde iriam para a Nacional. Em 1956, trocavam mais uma vez. Ingressavam na Rádio Record.

Naquele ano a Nacional colocaria em prática um projeto que vinha adiando. O horário vago com a saída de Borges e Gonzaga seria ocupado pelo “Balança Mas Não Cai”, de Max Nunes, com narração de Afrânio Rodrigues e a participação de um numeroso cast de comediantes. No programa, dois anos mais tarde, incorporava-se o quadro de enorme repercussão, “O Primo Rico e o Primo Pobre”, idealizado por Paulo Gracindo, que contracenava com Brandão Filho. Dono de uma versatilidade incrível, Brandão também se destacaria como personagem-chave da série de Giusseppe Ghiaroni, “Tancredo e Trancado”, aos domingos, no anoitecer, antes de "A Felicidade Bate à Sua Porta", com Heber de Bôscoli e Yara Sales. Brandão era o Tancredo -- Trancado, Apolo Corrêa.

Outra dupla de destaque foi Alvarenga e Ranchinho, com passagens pela Tupi e Nacional. Brilhante, também aparecia o humorista Silvino Neto. O “Hotel da Pimpinela”, habitado por uma galeria de personagens, explorava a fundo os acontecimentos políticos. Silvino assemelhava-se a “Nhô Totico” (Vital Fernandes da Silva), de São Paulo, que fazia uma variedade de tipos e a sonoplastia da atração. “Nhô Totico” trabalhou em diversas emissoras. Mais tempo na Cultura.

MEMÓRIA-2001
Afastado oficialmente do rádio no final de 1996 quando estivera na Tupi, Haroldo Jr. reiniciava suas atividades na Carioca. Em 23 de maio, das 4 às 5h da tarde.

E, durante todo aquele período a Manchete CCI voltava a funcionar no piloto automático. Repetia setembro de 2000, com dispensa de seus profissionais.

Robson Alencar estava há quase dois anos na Rádio MEC e retornava em julho à Tupi. Substituía o noticiarista Luiz Nascimento, que se desligara no mês anterior.
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Rádiomania, o Livro/19

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ouvindo as ondas

DOURADAS REMINISCÊNCIAS
Memorável a participação da jornalista Rose Esquenazi no quadro “O Rádio Faz História”, do Marcus Aurélio, na MEC AM, sexta (4). Focalizara Dick Farney (1921-1987), cantor e pianista, pelos 30 anos de sua morte, completados na data.

Farnésio Dutra e Silva, nome no registro civil, Dick Farney transitou com desenvoltura pelo jazz, samba-canção e bossa nova. Começou num programa infantil da Rádio Cruzeiro do Sul e brilhou no estelar elenco da Mayrink Veiga.

Marcantes: “Somos Dois”(Armando Cavalcanti/Klécius Caldas/Luiz Antonio); “Alguém Como Tu” (José Maria de Abreu/Jair Amorim); “Tereza da Praia” (Tom Jobim/Billy Blanco); “Marina” (Dorival Caymmi); e “Esquece” (Gilberto Milfont).

Crooner do Cassino da Urca, atuou em boates de Copacabana, cujo mar ficou imortalizado em música de João de Barro e Alberto Ribeiro: “Existem praias tão lindas cheias de luz/Nenhuma tem os encantos que tu possus/Tuas areias...”

Dick também se apresentou em TV, primeiro Record, depois Globo. Nesta, formou dupla com a atriz (e cantora) Betty Faria. Após atuações no Cassino da Urca, foi convidado para shows nos Estados Unidos, incluindo uma emissora de rádio.

FATOS INCOMUNS
No dia em que os meios de comunicação assinalavam as três décadas da morte de Dick, assinalavam também, o falecimento de Luiz Melodia, aos 66. Aquele (da era do rádio) faria em novembro mesma idade de Melodia (surgido na era da TV).

LOIRA & PÉROLA
O criador de “Uma Loira” (Hervê Cordovil) teve um de seus sucessos (“Somos Dois”) como tema de filme, o autor de “Pérola Negra” tornou-se conhecido do grande público através de “Juventude Transviada”, que foi trilha de novela.

SAMBA SOCIAL
Comandado por Valéria Marques, “Samba Social Clube” está há seis meses na SulAmérica Paradiso, com bons índices. Nascido na extinta MPB, o cartaz, nos fins de semana de 12 às 14h, é dos mais prestigiados naquela emissora.

DE CAMAROTE
O programa tem participação do dançarino Carlinhos de Jesus, que leva convidados para o seu “Camarote”, em quatro edições. No sábado (5) houve a presença do Casuarina, de João Cavalcanti, filho do cantor e compositor Lenine.

FLA NAS OITAVAS
Mudemos o pólo da conversa. Sob a direção de Jaime de Almeida, interino ‘eterno’, o Flamengo goleou de 5 a 0 a equipe do Palestino. Classificou-se para as oitavas da Copa Sul Americana em jogo na Ilha do Governador – agora do Urubu.


VINÍCIUS, ENFIM
Revelação a caminho do exterior, Vinícius Jr. fez o gol mais esperado. Márcio Araújo continua ‘invicto’, três anos sem marcar. Edson Mauro narrou na Globo, auxiliado por Álvaro Oliveira , André Luiz, Gustavo Henrique e Francisco Aiello.

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Em “Tereza da Praia”, rara parceria de Tom Jobim e Billy Blanco, Dick Farney canta com o Lúcio Alves, mesmo timbre. Nas interpretações, em forma de diálogo, eles brincam sobre a descoberta de certa musa do Leblon. Obra prima.





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Rádiomania, o Livro/18

MÉDIAS E NODULADAS (B-4)
“A Nacional era ouvida em todo o Brasil por uma massa enorme de público”, revelaria Paulo Tapajós, diretor musical e produtor da emissora por muitos anos. “Isso aguçava o interesse dos anunciantes, que formavam fila à espera de uma vaga na programação. Aos poucos foram suprimidos os quartos de hora focalizando um artista e, criou-se os programas de talento, de inteligência”.

A Rádio Nacional ganharia, em 1942, novo estúdio com palco e plateia. E também passaria a operar em onda curta com antena dirigida para a Europa, revelaria ainda Paulo Tapajós. Numa determinada época, segundo ele, a Nacional era considerada a quinta emissora do hemisfério, competindo com a BBC (Inglaterra), NBC (Estados Unidos), Europa 1 (França) e RAI (Itália).

“É fundamental reconhecer o impacto da onda curta... Através dela o rádio mostrava o que o Brasil tinha a oferecer ao exterior, dentro de uma política de integração”. A observação é de Sônia Virgínia Moreira, professora de jornalismo da Uerj, que durante algum tempo trabalhou na Rádio JB AM.

Almirante, Radamés Gnatali e José Mauro formaram um tripé da maior renovação que se fez na Rádio Nacional. A eles se juntariam Haroldo Barbosa e Paulo Tapajós, afirmava Luiz Carlos Saroldi, parceiro de Sônia num livro sobre a estação. “Chegava o tempo da radionovela, com “Em Busca da Felicidade” e, também o jornalismo se projetava com o modelo do “Repórter Esso”.

Em depoimento ao “Especial” da RJBAM em outubro de 1997, Radamés dissera que só fazia “Um Milhão de Melodias”, de lançamentos, para o qual escrevia arranjos e orquestrações. Os maestros Lírio Panicalli e Léo Perachi, seus companheiros na emissora, também desfrutavam de funções privilegiadas. Panicalli cuidava dos programas românticos e Perachi respondia pelos sinfônicos. “Festivais GE” – dizia Radamés -- era feito para atender o último caso.


MEMÓRIA-2000
Em 5 de agosto, um sábado, Juçara Carioca alçava vôo solo na Tupi. O “Show da Juju”, programa semanal, era transmitido das 8 às 10h da noite.

A Radiobras e o Ministério das Comunicações anunciavam em setembro a venda, provável, da Nacional, que não se concretizaria. A rádio acumulava prejuízos desde os anos 80 e ocupava a 11ª posição entre as AMs cariocas.

Pioneira no segmento a Imprensa FM era arrendada pela Jovem Pan no final de novembro. Os donos da emissora de São Paulo já haviam fechado negociações com a Fluminense, de Niterói, rebatizando-a com o nome de Jovem Rio.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ouvindo as ondas

A BANDA QUE NÃO TOCA
Se o quesito qualidade fosse motivo para as emissoras de rádios aumentarem os seus índices de audiência -- seja de notícias, música boa para as tribos diversificadas, diferentes públicos, elas estariam nas primeiras posições do Ibope.

Do grupo, naturalmente, fariam parte uma Bandnews, JB, Antena 1, SulAmérica Paradiso, Roquette Pinto e MEC. Mas, “não é assim que a banda toca” – diria do alto dos seus 80 (desculpe o lugar-comum), felpuda raposa muito bem-humorada.

Há mais de 50 anos o personagem utilizado nessa referência foi criador de inúmeros bordões de pleno gosto popular. Pelos prefixos onde desenvolveu as atividades de repórter, comentarista e apresentador, fez sucesso (e ainda faz).

Programas populares nunca perderão para os de feitura elaborada. O baixo nível cultural permite isso. Recursos da internet e redes sociais contribuem para a diminuição de ouvintes. Rádio (e TV) servem mais a seus interesses de classes.


DO AQUILES
Ultrapassado um mês do lançamento da Nova Rádio Globo, vale reconhecer que existem coisas úteis na grade. “Café das 6” é uma, “Futebol à Manivela”, outra e, mais algumas. Todavia, o “calcanhar do Aquiles” aparece na faixa das 11 às 14h.

PLURALIDADE
Pode-se afirmar sem qualquer exagero ou implicância que, ali instalaram o que se denomina “mais do mesmo”, apesar da pluralidade de opções. Se (olha ela de novo; pequena, porém importante) escolhessem um, o resultado seria melhor.

(RE)INVENCÃO
Pra quem “é bom de orelha” soa estranho anunciarem a reinvenção da rádio e colocarem no ar um negócio chamado “As Melhores da Semana”, extraído do “Tá’ Rolando Música”. Possivelmente a (re)invenção da roda, ou, talvez dos elepês...

CONFORMADO
A propósito. Sintonizado domingo último no programa que reservaram para o Roberto Canázio, descobrimos que, conformado ele está. Entre uns ‘de qualquer maneira’, comparou a revista com o “Fantástico”. Modelo matinal do cartaz da TV.

MELHOR SOM
Faz um ano e pouco que a Rádio Mania mudou-se para a freqüência da Cidade. Os locutores de lá estão afirmando que a emissora tem ‘o melhor som do Rio’ e ‘a melhor programação’. Entende-se o marketing. E, eles, acreditam no que dizem?

MELHOR II
Muito antes dessa autoproclamação, o Maurício Moreira, do “Momento Esportivo” na Brasil AM, da LBV, sustentava que ‘o melhor som do Rio’ é da estação em que ele trabalha. Quer dizer, nem originalidade o pessoal da Mania* sabe cultivar.

*Esta série teve início em setembro de 2009 por ocasião da XV Bienal do Livro Rio. Nada a ver, evidentemente, com a rádio que hoje pertence a uma empresa estudantil localizada nas proximidades da antiga capital do Estado.
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HORAFINAL.COM
Componente do primeiro time de comunicadores do rádio carioca, Luiz de França (1946-2017), exerceu a profissão por quase 50 anos. Ao vencer “A Grande Chance”, do Flávio Cavalcanti, conquistou a vaga de locutor na Rádio e TV Tupi.

HORAFINAL II
O obituário de influente jornal divulgou que ele começou na Rádio Globo em 1983, e atuara na casa 28 (?) anos. Ocorre que, o França saiu da Glória em dezembro de 1998 de volta à Tupi. (Washington Rodrigues também saíra.)

HORAFINAL III
Em 2007 foi para a Manchete, fazendo seu programa de Barbacena, sua terra natal. Pela 4ª vez, a rádio faliu em novembro de 2014, não emplacando on-line. França aposentara-se na emissora em 2015 – disse ainda o texto da publicação.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Rádiomania, o Livro/17

MÉDIAS E MODULADAS (B-3)
Deve-se a Almirante as modificações radicais no veículo. Com o seu “Curiosidades Musicais” ele inovaria em 1938 na Rádio Nacional, dando forma aos programas montados. Esse tipo reunia cantores, orquestras, atores e, um narrador no comando das ações. São Paulo e Rio de Janeiro produziam estilos diferentes e eram os maiores centros de radiodifusão

A Radio Nacional dominava nos anos 40 e suas ondas só não chegavam à Paulicéia por causa da Serra da Mantiqueira, entre os dois estados. Essa soberania, porém, pertencera à Mayrink Veiga por alguns anos antes. César Ladeira pontificava como o nome mais importante, em função do prestígio que obtivera com a Revolução Constitucionalista de São Paulo.

Durante o governo Getúlio Vargas, em 1940, todas as empresas do grupo À Noite seriam encampadas. Nomeado superintendente da Nacional, Gilberto de Andrade desfrutava de enorme conceito no meio artístico, e faria uma administração muito aberta. Contratava os maiores profissionais e dotava a rádio das melhores condições, pois conhecia bem o pessoal.

Chefe do Departamento de Contra-Regra da emissora por longo tempo, Edmo do Valle fora uma das testemunhas dessa história. Segundo ele, o rádio-teatro da Nacional sob a direção de Vítor Costa chegou a ter 120 profissionais e o departamento que lhe dava sustentação, um estúdio próprio.

A Nacional era um clássico em radionovela no Rio e, na terra dos bandeirantes, a Rádio São Paulo. No dizer de Mário Brasini, novelista na fase áurea da emissora, impossível traçar um perfil do veículo sem se falar do gênero. A década de 30 representaria um marco decisivo no rádio.

Ele cresceria com a publicidade paga, permitindo a formação de quadros. A Nacional, que revolucionaria todos os conceitos, foi inaugurada em setembro de 1936, emitindo seu sinal, oficialmente, às 9 horas da noite do dia 12. Foram seus fundadores Aurélio de Andrade, Oduvaldo Cozzi e Celso Guimarães, que se reuniam numa sala do 4º andar do lendário edifício da Praça Mauá, 7. Celso, o mais experiente, seria o responsável pela estrutura e programação.

Nove dias antes, entrava no ar a Inconfidência de Belo Horizonte, emissora oficial criada para atender à Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, que tinha como titular Israel Pinheiro, anos mais tarde eleito governador do estado. O objetivo da rádio era orientar o homem do campo e, para tanto, contratou-se o agrônomo Jairo Anatólio de Lima, dono de um programa específico, inicialmente com meia hora , depois com uma hora de duração. A “Hora do Fazendeiro” foi o primeiro programa a divulgar músicas sertanejas no Brasil.

Empresas jornalísticas visualizaram no rádio a maneira de unificar as suas forças. O caso dos “Diários Associados”, com a Tupi, “À Noite”, com a Nacional (cujo patrimônio incluía “Noite Ilustrada”, “Vamos Ler” e “A Carioca”, entre outras revistas), e “Jornal do Brasil”, com a emissora de igual nome. Em 1940, a rádio já era um grande veículo de comunicação. A encampação da Nacional pelo governo, aumentariam os recursos humanos, técnicos e financeiros.

MEMÓRIA--2000
Francisco Barbosa estreava em 5 de junho na Rádio Carioca, seis meses depois de ser demitido pela Globo, onde havia trabalhado 15 anos.

Uma das primeiras FMs do país, a Tupi passaria a se chamar Nativa no início de agosto. Mantinha a programação e o slogan ‘o amor do Rio’.

Também mudavam de nome no período, a Tropical e a Opus 90. Aquela era rebatizada de Scala, a outra Nova e, logo em seguida MPB FM.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ouvindo as ondas

‘... VOAM COM AS NOTÍCIAS’
Quem, sintonizado numa estação de rádio trafega pelo centro das grandes cidades como o Rio, por exemplo, sabe que diariamente ‘o trânsito está complicado na rua X, na avenida Y, ou no viaduto Z’. Nas manhãs ou tardes.

Isso que se denomina prestação de serviços é feito mais amiúde pelas emissoras dedicadas exclusivamente às notícias, Bandeirantes e CBN, no caso. As mais importantes emissoras fazem esse tipo de cobertura, entre elas, Tupi e a JB.

No horário vespertino Marcela Lemos, Gabriel Rocha, Edilaine Mattos e José Carlos Cardoso são, pela ordem, os repórteres que atuam nas rádios aqui referidas. Eles ‘voam com as notícias’, segundo o bordão de uma dessas.

CAIU NA REDE
A recente reforma na programação das emissoras da EBC, agora em rede, destinou para a Nacional do Rio somente as ‘tirinhas’ da grade. A de Brasília encabeça a maior parte dos horários. Às outras, ‘janelas’ nos informativos.

Programas de notícias do Rio mais abrangente, o ouvinte terá na MEC AM, com assinatura da Nacional, uma vez que a outra ‘deletou’ sua equipe. A EBC está utilizando os seus quadros de executivos para oferecerem resultados desse jaez.

Tirante o vitrolão na forma de ‘especial’ que preenche horários, a Nacional-Rio transmite, a partir da reforma, o “Musishow” nas noites sem futebol, e o “Adelzon Alves na Madrugada”. No gênero variedades, apenas o “Tarde Nacional”.

DIFERENCIADO
Os sábados, em linguagem pomposa, é um dia diferenciado. A Nacional os reserva para os profissionais da terceira idade. Escalados o Waldir Luiz, com “Alô Rio”, Daysi Lúcidi (“Alô Daysi”) e Gerdal dos Santos (“Onde Canta o Sabiá”).

Nesses dias (e aos domingos) a principal emissora da EBC na outrora Cidade Maravilhosa, leva para o seu público reprises de programas da chamada época de ouro, em que pontilhavam as novelas, atrações do auditório e os de broadcast.

E, a exemplo da tradicional estação da lendária Praça Mauá, a rádio dos Marinho também incursionou na mesma seara. Os fins de semana ficaram para os veteranos. David Rangel nos sábados e Roberto Canázio aos domingos.

OPÇÃO ALPHA
Frustradas as expectativas em torno do lançamento da Alpha no Rio. De rádio musical a cidade está bem abastecida, levando-se em conta que nela operam as FMs JB, Antena 1, SulAmérica Paradiso e Roquette, incluindo-se a MEC AM.

As correntes mais otimistas entre os apreciadores esperavam que a nova rádio contribuiria para o aproveitamento dos profissionais que, no ano passado, perderam seu emprego, sendo demitidos nas principais emissoras.

A Alpha -- pode-se observar -- é um fragmento resultante da fusão JB-Antena-SulAmérica, sintetizada no bordão ‘trilha sonora de sua vida’. Nem jornalismo próprio ela possui. As notas que se ouve ali são da parceria com a Bandnews.

HORAFINAL.COM
Nesta quinta (20) Jota Santiago volta a trabalhar na Tupi transmitindo, a partir das 8h da noite pelo Campeonato Brasileiro, o jogo do Botafogo com o Atlético-PR, na Arena da Baixada. Fez parte do grupo que a emissora demitiu em julho de 2016, e passagem rápida pela Bradesco Esportes, fechada em fevereiro
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HORAFINAL DOIS
A Rádio MEC AM promove neste sábado (22), às 2lh, um especial com o sambista e compositor Elton Medeiros e convidados. No repertório dele obras como “Pressentimento”, “Bem que Mereci”, “Ame”, “Senador’, “Vestido Tubinho”, sendo parceiros Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho e outros.



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Rádiomania, o Livro/16

MÉDIAS E MODULADAS (B-2)
Paulo Tapajós, que dedicara a maior parte de sua vida ao rádio, onde começara na juventude, morreu no final de dezembro de 1990, aos 77 anos. Num depoimento à Jornal do Brasil na década de 80, ele dizia que o rádio era muito precário nos seus primórdios. Em seu conceito, o veículo surgira para valer em outubro de 1923, graças ao trabalho dos irmãos Moreira, do Recife. Locutor era chamado de speaker e, no fim dos programas, fazia relação nominal das firmas que contribuíam com a sociedade, sistema em que as emissoras operavam.

O rádio funcionava todos os dias da semana, com exceção dos domingos, contara certa vez Henrique Fóreis, o Almirante. A Rádio Sociedade e a Clube do Brasil se alternavam, uma transmitindo às segundas, quartas e sextas, a outra às terças, quintas e sábados. Alguns historiadores atribuem à Sociedade do Rio de Janeiro à primazia, outros entendem que a iniciativa coube à Rádio Clube de Recife. A segunda estação do país, no entanto, fora a Rádio Clube do Brasil, no Rio, sendo a Pelotense, no interior do Rio Grande do Sul, a terceira.

Em 1931 era inaugurada a Rádio Record de São Paulo, fundada por Paulo Machado de Carvalho. No ano seguinte, em 9 de julho, estourava a Revolução Constitucionalista. A Record se posicionava na vanguarda dos acontecimentos políticos. Nela, os locutores César Ladeira, Nicolau Tuma e Renato Macedo se destacavam. A rádio ganhava o slogan de “a voz de São Paulo”, enquanto Ladeira passava a ser chamado de “a voz da Revolução”.

No começo dos anos 30, quando o governo Getúlio Vargas legalizaria o processo de comercialização do veículo, o primeiro programa do gênero apareceria na Mayrink Veiga. O apresentador era Valdo de Abreu, e a atração que comandava se estendia de manhã à noite. Depois viria o “Programa Casé”, na Rádio Phillips, que estreara em 1932. Ademar Casé, idealizador daquelas audições, inspirara-se na BBC de Londres. (Tinha aversão a microfone e utilizava três locutores para as apresentações, um deles, o Alziro Zarur). Era vendedor da Phillips, empresa que mantinha uma gravadora e fabricava equipamentos elétricos.

Sem o saber, Casé já praticava naquele tempo, o que muitos anos mais tarde a mídia definiria como lobby. Foi no “Programa Casé” que Almirante, ‘a maior patente do rádio’ se revelou. Os reclames – nomes dados aos comerciais – eram em forma de versinhos. Participavam da equipe de redatores Henrique Pongetti, Luiz Peixoto e Antônio Nássara, cabendo a este a criação dos primeiros textos cantados, que seriam o embrião dos jingles. Apresentavam-se naquele programa, cantores do nível de um Noel Rosa e Marília Batista, e outros da época.

MEMÓRIA-2000
O jornalista e produtor Maurício Menezes era promovido em março, a apresentador nas manhãs de sábado, na Globo. Haroldo de Andrade deixava de se apresentar naqueles dias.

Antônio Carlos ampliava seu espaço. E, na segunda, 13, passava a comandar uma nova versão do “Você Decide – Verdade”, tentativa de ‘brigar’ com o “Patrulha da Cidade”, da concorrente.

A Manchete CCI também promovia estreia na mesma data. Lançava o “Rio 760, Tarde Total”, de 1 às 4h, substituindo o “Programa Cirilo Reis”, que dividira com o Alexandre Ferreira o horário.
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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Radiomania, o Livro/15

MÉDIAS E MODULADAS (B-1)
Em setembro de 1990, atravessando uma das fases mais criticas de sua existência, a Rádio Nacional atingia 54 anos de fundação. Sem motivo para festa. Ainda naquele mês, outra aniversariante – a Tupi – alcançava 55 anos de atividades. Com alguma comemoração.

Da mesma idade, a Jornal do Brasil assinalava em agosto, uma nova etapa de sua vida. No melhor estilo. Para a passagem do evento, vários programas, entre eles, uma série realizada pelo Serviço Brasileiro da BBC, que completava 50 anos também em agosto.

As experiências iniciais foram através de duas unidades trazidas dos Estados Unidos, uma pela Westinghouse, instalada no Corcovado, outra pela Western Electric, montada na Praia Vermelha, para as solenidades do Centenário da República. O presidente Epitácio Pessoa lá estivera, sendo o primeiro a ocupar o microfone de uma estação de radiotelefonia.

Entre os presentes, estava o professor Edgard Roquette Pinto. Maravilhado com tudo que assistira, ele fundaria em 20 de abril de 1923 a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro – que passaria a se chamar Rádio Ministério de Educação e Cultura, MEC, a partir de 1936.

Homem de muita visão e, sobretudo um grande idealista, Roquette Pinto fora também o primeiro a colocar uma ópera no ar, o “Rigoleto”, de Verdi, no dia 4 de julho, alguns meses depois de inaugurar a estação. Fora responsável pela transmissão de pronunciamentos de sábios e intelectuais que visitavam o Brasil, entre os quais, Albert Einstein e Alfred Agache.

Antes das experiências do Centenário da República, que reunira uma multidão de curiosos num recinto acanhado, onde o som estridente era a tônica, pouca gente se interessaria. Em 1893, entretanto, o padre gaúcho Landel de Moura , um inventor nato, assustava os paroquianos com seus ensaios.

Estudara na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e se formara em ciências físicas e químicas em Roma. Landel de Moura representou para o rádio o mesmo que Alberto Santos Dumont representou para a aviação brasileira.


MEMÓRIA-1999
A Tupi lançava, na última semana de março, o “Fala Governador”, com Anthony Garotinho, aos sábados, das 7 às 9h da manhã.

Naquele mês, a 94 FM (Roquette Pinto) popularizava sua programação e criava um núcleo de esportes com o Ricardo Mazella.

Ainda no período, a Nacional iniciava outra reformulação na sua grade. José Sobral, novo diretor, substituía José Carlos Cataldi.

Em 30 de junho, Haroldo de Andrade (1934-2008) fazia 50 anos de rádio. Luiz de Carvalho (1919-2008), antecessor, era lembrado.
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Ouvindo as ondas

NACIONAL VIRA REPETIDORA
É tempo de mudanças. Para fugir da mesmice reinante e garantir sua sobrevivência, as rádios se valem dos recursos da tecnologia, internet e redes sociais, meios de interagir com o público, independente de classes.

Depois da Tupi (que continua apostando no popular) e, da Globo – que radicalizou com a nova plástica --, chegou a vez da Nacional. Ela complementa a reformulação iniciada em abril, investe em jornalismo, dando prioridade a Brasília.

Com a medida, o Rio, sua sede histórica transforma-se em mera repetidora da matriz, no Planalto. O carro-chefe da programação é o “Repórter Nacional”, das 7 às 8h, que estreou na terça (4). Dentro de duas semanas terá quatro edições.

Conforme anunciou o locutor Dilson Santafé, o “Repórter Nacional”, em novo formato, lançará as demais nos dias 11 e 18. Num caso, das 11 às 12h, em outro, das 18 às 19h e das 23h30 às 24h. Haverá ‘janelas’ com as notícias regionais.

Na segunda (3), saíram da grade o “Repórter Rio” e o “Tema Livre”. Dila Araújo, seu apresentador, despediu-se no ar, o mesmo acontecendo com a Daysi Lúcidi , do “Alô Daysi”, há 41 anos. O programa vai para os sábados, ao meio-dia.

DE ORELHA & ORELHAS
Fala-se que a Nova Rádio Globo é uma proposta de reinvenção do veículo. E, tem gente que acredita. Na verdade, utilizar profissionais de TV da empresa parece reinvenção para os jovens – público alvo, ‘bom de orelha’, ou bola da vez.

Quem ultrapassou a faixa dos 50 de idade e se interessa pelo ramo, sabe muito bem que na década de 1960 a Jovem Pan, de Sampa, adotava igual modelo. Para tanto, servia-se da TV Record, dos Machado de Carvalho, os gestores.

Pertenciam ao cast, entre outros, Roberto e Erasmo Carlos, Vanderléa, Ronnie Von, Jô Soares, os saudosos Jair Rodrigues, Elis Regina e Celi Campelo. Viraram apresentadores da rádio. Época que não havia internet, muito menos similares.

CENTENÁRIO DO JOÃO
Dia 3 de julho há cem anos nascia em Alegrete-RS, João Alves Saldanha, que se tornaria carioca honorário, respeitado cronista esportivo, técnico do Botafogo e da Seleção Brasileira. Pelo centenário, foi homenageado por um grupo de jornalistas.

“O Comentarista que o Brasil Consagrou”, segundo Waldir Amaral (1926—1997), morreu após a Copa de 90, em Roma, Itália. Cobria pela Rádio Tupi ao lado do Luiz Penido, em atuação simultânea para a Rede Manchete de Televisão.

ESVAZIANDO A FESTA
Expert em samba, Rubem Confette, veteraníssimo do elenco da estação vinculada à EBC, costuma afirmar em seu programa, diário até o dia 10, que “A vida é uma festa, a festa é nossa”. Limitado a semanal, pode aposentar o bordão.

Pouca coisa nos dias comuns ficará sendo transmitida dos estúdios da Avenida Gomes Freire, na Lapa. O “Musishow”, do Cirilo Reis, as jornadas do futebol, os esportivos “Bate Bola”, “No Mundo da Bola” e... ‘vitrolão’, inevitáveis musicais.

HORAFINAL.COM
Se a Nacional do Rio dava meio traço no Ibope com alguns programas locais, centralizada nos acontecimentos de Brasília pula, com certeza, para um traço inteiro. Que morador da cidade e arredores sintonizará “a voz do Planalto?”





quinta-feira, 29 de junho de 2017

Rádiomania, o Livro/14

A DANÇA DAS CADEIRAS (A-9)
Durante dois anos consecutivos – 1989 e 1990 --, a FM 105 detinha a vice-liderança no segmento no Rio. Entre os comunicadores, Robson Castro era um dos preferidos pelo público. Apesar de ostentar boa posição no Ibope, a rádio perdia no último ano, segundo semestre, a maior parte de seus contratados.

Robson, que pertencera ao Sistema Globo de Rádio, retornaria à empresa, assumindo o “Good Times” na 98. Trocava novamente de emissora em 1994, voltando a 105, tornando-se titular do “Amor Sem Fim”,concorrente daquele.

Em junho de 1995, quando a 105 foi comprada pelo bispo Edir Macedo, Robson transferia-se para a Melodia. Depois ingressava na Tupi FM, lançando o “Yesterday”, no mesmo estilo do “Good Times”, criado na emissora dos Marinho.

Da Tupi, que dera uma virada no Ibope com o slogan “O Amor do Rio”, Robson se desligava ao fim de um ano, isto é, em junho de 1997. Seu próximo endereço seria a FM O Dia, com o “Yesterday”. Na indefinida emissora, demissões no final de 1977, a grade era modificada, o que determinava sua saída.

Trabalharia numa rádio comunitária, e em outubro de 1998 assinava com a MEC AM passando, nos anos posteriores, a prestar serviços à Melodia, evangélica de maior audiência no Grande Rio. Desta, iria para a internet, montando uma web. Fez em 2016 curta passagem pela SulAmérica Paradiso, com os flashbacks.

MEMÓRIA-1999
Contratado para o carnaval pela Rádio MEC, Hilton Abi-Rihan acertava sua permanência na emissora, produzindo um programa de samba. Íris Ágatha, requisitada na ocasião, era efetivada como apresentadora do “Café com Notícias”.

Em março a crise econômica obrigava a Manchete a reduzir sua programação diária. O horário de meia-noite às 6h da manhã era suprimido. O pessoal do turfe ia para a 1180 AM, prefixo em que depois surgiria a Mundial, antes no 860.

Também devido à crise a todo-poderosa da Rua do Russel, na Glória, retirava da grade naquele mês, as edições noturnas de “O Globo no Ar” e a de “O Seu Redator-Chefe”. Dispensava os jornalistas dos noticiários e os seus locutores.
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Ouvindo as ondas

NOVAS MUDANÇAS NA EBC
A Nacional e MEC AM, emissoras da EBC vão mudar, agora em julho, sua programação, fazendo lançamentos e trocando os horários de diversos cartazes. No domingo (2) estreia na MEC às 8h da noite um musical com Ruy Castro.

Ao jornalista e escritor caberá a apresentação de “A Onda que se Ergueu no Mar”. Trata-se de uma série de oito programas discorrendo sobre a bossa nova e seus intérpretes, sendo a base gravações raras, algumas pouco tocadas no rádio.

O diário “Ponto de Samba”, do Rubem Confette desde 2004 na grade da Nacional (ele era parceiro de Dorina) vai virar semanal. Também será aos domingos, às 11h das manhãs, quando não houver transmissões de jogos do brasileiro.

Em abril, ou seja, há dois meses, a Nacional passou por uma reformulação à meia-bomba. Tirou do ar o vespertino “Dito e Feito” da Gláucia Araújo (às 5h) colocando na vaga o tradicional “No Mundo da Bola”, ultimamente às 8h da noite.

O esportivo antecede ao noticiário político que entra às 6h e meia, “Corredores do Poder”, com Roseann Kennedy. Das melhores apresentadoras do rádio, Gláucia ficou ‘No Mundo...” cobrindo o trânsito pelas câmeras da CET-Rio. Desperdício.


TIRO PELA CULATRA
Um dos motivos para a Globo mudar, mais uma vez, sua programação foi sair da mesmice, reinante no veículo. Radicalizar, porém, segundo especialistas no assunto, tem o mesmo significado de alguém disparar um tiro no próprio pé.

Na busca de um público jovem e elitizado, a rádio perde a audiência dos ouvintes cativos, formada pela classe conservadora. Migram para outras, com isso, as domésticas, aposentados, profissionais do volante, dos salões de barbeiros, e etc.

COM A CORDA TODA
Há quarenta anos atuando em emissoras cariocas, três dos quais na Tupi, Gilson Ricardo está, no momento, na maior roda vida. Uma das principais peças nas jornadas esportivas, ele tem sido requisitado por diversos programas da rádio.

Mais antigo a fazer o trabalho de ‘ponta’ nas transmissões de futebol, Gilson vinha sendo utilizado nas ausências de Washington Rodrigues e Wagner Menezes. Em maio, passou a conduzir o “Bola em Jogo”, até então com o Luiz Ribeiro.

MARKETING PADRÃO
O Flamengo derrotou a Chapecoense por 5 a 1 na Ilha do Urubu, quinta (22). No final do jogo José Carlos Araújo (Tupi) convocava o Ricardo Moreira, afirmando: “O mais completo plantonista do rádio brasileiro”. Como a bola rola, a fila anda.

Até junho do ano passado tal qualificação se referia ao Vinício Gama que, no mês seguinte, fora incluído no pacote de demissões na emissora. Peculiaridade do meio enaltecer plantonistas. Ou acentuar que setoristas ‘cobrem melhor’ tal clube.

Vinício, Sérgio Américo, Carla Matera e outros profissionais que perderam seus empregos, foram atraídos pelo canto da sereia, som da Bradesco Esportes FM. Chegou-se a antecipar seu prazo de validade. Em fevereiro, o naufrágio.


HORAFINAL.COM
Um ano depois de ser demitido pela Tupi (integrara um grupo de dezoito), Jota Santiago volta àquela estação, onde deve reaparecer na primeira semana de julho. Repete-se o acontecido com Francisco Barbosa, reintegrado em março.



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Rádiomania, o Livro/13


A DANÇA DAS CADEIRAS (A-8)
Depois de muitos anos na Rádio Globo, Roberto Figueiredo mudava-se em 1987 para a Tupi. Em abril de 1989, ele trocava esta pela Manchete, onde permaneceria apenas um ano.

Voltava ao rádio pela CBN em outubro de 1991. Foi temporada curta. Afastaria para candidatar-se a uma cadeira na Câmara Municipal do Rio. (Em seus últimos anos na Globo ele se elegeria deputado estadual, não conseguindo renovar o mandato no pleito seguinte.)

A tentativa de retornar à política não fora bem-sucedida e, por quase quatro anos afastado do rádio, só aparecia em gravações de comerciais. Em fevereiro de 1996, no dia 5, retomava espaço no veículo, estreando um matinal programa na modesta Rio de Janeiro. Também não se fixaria ali, optando novamente pelas agências de publicidade.

Um ano depois, ei-lo na Rádio Tupi. Reiniciava sua vida profissional numa emissora compatível com a sua importância. Com o “Show do Rio”, de 8 às 10h da noite,de segunda a sexta, respondendo, ainda, pelas madrugadas aos domingos, de meia-noite às 3h.

Abril de 2001 tirou Figueiredo novamente do convívio com o seu público. Dispensado pela Tupi, voltaria a uma atividade que lhe era bem comum – as gravações de comerciais.

MEMÓRIA-1998
Na Rádio Nacional, em janeiro, José Messias (1928-2015) encurtava seu campo de ação. Transformava o diário “Show da Cidade” em edições de sábados de manhã e domingos de madrugada.

Dia 1° de abril, “Rio de Toda Gente”, com Arlênio Lívio (1942-2003) e Rubem Confette, na mesma rádio, festejava 19 anos. Regozijo em dose dupla. Para os titulares e a comunidade do samba.

Naquele mês outra emissora saía do controle de um empresário de comunicação, tombando ao poderio econômico das seitas evangélicas. A Tamoio era incorporada pela Igreja Pentecostal.
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Ouvindo as ondas

DO CAFÉ E DOS JORNAIS
Uma das atrações da Nova Rádio Globo, o “Café das 6” é um noticiário* de linguagem coloquial, escorado nos modernos recursos da tecnologia – a internet e redes sociais. Os apresentadores atuam em perfeita sincronia, elevado astral.

O ator (e humorista) Fernando Ceilão, a jornalista (e roteirista) Mariliz Pereira Jorge, até parece que já trabalhavam juntos há muito tempo, tal a segurança mostrada nas audições. Cumprem, com fidelidade, a proposta de reinvenção.

OS JOVENS, A META
Na semana em que estreava mais uma grade de programação, comprovado ficava que, a Globo parte em busca de outro público, de elite. Deixa – pode-se constatar – de concorrer com a Tupi, adversária de longa data. Jovens, o alvo.

Numa estreia, ou período experimental, nem tudo sai como o planejado. O Ceilão,por exemplo, em seu desempenho, andou exagerando no uso de um único bordão – “Vamos em frente, que o mundo ‘tá’ que ninguém acompanha”.

Repetia-o a cada intervalo das notícias. Por melhor que seja um programa, esse procedimento leva o apresentador (ou apresentadora) a um fatal e desnecessário desgaste. Ficou parecendo a locutores esportivos atrapalhados com as fichas.

“Café das 6” tem produção de Heloísa Paladino, participações dos repórteres André Henriques (geral) e Jota Alves (trânsito). Como destaque, o quadro “Redação Esportes”, com André Rizek, da SporTv, e o narrador Edson Mauro.

PRA QUÊ DISCUTIR
Conhecido comunicador do rádio, no qual raramente sintonizamos, costuma afirmar na apresentação de um quadro em seu programa que “Gosto é Gosto”. A assertiva tem validade quando na ‘outra’ aparece aos berros um Otaviano Costa.

A respeito. Quem é melhor no ramo – um profissional animado ou um espalhafatoso? O apresentador de “No Ar” na Nova Rádio foi escolhido, inegavelmente, por ser um detentor de numerosos seguidores nas redes sociais.

CORRIDA E BALCÃO
“Oração da Família”, “Lição de Vida”, “Nem te Conto”, “Geraldinos & Arquibaldos”. Estes quadros, intermediados por prestações de serviço, tornaram-se espremidos, resultando num atropelo na grade da Tupi, inaugurada em maio.

Integram o “Show do Clóvis Monteiro”, reduzido naquela oportunidade, de três horas de duração (de segunda a sexta), para uma hora e meia. Desde então, o titular vem adotando tática estranha. Cita os empresários,seus anunciantes.

O Cyro Neves e a Diana Rogers são os repórteres que mais aparecem durante o programa. Ela até ganhou status de ‘especial’. Mas acompanha, pelas câmeras da CET- Rio, o movimento do trânsito. Essa cobertura qualquer estagiário faz.

HISTÓRIA DELES
*(Os noticiários de 25 ou 50 minutos no rádio antigo chamavam-se ‘jornais falados’. Invariavelmente eram apresentados por uma dupla de locutores de vozes impostadas, com uma leitura formal. Não havia entradas de repórteres.

Contavam no máximo, com as participações de dois comentaristas – um encarregado dos acontecimentos da política, outro os do esporte. Em todos, espaços para a opinião da empresa, concentrando-se num dos principais tema.)

Dentre os que marcaram época, figuram: o “Grande Jornal...” e “Matutino Tupi”, na estação de igual nome, “O Seu Redator-Chefe”, na Globo, “Primeira Hora”, na Bandeirantes, e “Grande Jornal Fluminense”, de Niterói, em diversas emissoras.

HORAFINAL.COM
Depois de dezoito anos conduzindo o “Momento de Fé”, com o qual conquistou grande audiência nas manhãs, o Pe. Marcelo Rossi foi ‘jogado’ para a madrugada. Os seus fiéis apreciadores agora têm que ser notívagos para acompanhá-lo, ou transferir essa tarefa a familiares insones. A indiferença dos cardeais do SGR, ninguém merece. Seriam eles religiosos contrariados, ou os agnósticos do rádio carioca?





quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ouvindo as ondas

O MEXE-REMEXE NO DIAL
A Globo está a partir desta semana com programação nova. É a mais radical de todas dentre as inúmeras mexidas na grade iniciadas ainda na gestão do Rubem Campos, que resultara na criação do ‘Projeto Brasil’, de transmissões em rede.

Objetivava com isso alcançar outros mercados e, evidentemente, melhorar a receita publicitária, o faturamento. Ao mirar no horizonte, entretanto, abrira uma brecha no Rio, e, perderia a liderança para sua principal concorrente, a Tupi.

Nesse período, estendendo-se até julho de 2016, a rival pouco mexeu – fez contratações para o esporte. No setor de variedades, uma única mudança. O Mário Belisário voltava em 2013, ocupando o lugar do Sílvio Samper, dispensado.

DE TRAÇOS À PARTE
Numa outra ponta, situa-se a Nacional, além da MEC AM que, por serem públicas, não têm os mesmos compromissos das comerciais – a audiência. Esta, sem dúvida, norteia os importantes meios de comunicação eletrônica.

Apesar disso, as emissoras da EBC, Nacional à frente, não escaparam do mexe-remexe na grade. A lendária rádio da Praça Mauá, hoje na Lapa, adota igual recurso desde a sua revitalização, que fora implantada em julho de 2004.

No sábado (10), por exemplo, relançava programas. O “Alô Rio”, das 8 às 10h, e “Painel Nacional”, das 10 às 13h. O primeiro com o Waldir Luiz (era do Hilton Abi-Rihan), o outro com a Luciana do Valle (antes conduzido por Gláucia Araújo).

AS REDES PRA SUBIR
Voltemos ao início. Gente de TV e das redes sociais, os apresentadores. Formam na grade “Café das Seis”, com Fernando Ceilão e Mariliz Pereira Jorge; “No Ar”, com Otaviano Costa, participações de Ana Paula e o Guilherme Grillo.

Às 11h, “Papo de Almoço”, um comunicador a cada dia, de 2ª a 6ª. Pela ordem: Léo Jaime, Mônica Martelli, Adriane Galisteu, Tiago Abravanel e Cláudio Manoel. “Tá’ Rolando Música” (já tem um ano) agora às 14h, com Rafa Ferraz.

Seguem “Redação da Globo” com Rosana Jatobá, às 17h e “Zona Mista”, às 18h com o Pop Bola. Às 20h, “Globo Esportivo” com Marcelo Barreto, “Radar do Esporte”com Carlos Eduardo Éboli, às 22h e “Em Cartaz”, às 23h, com diversos.

OS SOBREVIVENTES
Demissões ocorreram. Sobreviventes veteranos, minoria. O Roberto Canázio e o David Rangel tiveram espaço limitado. Àquele os domingos, com a “Revista da Rádio Globo”(8 às 11h). A este os sábados, com o “Sambadasso”(11 às 13h),

O “Momento de Fé”, do Pe. Marcelo Rossi, um reconhecido campeão de audiência, foi remanejado para a madrugada, de zero a 1h. Depois, chega o Roni Magrini, que atua em SP.Vai até às 6h com o “Bandeira 2”, seu novo programa.

No pacote das novidades, elogiáveis os títulos. Em nenhum deles as palavras ‘show’ e ‘programa’. Funcionou o espírito de criatividade, coisa rara no meio. “Convocadas”, “Esporte S/A” e “Trilha de Craques”, são os mais originais.
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HORAFINAL.COM
Em plena estreia da programação da Nova Rádio, ainda rodaram chamadas com um ‘em breve’-- não era anunciado o dia do lançamento. Equívoco do sonoplasta. ‘O mundo mudou, a rádio mudou’ – diz uma mensagem enaltecendo o projeto.

HORA DOIS
O slogan que marca a inovação, afirma: ‘Pra quem é bom de orelha’. Ao pé da letra (isto é, do ouvido) registramos. Em sua saída, o agenciador de popular rede de supermercados prometera manter a parceria. Mas deixou de anunciar.










quinta-feira, 8 de junho de 2017

Rádiomania, o Livro/12

A DANÇA DAS CADEIRAS (A-7)
Noticiarista da JB AM em tempos remotos, Oduvaldo Silva vivera anos de glória como apresentador do “Show dos Bairros”, na Mundial. Isso aconteceu nas décadas de 70/80. Durante um bom período ele acumulara essa atividade com a de coordenador de programação da Globo FM.

O desgaste da fórmula fez o “Show...” perder audiência e, o Oduvaldo, prestígio. Bem que o SGR tentou, primeiro com o Jorge Pallis, depois, com o Robson Alencar, reerguer o programa. Em vão, porém.

A exemplo de outros, Oduvaldo se integraria ao quadro de comunicadores da FM 105, o cult do segmento. Lá estava ele na melhor fase da emissora e, na debandada que se registraria em 1991, também recolheria os cacos. Foi para a Tropical FM e, mais tarde, em curtas atuações na Record e Tamoio.

As portas do SGR se reabririam para ele em dezembro de 1997. Contratado como noticiarista – sua função nos anos iniciais – Oduvaldo deixava a empresa dos Marinho no fim de seis meses. A vaga era preenchida por Jorge Luiz, que estivera desempregado aproximadamente um ano.

Quem pensou que o comunicador abandonara a profissão ou se aposentara, enganou-se. O “Show dos Bairros”, que um dia fora rejeitado, serviu para o seu renascer. Foi no primeiro semestre de 1999 que Oduvaldo (“Alô amizade!) voltava – firme e forte – pela Carioca, hoje Sucesso.

A emissora, encampada pela América de São Paulo de um grupo católico, tinha melhorado sua programação, crescendo no conceito público. Uma nova alteração na grade determinaria o afastamento dele. Posteriormente, Oduvaldo Silva decidia encerrar sua carreira no tradicional veículo.

MEMÓRIA-1997
O crítico e jornalista Artur da Távola (1936-2008) estreava na Tupi em novembro. Com uma “Revista Musical” aos sábados, das 19 às 20h, e uma crônica diária à meia-noite, no programa do Collid Filho (1926-2004).

A FM O Dia trocava de freqüência em dezembro, passando para os 100,5 da RPC, estação do Paulo César Ferreira. Ressurgia a Opus 90 (90,3), faixa em que operava a primeira, e nascia o Sistema Rio de Janeiro, unindo O Dia e JB.

Ainda em dezembro, na segunda (22), Nena Martinez, 80, comemorava 59 anos de rádio. A astróloga e apresentadora, então prestando serviços à Tupi, fazia parte dos mais antigos profissionais do ramo em plena atividade no país.
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Ouvindo as ondas

ONDE FICA A DIFERENÇA
Quem liga, sabe. Nos fins de semana a programação das rádios é diferente dos dias úteis. Com a nova grade, a Tupi mudou ainda, a dos sábados e domingos.

Naquele, Alexandre Ferreira e o Belisário têm uma hora a mais, Clóvis uma hora e meia , e Barbosa duas horas. Antônio Carlos e Anthony Garotinho tiram folgas.

No outro, é o dia de descanso para Belisário e o Clóvis. De trabalho para o Garcia Duarte, um dos que cumprem jornada dupla, único que atua na semana inteira.

Com isso, os títulos viraram um festival de shows e programas. As exceções: “Patrulha da Cidade”, “Baú da Tupi”, “Na Cia do Garcia” e, “Fala Garotinho”.

ESPELHO DA ‘JP’
Na concorrente direta, adiada mais uma vez a estreia da ‘Nova Rádio’. Ficou para o dia 12 próximo. As chamadas já anunciam que haverá modificações no esporte.

O modelo, no geral, é bem semelhante ao adotado pela Jovem Pan. Esta, nos anos 60, aproveitava a popularidade de artistas que atuavam na TV Record.

BAIXOU O NÍVEL
Para formatar sua grade provisória, a Globo tirou do arquivo o “Se liga, Brasil”, que marcou, há dez anos, o ingresso do Roberto Canázio. Só o nome é igual.

Enquanto o Canázio ‘hiberna’ – voltará na 'nova'? --, o André Henriques conduz o cartaz. O playlist musical sério competidor do que rodam as FMs O Dia e Mania.

UM SOM A MAIS
Alpha FM chegou ao Rio, na quinta (1°), finda uma semana de experiência. ‘Estilo em sintonia com você’ – diz o promocional. E outra: ‘A trilha sonora de sua vida’.

Muitas expectativas em torno dela, mas, na verdade, trata-se da mistura de JB com a Antena 1. Quem conhece pode perceber. Basta apenas compará-las.

ASTRO POR ACASO
O ator e apresentador Márcio Garcia, que por acaso, entrou para a TV, foi focalizado com um perfil generoso no programa do Clóvis Monteiro, sábado (3).

“Lição de Vida”, baseado no factual, teve edição especialíssima sobre a carreira dele. “Topicaliente” sua primeira novela, e “Celebridade”, a mais importante.

DALVA, A RAINHA
Comemorou-se na segunda (5), o centenário de Dalva de Oliveira (1917-1972), um dos grandes nomes da música. Em 1952, ela foi eleita a “Rainha do Rádio”.

Originária do “Trio de Ouro” com Herivelto Martins e Nilo Chagas (casara-se com o primeiro), ela transformava em sucessos, as divergências de sua vida familiar.

HORAFINAL.COM
Um dos problemas que mais desafiam as autoridades, é a população que vive nas ruas. O assunto foi abordado nesta segunda, de manhã, no “Repórter Rio”, da Nacional, resultando num belo trabalho de Raquel Júnia, e desenvolvido, ainda, no “Tema Livre”, programa de debates, às 10h, com Dilo Araújo.

HORA DOIS
Em matéria numa revista semanal sobre o rádio que tenta sobreviver com outras plataformas, a autora escreveu que o “Show do Antônio Carlos” acabou. Desinformada a moça nesse detalhe – o radialista trocou de emissora. Ela, certamente, é de uma geração que ‘não cola o ouvido no radinho’.


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rádiomania, o Livro/11

A DANÇA DAS CADEIRAS (A6)
Foi na FM 105 que o comunicador Mário Belisário começou a se projetar no rádio. O “Desperta Rio”, de 4h às 7h, a sua melhor referência, entre 1989 e 1990. No finalzinho deste, ele estreava na Tupi AM, dando nome ao show que o acompanharia em outras emissoras.

Em setembro de 1995, Belisário se desligaria da Tupi. Trocava-a pela Manchete AM, onde ingressava em outubro. Seis meses depois, porém, mudava outra vez de prefixo. Era atraído por uma proposta aparentemente mais vantajosa, qual seja, um novo projeto no segmento – a FM O Dia, que contratava um time de profissionais de reconhecido apelo popular.

O ‘novo” modelo que a empresa tentava não vingaria e, o jeito foi providenciar modificações, alternativas. Os comunicadores requisitados receberam ‘bilhete azul’. Em pleno dezembro de 1996.

Último a deixar o projeto, retornaria à Manchete AM. Acumularia funções, atuando também na 94 FM (Roquette Pinto) em 2000. Um ano depois ficaria somente na estatal. A Manchete entreva em concordata.

Nos governos de Anthony e Rosinha Garotinho voltaria a trabalhar na Tupi em participações especiais. Era o mestre de cerimônias do “Bom dia”, programas semanais deles. Em 2007, a Manchete ressurgia. Belisário figurava entre os contratados. E demitia-se em agosto de 2008.

Na Sucesso (ex-Carioca), entre 2009 e 2011, manteve pela manhã o show a que empresta o nome. Está na Tupi desde agosto de 2013. Substituiu o Sílvio Samper, que emendara 18 anos no horário.
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MEMÓRIA-1997
Em fevereiro, o locutor Gontijo Teodoro tirava seu programa da Nacional, não completando um ano na emissora. Foi trabalhar na Bandeirantes.

Comunicador da Globo em 1982, com passagens por outros prefixos, Carlos Bianchini retornava em março. Estreava dia 8 como noticiarista das manhãs.

Dia 10 de junho, Valter Lima surgia na CBN em dois turnos, cobrindo as novidades do Planalto. Não se criaria ali, e voltava para a Nacional de Brasília.

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Ouvindo as ondas

HORA E VEZ DO Mr. BEAN
Marcus Vinícius, o Mr Bean, herdou na Tupi o “Show de Bola”, aos sábados, que era do Eugênio Leal, demitido em 2016. Boa opção, ampliada em janeiro*.

O programa, antes dedicado ao futebol, ganhou com o novo titular, contornos musicais, voltando-se principalmente para o samba, destacando os de carnaval.

COM DEBÉTIO
Na audição de 28 último, Mr. Bean mostrou toda sua verve ao entrevistar o produtor de discos e compositor Paulo Debétio, que transita por gêneros variados.

Autor de inúmeros sucessos de sambistas e intérpretes sertanejos, Debétio tem na bagagem músicas de festivais, aberturas e trilhas sonoras de novelas.

Parceiro de Paulinho Rezende e, entre outros, Boni (da TV), produziu e compôs para Alcione, Fafá de Belém, os saudosos Agepê, Emílio Santiago, e etc.

SEM RETOQUES
Dono de uma prosa fácil, o entrevistado proporcionou ao Mr. Bean bons momentos. Um programa sem retoques, no entender de profissionais.

*O “Show de Bola” cresceu depois da greve de dezembro, no lugar do “Cia do Riso”, do Luizinho Campos. “Sambas & Outras Coisas”, seria nome apropriado.

Colaborador do Apolinho há 18 anos, MV personifica o ‘RobETão – ET anão’. Foi roteirista do “Show da Madrugada”, com Apolo e Abi-Rihan em 1993/95, na ‘outra’.

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HORAFINAL.COM
“... Esses jovens que estão renovando o jornalismo do rádio”. Dito nesta manhã pelo Clóvis Monteiro, referindo-se à Diana Rogers e Cyro Neves. Menos Clóvis, menos. Há uns dez anos os dois deixaram a Tupi pela Manchete. Depois, ela foi para a Globo, ele para a Bradesco. Num espaço reduzido à metade, tudo tem que ser rapidinho. O programa ficou espremido. Daí, evidentemente, o ‘dinamismo’.


HORA DOIS
Após experiência de uma semana, a Alpha FM (94,9) começou nesta quinta (1º), às 11h25 da manhã, sua programação pra valer no Rio."Garota de Ipanema", com Tom Jobim e orquestra, dele e Vinícius de Moraes, a música inaugural.Com isso, Ricardo Boechat e Rodolfo Schneider, que esquentavam horário na nova rádio, saíram para tocarem o 'barquinho' na Bandnews, recém ocupante da 90,3.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ouvindo as ondas

AC, DE VOLTA ÀS ORIGENS
O dia que marcou a volta do Antônio Carlos à Tupi, esta segunda (29), teve plateia assistindo. Fãs incondicionais e, naturalmente, madrugadores convictos.

Dos 40 anos completados há pouco, os dez iniciais foram na então líder dos Associados. A não ser a troca, nada de novo num indiscutível campeão.

Os quadros são os mesmos, os colaboradores idem, alguns demitidos pela ‘outra’, e aqueles que resolveram desligar-se, saindo por conta própria.

Acompanham AC na rádio de São Cristóvão, os ex-globais Ricardo Campelo*, Juçara Carioca*, Carla de Luca*, Zora Yonara e o sonoplasta Mário Aguiar.

Abrindo a nova grade da emissora, a zero hora, Alexandre Ferreira* também estreou nesse dia, dando nome ao programa. Foi mais um que ‘dançou’ na Glória.

A exemplo do Antônio Carlos, seus colegas (veja asteriscos), começaram na Tupi, que hoje, matreiramente, é anunciada como ‘rádio danada de boa’.

Campello trabalhou com o popularmente classificado “despertador do Brasil” quando a rádio instalava-se na Avenida Venezuela. Final do distante anos 80.

Juçara, repórter, atuou no decano “Patrulha da Cidade”. Carla com o Haroldo Jr., na gestão do Mário Luiz em 1995/97. Nela, há 30 anos, Alexandre foi estagiário.

A NOVA GRADE
A partir desse dia, de segunda a sexta, a nova grade da emissora fica assim: De meia-noite às 2h, Alexandre Ferreira; daí Garcia Duarte, até às 4h.

Depois, até às 6h, Mário Belisário, seguindo-se o Antônio Carlos, até às 8h. Na sequência, até às 9h30, a vez do Clóvis Monteiro, daí às 11h, Anthony Garotinho.

Por fim, Francisco Barbosa, das 11 às 12h. Numa rádio em crise histórica até bem recentemente, sete comunicadores em 12 horas. Nem Freud explica.

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HORAFINAL.COM
Aldenora Santos, 'A Pudica', produtora do AC desde o surgimento do programa, incorpora-se à equipe na quinta, 1° de junho. Também participam da atração, Gilson Ricardo, repórter esportivo, e Miguel Marques, imitador de celebridades.